Tempo só mesmo para sonhar

Rony é um dos rostos do Caldas e mostra a azáfama que tem vivido com este momento inédito do clube

• Foto: Carlos Barroso

Muito se falou e escreveu acerca do feito inédito do Caldas. O centenário clube do distrito de Leiria ‘invadiu’ os jornais depois de atingir, pela primeira vez na sua história, as meias-finais da Taça de Portugal. A festa foi rija, os desconhecidos atletas do Caldas tornaram-se celebridades, mas há coisas que não mudam: o amadorismo continua vigente nos que equipam de preto e branco... e agora vem aí o Aves, o primeiro adversário proveniente da 1ª Liga.

Pouco tempo depois de terem aterrado em Lisboa - vindos dos Açores, onde perderam frente ao Lusitânia (2-0) para o Campeonato de Portugal - e a escassas horas do apito inicial na Vila das Aves (amanhã, às 20h15), a contar para a 1ª mão das ‘meias’, Record visitou um dos pilares da defesa caldense no seu local de trabalho. Ronyellyson Ramos, de 32 anos, recebeu-nos no Balance Health Club, o ginásio onde desempenha a função de personal trainer.

Chegou às Caldas da Rainha às duas da madrugada, descansou enquanto ‘o diabo esfregou um olho’, faltou às aulas do curso de PT e às 15 horas em ponto lá estava ele entre halteres e bolas de pilates. De sorriso estampado no rosto e do alto do seu 1,90 m, o brasileiro mostrou-nos a azáfama que tem vivido, onde só tem tempo... para sonhar. "Ainda estou a concluir o curso. De manhã tenho aulas. À tarde venho para o ginásio e ao fim da tarde tenho treino. E ainda oriento os traquinas do Caldas às terças-feiras, que é quando os seniores não se treinam… é sempre a correr. Praticamente só tenho uma hora à noite para estudar ou para planear o meu dia seguinte no trabalho. Só tenho tempo para sonhar", enaltece, entre risos, ao mesmo tempo que cumprimentava mais um cliente que passava nos torniquetes da entrada.

Realidades distintas

O facto é que o Caldas vive no patamar do amadorismo e os atletas são futebolistas apenas em ‘part-time’, uma realidade bem diferente do opositor de amanhã. "O Aves é profissional, tem outra estrutura, mas vamos fazer o nosso melhor e tentar trazer a decisão para nossa casa", afirma, enquanto caminhava nos corredores envidraçados do ginásio, destacando a importância dos adeptos. "Vamos sentir a força vinda das bancadas porque vão estar muitos caldenses a apoiar-nos. Queremos fazer história!", garante.

Se for decidido pelo cheiro, o Caldas está em vantagem

A nossa equipa de reportagem continuou a visita pelas Caldas da Rainha e deslocou-se até ao mítico Campo da Mata, passavam poucos minutos das 18 horas. Fomos até aos meandros dos heróis da região e falámos com uma profunda conhecedora de todos eles: a roupeira Cláudia Leal.

Entrámos no seu ‘cantinho’, recheado de equipamentos e chuteiras, mas foi a sua alegria contagiante que mais saltou à vista. Entre histórias e gargalhadas, Cláudia deixou uma garantia. "Eles vão até ao norte do país muito cheirosos. Se isso contasse, tenho a certeza que a vitória já era nossa", frisa, com alguma graça.

Entre os destaques, a funcionária mencionou o médio Paulo Inácio como sendo o mais "extrovertido" e ainda fez algumas revelações. "O Luís Farinha [avançado] pede-me sempre meias velhas, nunca quer roupa nova. É também aquele que mais capricha na roupa interior, sempre muito colorida", revela com a face bem rosada.

Por Daniel Monteiro
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
Subscreva a newsletter

e receba as noticias em primeira mão

ver exemplo

Ultimas de Taça de Portugal

Notícias

Notícias Mais Vistas