Tal como em todas as modalidades desportivas, também o futsal utiliza o treino como forma de optimizar as potencialidades dos atletas que praticam este desporto. Como tal, quanto melhor pensado, oportunamente aplicado e quanto melhor desenvolvido, maior a probabilidade de resultarem os objectivos pretendidos. Compreende-se assim, a importância da sua preparação.
Cada treinador tem a sua forma de planear um treino, o que a seguir irei referenciar, não é uma receita, mas antes a forma que considero a mais eficaz, perante a realidade em que me encontro. Este é o nosso exemplo (Instituto D. João V) !!!
Elaboração da Unidade de Treino (UT)
A UT deve ter um cabeçalho onde se identifica o número do treino, a data e o microciclo onde se enquadra. Nesse cabeçalho também deverá constar as componentes da carga, nomeadamente o volume e a intensidade, e os principais objectivos que se pretendem atingir nesse treino.
É importante referir que nas nossas unidades de treino, todas as tarefas de treino desde a sua parte inicial à final, incluem exercícios relacionados com o "nosso modelo de jogo".
Na parte introdutória do treino, são realizados alongamentos, e é onde o treinador faz um resumo daquilo que se pretende para esse treino, referindo os objectivos principais, e o tipo de trabalho que se vai desenvolver. Nesta parte também consta uma estimulação cardio-vascular, o chamado "aquecimento", onde se pretende que os jogadores se preparem para a parte fundamental do treino, de modo a evitar lesões. Nesta parte do aquecimento, normalmente já se aproveita para trabalhar movimentações e circulações de bola. Se os guarda-redes estão a trabalhar à parte, estas movimentações não terminam com finalização, se os guarda-redes estão integrados no trabalho desde o início do treino, as movimentações terminam com passe para as mãos dos guarda-redes, onde também eles vão aquecendo de forma gradual.
Na parte fundamental do treino, são escolhidas as melhores tarefas possíveis para desenvolver os objectivos pretendidos, sejam eles técnico-tácticos ou físicos, sempre dentro do"nosso modelo". Aqui, considero que é sempre possível trabalhar ambos simultaneamente. Se eu quero um trabalho mais aeróbio, aumento o volume e baixo a intensidade, se quero um trabalho mais anaeróbio, baixo o volume, aumento a intensidade e os tempos de pausas. No entanto não queria deixar de referir que os exercícios/tarefas de treino por nós escolhidas são quase sempre em intensidades altas. Ou seja, o que vai variar será o tempo da duração do exercício e os tempos de recuperação.
Procuro sempre que as tarefas se desenvolvam do modo mais próximo possível às situações reais de jogo. Um aspecto importante é tentar controlar o maior número possível de variáveis que podem ocorrer num jogo, e quanto mais próximo do jogo se trabalhar, maior a probabilidade dessas variáveis serem controladas e trabalhadas em situação de treino, evitando ao máximo surpresas inesperadas no jogo. Obviamente que quanto melhor se conhecer o adversário que teremos de enfrentar no fim-de-semana, menos surpreendidos seremos em competição. E é precisamente sobre aquilo que se conhece do adversário, que também é preparado grande parte do trabalho para o treino, de modo a ajustar pequenos pormenores defensivos e ofensivos, para optimizar a nossa eficácia perante situações especificas em que o adversário se poderá revelar mais perigoso, e de modo a aproveitar outro tipo de situações em que o adversário não é tão eficaz.
Na parte final do treino é dada importância novamente aos alongamentos, à semelhança do início do treino, mas agora com maior insistência nos principais grupos musculares solicitados durante o treino, e com maior duração para cada alongamento. Nesta altura do treino tentamos variar a nossa postura ou fazendo um pequeno balanço sobre a prestação geral dos jogadores e referir alguns aspectos mais importantes que serão trabalhados no treino seguinte ou apenas garantir alguns momentos de boa disposição e alegria.