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FC Porto-Sporting, 2-1: Capucho em noite de génio matou leões pelo cansaço

DRAGÕES NA FINAL COM VITÓRIA APÓS PROLONGAMENTO

O FC Porto, actual detentor da Taça de Portugal, vai defender o ceptro na final de 10 de Junho no Jamor, frente ao Marítimo, depois de ter vencido quinta-feira o Sporting nas Antas por 2-1, num jogo em que houve um jogador de génio (Capucho), uma equipa que esteve a vencer mas foi incapaz de ganhar (Sporting) e uma noite de chover cães e gatos a que resistiram 11 800 bravos nas bancadas das Antas.

Capucho foi o homem do jogo, pelos dois golos e pela forma como os obteve: o primeiro num remate de primeira, na área, sem deixar cair a bola, depois de um desvio de cabeça de Maric (31 m); o segundo já no prolongamento depois de um pontapé de baliza directo de Ovchinnikov, em que Capucho ganhou a bola, de costas, à entrada da área, passou Hugo, depois Beto, pelo meio ganhara um ressalto a Paulo Bento, entrou na área sobre a esquerda e, à saída de Schmeichel, picou-lhe a bola com um toque subtil de pé direito.

Mas os golos de Capucho não escondem um jogo em que o Sporting teve mais bola, mas foi incapaz de materializar o seu jogo em golos e até em oportunidades claras, apesar de ter sido sempre mais equipa, mais coerente e de se ter mostrado muito mais confortável no seu esquema de 4-2-3-1.

Compreensivelmente, Manuel Fernandes fez apenas uma alteração à equipa que segunda-feira tinha empatado nas Antas para a I Liga: Rodrigo Fabri em vez de Edmilson. Pesados os prós e os contras, o técnico jogou numa equipa moralizada e minimizou o desgaste.

Talvez isso lhe tenha sido fatal, porque o tempo foi correndo, chegou o prolongamento e o Sporting foi perdendo gás de forma visível.

Fernando Santos tinha de fazer mais contas. Por causa do desgaste acumulado (e a situação não era igual à do Sporting, porque os seus homens têm mais jogos nas pernas) e por isso, em relação a segunda-feira, fez uma revolução: no guarda-redes (Ovchinnikov em vez de Pedro Espinha), na defesa (Ricardo Silva no lugar de Aloísio), no meio-campo (Folha em vez de Alenitchev) e no ataque (Maric em vez de Pena, Clayton substituindo Capucho).

O jogo de segunda-feira marcou muito o de quinta, mas o FC Porto voltou a ter bastantes dificuldades para contrariar o movimento e o nível técnico dos três sportinguistas que apoiavam Acosta (Pedro Barbosa, João Pinto e Rodrigo), que criavam sempre linhas de passe e davam ao futebol do Sporting uma amplitude e uma facilidade a trocar a bola que o FC Porto nunca teve.

Depois, o Sporting, enquanto teve pernas, defendeu sempre bem à frente e não têm conta os passes errados ou os alívios sem nexo que provocou aos portistas.

FC Porto adapta-se

Foi o FC Porto que se adaptou ao Sporting e não o contrário, de tal modo que a equipa acabou a marcar quase homem a homem e, como exemplo, Folha foi mais defesa-esquerdo do que médio, porque tinha de estar sempre preocupado com César Prates, que passou a noite para lá da linha de meio-campo. E, sem Pena, o FC Porto só pode ser uma equipa de contra-ataque, como aliás foi quinta-feira até ao prolongamento.

Mas desta vez o Sporting até teve a sorte pelo seu lado. Porque, à custa de coração e do irrequietismo de Clayton e Folha, o FC Porto entrou melhor, mas aos 13 m, na primeira vez que foi à área de Ovchinnikov, ganhou um canto e marcou, por Beto ao segundo poste, depois de desvio de Pedro Barbosa e um toque de Paredes. E Acosta, logo a seguir, ainda introduziu a bola na baliza, mas um fora-de-jogo milimétrico levou à anulação.

O Sporting teve mais volume de jogo, mas não muito mais oportunidades, reconheça-se – foi muito "passa e ripassa" e pouco chuto –, mas Beto perdeu uma ocasião soberana quando cabeceou sozinho noutro canto e Ovchinnikov fez grande defesa (28 m).

O FC Porto era obrigado a correr atrás da bola, com os jogadores sempre atrasados nas marcações, mas abnegados, procurando as oportunidades de contra-ataque, embora raramente com ligação.

Mas Capucho acertou o tiro aos 31 m, empatou o jogo e podia tê-lo desempatado quando cabeceou para fora um canto da esquerda em que Schmeichel saiu em falso, mesmo sobre o intervalo.

Continuou a chover na segunda parte e o jogo foi pior, porque o Sporting teve a bola mas entrou pouco na área e o FC Porto continuava em contra-ataque. Começaram as substituições e o Sporting perdeu alguma coisa, aproveitando o FC Porto para equilibrar.

Saiu Maric e entrou Cândido Costa, passando Capucho a jogar como ponta-de-lança, o que é, só por si, a confirmação das dificuldades portistas nesse lugar, mas deu ainda mais moral ao nº 21. Domingos só entraria mais tarde, para jogar com Capucho na frente.

O Sporting fez apenas trocas, mas Spehar não é Acosta, Edmilson não é Pedro Barbosa e Tello não é Rodrigo.

Verdadeiras oportunidades na segunda parte só a cinco minutos do fim, num raide de Capucho (após alívio de Secretário) que terminou com um grande remate que Schmeichel desviou para canto. Capucho não fazia tudo bem, mas via-se que estava confiante e os colegas acreditavam nele – a primeira opção era sempre dar-lhe a bola.

Capucho aguentou estoicamente e teve a arte e o engenho para fazer o segundo golo, já no prolongamento, que viria a decidir tudo. O Sporting, no período extra, só teve uma situação de golo, quando Spehar cabeceou fraco, quatro minutos depois do segundo golo portista. Na segunda parte, o FC Porto nem permitiu que houvesse jogo.

O árbitro Lucílio Baptista teve muitos erros. Começou por adoptar um critério muito largo nos cartões, o que é bonito, mas o jogo, naquelas condições, não estava para isso. E depois teve de fechar muitas vezes os olhos para não expulsar ninguém. Secretário, Pedro Barbosa, Beto... E nas faltas o critério foi sempre pender um bocadinho para os da casa.

O assistente Luís Salgado acertou no lance de Acosta, o que não era fácil.
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