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Leixões-Sporting, 0-1: Taça só para uns e festa para todos

CRÓNICA

"O Sporting venceu o jogo, mas sofreu aquilo que muito provavelmente não esperava; por culpa própria, já que a sua exibição foi muito pouco conseguida, mas também por culpa do Leixões, equipa corajosa e alegre, que vendeu cara a derrota, justificou plenamente a presença na final da Taça e podia, perfeitamente, ter levado os campeões nacionais a prolongamento"
Leixões-Sporting, 0-1: Taça só para uns e festa para todos • Foto: Manuel Araújo
O SPORTING levou a Taça de Portugal para Alvalade e consumou a sexta "dobradinha" da sua história. Mas, para o conseguir, teve de ultrapassar uma equipa do Leixões que, vinda do terceiro escalão do nosso futebol, encarou a presença no Jamor como o acto final de uma grande festa, mostrou-se atrevida e corajosa e criou inúmeros problemas aos pupilos de Laszlo Bölöni. A vantagem tangencial do Sporting tem explicação na conjugação de dois factores:

1 – Os leões estão saturados de competição, vivem em festa há três semanas, e por mais que o técnico romeno tivesse feito avisos à navegação, o espírito para defrontar o Leixões não era, manifestamente, o mais "competitivo". Por isso, ontem, o Sporting rubricou uma das mais pobres exibições da temporada.

2 – Ao invés, de Matosinhos veio uma equipa a viver um sonho, que actuou em superação permanente e foi capaz de manter uma força anímica extraordinária, perseguindo, até ao derradeiro apito, a possibilidade de levar a partida para prolongamento. O que esteve quase a acontecer.

Mas vamos ao jogo...

Bölöni, quiçá embalado pela queda de Nalitzis para ganhar Taças (já o fizera, na Grécia, por três vezes), deu-lhe o lugar ao lado de Jardel, colocando João Pinto ora nas costas dos pontas-de-lança, ora na esquerda. Não foi uma boa medida. Porque o grego não atingiu os "mínimos olímpicos" e JVP perdeu-se no terreno, com manifesto prejuízo para uma equipa que só a espaços pôde contar com Pedro Barbosa, ontem atacado de uma enorme intermitência exibicional. O Sporting, sempre muito preso de movimentos, não foi capaz de aproveitar os espaços que a ousadia leixonense abria e ficou a léguas do seu rendimento normal.

Por seu turno, Carlos Carvalhal deitou o medo para trás das costas, jogou em 4x3x3 e esteve quase a levar a água ao seu moinho. Seria "normal" que a equipa da II B se refugiasse na defesa. Nada disso aconteceu e o primeiro erro do árbitro, logo aos 10 minutos (André Cruz, último homem da defesa, viu o cartão amarelo, por falta sobre Detinho, quando a cor apropriada seria o vermelho) acabou por penalizar os leixonenses.

Com o Sporting a procurar garantir a supremacia territorial e o Leixões a espreitar a velocidade de Antchouet, os leões viriam a marcar um golo, por Rui Bento (35 m), mas o árbitro não viu a bola dentro da baliza; cinco minutos volvidos também não viu Jardel em fora-de-jogo e o Super Mário aproveitou para colorir o "placard". Logo a abrir o segundo tempo os leões podiam ter resolvido tudo, mas Olegário Benquerença não viu uma grande penalidade clara de Nuno Silva sobre João Pinto.

Já com Hugo Viana em campo (52), pensou-se que os campeões nacionais iam passar a segurar melhor a bola. O que não aconteceu. O limão leonino mostrava-se demasiado espremido e acabou por ser Abílio a estoirar um livre directo contra a barra (66). Laszlo Bölöni, ontem muito hesitante no banco, só aos 82 minutos trocou Barbosa por Quaresma, numa altura em que Carvalhal já tinha mexido na sua equipa e o Leixões, empurrado pelos adeptos, procurava o empate. Que esteve quase a acontecer quando Antchouet, de cabeça, acertou no poste esquerdo da baliza de Nélson. A um minuto do fim...

Os leões acabaram a fazer a festa. Mas, diga-se, não ganharam para o susto.

O árbitro OLEGÁRIO BENQUERENÇA cometeu quatro erros importantes e não justificou a nomeação para a Festa do Futebol.
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