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Vila Real-Sporting, 0-4: Tudo fácil pelo profissionalismo

CRÓNICA

"Se o jogo não teve muita beleza, muitos motivos de interesse, porque pouco competitivo e nem sempre bem jogado, o último golo, marcado por Quaresma, ficava como derradeira lembrança de uma tarde de festa"
Vila Real-Sporting, 0-4: Tudo fácil pelo profissionalismo • Foto: Paulo César
O SPORTING venceu ontem facilmente o Vila Real (II Divisão B), por 4-0, e seguiu para as meias-finais da Taça de Portugal. Um triunfo consistente, conseguido de forma aparentemente fácil, mas que começou, sobretudo, no profissionalismo evidenciado pelos leões: desde o treinador aos jogadores. Ninguém facilitou. Bölöni, sem Jardel, Pedro Barbosa, Paulo Bento e Beto não facilitou e colocou Quiroga, André Cruz e Babb, por forma a não permitir facilidades na defesa. Rui Bento e Hugo Viana estavam no miolo e apenas o jovem Paíto surgia na lateral esquerda, com Rui Jorge no banco. Quaresma e João Pinto também não foram poupados. Era evidente que o objectivo não passava por deixar correr o jogo, pensando que a "coisa" podia prosseguir em Alvalade. É certo que a fraca capacidade do Vila Real em momento algum colocou dúvidas no desfecho, mas os números do resultado foram expressivos porque o Sporting fez por isso. E contou, é certo, com alguma ajuda do guarda-redes Murta.

Relvado irregular e adversários com vontade de se mostrarem: era este o quadro com que a equipa de Lisboa se deparava. E como respondeu? Simples, jogando de pé para pé, preferencialmente pela direita, onde Quaresma e Luis Filipe levavam o jogo facilmente para a área contrária. E como a vantagem no marcador até surgiu sem grandes dificuldades (Murta não segurou uma bola que parecia de fácil defesa e Luís Filipe empurrou para golo, 22'; Renato cortou a bola com a mão, na área (35'), de forma escusada, e André Cruz converteu a grande penalidade), a equipa leonina pôde desacelerar o ritmo do jogo.

Apesar de o Vila Real concentrar muita gente na zona frontal, o Sporting (Hugo Viana, em especial) soube contornar tantas pernas, ora jogando em tabelas com João Pinto, ora entregando os desenhos ofensivos a Quaresma. Tello, nesta altura, era pouco solicitado e, a bem dizer, quando a bola lhe chegava não seguia de forma perigosa rumo à área contrária. Processos simples e eficazes, era, afinal, a aposta do Sporting. Que dava resultado porque os jogadores não se incomodavam com o choque (e João Pinto levou uma valente porrada de Gordilho, logo aos 5 minutos), entregavam-se ao jogo como verdadeiros profissionais.

Quando Luís Filipe (55') fez o 3-0, Bölöni optou, então, por dar minutos de jogo a outros jovens. Ao mesmo tempo, poupou João Pinto, Hugo Viana e André Cruz. Lourenço voltou a jogar, tal como Diogo, e Santamaria teve a primeira chance, depois da época em que Jozic viu nele qualidades para estar entre os melhores.

O jogo, durante um quarto de hora, foi mesmo muito aborrecido e pensava-se que não dava mais nada, até porque Luís Filipe havia saído, lesionado (70'), e o Sporting jogava com dez. Mas Quaresma estava em campo. E, de repente, resolveu fazer daquelas coisas que os adeptos estão sempre à espera, porque são aquelas que dão beleza ao jogo. Vai daí, arrancou direito à baliza e com a certeza de quem faria golo, atirou de forma violenta, levando a bola a entrar, depois de "espirrar" na barra. Ora se a Taça é a festa do futebol, o golo de Quaresma ali estava, a dar alegria aos muitos adeptos leoninos presentes no campo do Vila Real. Se o jogo, em si, não teve muita beleza, muitos motivos de interesse, porque pouco competitivo e nem sempre bem jogado, o último golo, a 16 minutos do fim, ficava como derradeira lembrança de uma tarde de festa numa terra que poucas vezes tem a oportunidade de ver tantos jogadores talentosos num relvado.

Quim Vitorino, o treinador do Vila Real, cruzou-se pela segunda vez com o Sporting, na Taça. Perdeu 0-1 quando orientava o Canelas Gaia. Onde, foi pelo dobro. Mas nada podia fazer para evitar a goleada.

O árbitro ANTÓNIO COSTA fez um trabalho de bom nível e talvez o cartão amarelo mostrado a Gordilho, logo aos cinco minutos, tenha sido o garante de um jogo sem excesso de agressividade. Foi, se quiseram, um cartão justo e pofiláctico. Nada a dizer na grande penalidade, existente.
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