«Queremos o Caldas na final do Jamor»

Após noite de festa rija, a cidade despertou tranquila e com um objetivo bem definido

O momento histórico do Caldas proporcionou à cidade de Caldas da Rainha uma noite de quarta-feira diferente. A festa foi rija nas ruas, com os adeptos a festejarem com os jogadores, que desfilaram num autocarro decorado com as cores do clube. Mas, na ressaca da festa, no regresso ao trabalho, a tranquilidade voltou imperar na cidade. Record visitou as Caldas da Rainha ontem, bem cedo, e constatou que o tema das conversas era só um: a vitória do Caldas.

"Gritei muito durante o jogo. Tínhamos de apoiar a equipa, para vencer. Agora? Agora vamos depenar as aves", conta, sorridente, Idalina Santos, enquanto penteia o cabelo de uma cliente. No centro da cidade, junto ao mercado, há um local mítico, onde o futebol é sempre tema de conversa e... discussão. No quiosque do senhor Américo Bernardino só se fala do Caldas e do Jamor. "Podemos pensar na final. O Aves é um degrau mais acima, mas é possível. Tinha mais medo do Rio Ave. É um sonho ir à final do Jamor e, depois, vamos às competições europeias. O sonho é grande", explicou Américo Bernardino a Record, sem esquecer um dado de relevo para aumentar a sua felicidade.

"O importante é jogarmos no Campo da Mata a meia-final. Vou sempre aos jogos. Desde a 1ª eliminatória, que foi na Lourinhã. Mas vou sempre ao Campo da Mata, onde tenho a minha cadeira, lugar cativo. É um momento único na Taça de Portugal, porque eu ainda sou do tempo do Caldas na 1ª Divisão. Quando era pequeno ia para a porta para ver se via alguém conhecido para me levar para dentro. Antigamente só se podia entrar com outra pessoa mais velha e o meu pai não gostava de futebol. Tinha muitos pais. Todos os domingos era um diferente, para ir ver os jogos" conta, enquanto vende mais um jornal, com o nome do clube inscrito na primeira página. Algo raro na centenária história do Caldas.

Pelas ruas a alegria da vitória estava em cada esquina, embora de forma tímida. Os caldenses deixaram o cachecol em casa e apenas conversavam entre si. E foi preciso procurar para encontrar quem tivesse alguma peça alusiva ao Caldas. João Carvalho, rececionista da Câmara, foi dos poucos a sair de casa de cachecol. "Gostava de ultrapassar o Aves e chegar à final frente ao Sporting. São os dois clubes do meu coração e iria viver um dia inesquecível", confessa o funcionário.

Adversário discutido

Em plena Praça da Fruta a ida às meias-finais não deixou ninguém indiferente. Numa discussão entre amigos, estava difícil convencer todos de que o adversário da próxima eliminatória da Taça de Portugal é o Aves. "Olha que eu acho que é o Rio Ave", ouvia-se de um lado. Do outro, surgia o contraditório: "Já te disse muitas vezes que é o Aves."

A nossa equipa de reportagem aproximou-se do grupo de homens e esclareceu todas as dúvidas. "O Rio Ave estava a ganhar e pensei que tivesse ficado assim", confessa o mais distraído.

Com a vitória na mente e o desejo de que a meia-final "fosse já amanhã", a cidade "aproxima-se do clube", para gáudio dos dirigentes. Agora é importante não esquecer o passado, preparar o futuro e sonhar. Porque, como diz a canção de Manuel Freire: "O sonho é uma constante da vida." O Caldas sonha com a final e acrescenta a tal magia da Taça de Portugal.

Jorge Reis acordou e o sonho... é real

"Isto foi mesmo verdade." Foi desta forma que Jorge Reis, presidente do Caldas, relatou a Record o primeiro pensamento que teve logo pela manhã de ontem. "O sonho é o Jamor. Sabemos das dificuldades que vamos encontrar, mas isso não nos retira a ambição. Agora temos de pensar no Campeonato de Portugal", frisou o dirigente que garantiu que tudo fará para que as meias-finais se realizem no ‘miniJamor’. "Temos o compromisso da autarquia, que tem sido um parceiro fundamental", assegurou.

Câmara garante total apoio ao clube

"Estamos, naturalmente, muito eufóricos com o que aconteceu com o Caldas", realçou Fernando Tinta Ferreira, presidente da câmara municipal. O autarca garantiu que tudo "será feito para que o jogo se realize no Campo da Mata", mas deixou alerta: "Não nos peçam impossíveis." Segue-se a deslocação a Vila das Aves, onde, seguramente, vão estar muitos caldenses. "Vamos contribuir para que existam condições de deslocação. Provavelmente, de autocarro, mas vamos tentar de fretar um comboio da CP. O convívio é maior", explicou.

Por André Ferreira
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