João Matos escolhe o mais importante dos 44 troféus: «Ser campeão do mundo é uma frase que ainda hoje me custa a dizer em voz alta»
Excertos da obra 'Capitão João Matos | Liderar, Vencer e Inspirar’ em pré-publicação exclusiva
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O livro ‘Capitão João Matos | Liderar, Vencer e Inspirar’, obra escrita por Tiago Guadalupe, com a chancela ‘Portugal Legends’, no âmbito de um projeto desenvolvido pela editora ‘21Books powered by whynote.pt’, em parceria oficial com a Decathlon e a União das Freguesias de Carnaxide e Queijas conta a carreira do ex-jogador de futsal, figura do Sporting e da Seleção. Record revela excertos em pré-publicação exclusiva - o livro estará disponível para o público em geral a partir de 9 de outubro - como, por exemplo, o título mais importante de uma carreira com 44 troféus, 40 pelo Sporting e quatro por Portugal.
"Há títulos que marcam uma época. Há títulos que marcam uma geração. E há títulos que marcam uma vida. O Mundial de 2021 foi isso para mim. Ser campeão do mundo é uma frase que ainda hoje me custa a dizer em voz alta. Porque tem um peso enorme. É perceber que, naquele momento, não havia ninguém melhor do que nós no planeta. Não é arrogância. É respeito pelo trabalho feito. Mas aquilo que senti foi muito mais profundo do que a dimensão do troféu. Foi uma conquista construída num dos contextos mais exigentes que já vivi. Estávamos ainda em plena pandemia. Testes constantes. Restrições. Incerteza. Um estágio longo, fechado, intenso. Lembro -me de treinos em Viseu absolutamente duros quer a nível físico quer a nível mental. A exigência era brutal. Não havia margem para facilitar. Cada detalhe era tratado com rigor máximo. E no meio disso tudo havia uma consciência silenciosa: esta pode ser a nossa oportunidade. Não sabíamos se voltaria a existir outra igual. O caminho até à final foi tudo menos tranquilo. Jogos decididos nos detalhes. Prolongamentos. Penáltis. Emoções no limite. A saída do Edu antes da competição foi um momento duro, daqueles que abalam um grupo. Mas em vez de nos dividir, uniu -nos ainda mais. Cada obstáculo reforçava a nossa convicção. Quando ganhámos a final, houve um segundo, um segundo muito específico, em que tudo parou dentro de mim. O apito final. O olhar para os meus colegas. A noção de que tínhamos conseguido. Não gritei logo. Não corri logo. Primeiro senti. Foi uma descarga impossível de explicar. Uma mistura de orgulho, alívio, felicidade e… paz. Paz por saber que todo o percurso - as derrotas antigas, os quase, as críticas, os momentos de dúvida - tinham valido a pena".