Pisko está "habituada a superar dificuldades" e encara a pandemia como "um desafio"

Ala de 31 anos do Santa Luzia trabalha numa clínica como técnica de radiologia

Daniela Ferreira, conhecida por Pisko no mundo do futsal, representa o Santa Luzia mas devido à paragem das competições nacionais tem dedicado as últimas semanas à profissão de técnica de radiologia que exerce numa clínica do norte do país e contou ao site da FPF como tem sido a sua rotina durante a pandemia e antevês que o mês de maio "vai ser mais agitado que o anterior". "É sair de casa, chegar à clínica, desinfetar tudo, vestir a bata, a viseira, todo o material de proteção", afirma a ala que completou 31 anos na segunda-feira.

Apesar de seguir à risca o protocolo de proteção, a internacional portuguesa que se sagrou vice-campeã europeia de futsal feminino em fevereiro de 2019 admite que há um "grande" risco de contágio. "A clínica está organizada para atender sobretudo doentes sem sintomatologia do novo coronavírus mas é possível atender alguém assintomático que possa ter desenvolvido a infeção. Cada paciente é um risco potencial. Ainda assim, o risco não se compara ao de outros circuitos de saúde", explica Pisko, contando ainda que já atendeu um doente "cujo resultado do exame o tornou suspeito de infeção".

"Temos acordos com hospitais muito concorridos [do Grande Porto] e alguns estão em risco de esgotarem a sua capacidade. Esses hospitais reencaminham para nós os pacientes não associados à Covid-19 que precisam de fazer exames. Estamos numa espécie de segunda linha da doença", acrescenta.

A jogadora encara a situação como "um desafio" e diz que "não vale a pena dramatizar a situação"."Estou habituada a superar dificuldades na vida e a conciliar mil coisas. Ainda há pouco tempo, tinha a pressão de ganhar jogos aos fins de semana, arranjar tempo para os compromissos da Seleção e ainda trabalhar todas as semanas na clínica", sustenta.

'Colega' do Benfica tem dado ajuda

Inês Fernandes, capitã do Benfica e companheira de Pisko na Seleção nacional, é médica num hospital em Lisboa e tem dado vários conselhos à atleta do Santa Luzia. "Dureza é o que ela vive diariamente. Está mesmo na primeira linha, a bater o pé sem parar à doença. Como trabalha nos cuidados intensivos, vive a pandemia com intensidade e tem uma visão pormenorizada das coisas. Tenho falado muito com ela e confesso que me ajuda a perceber melhor este mundo novo", revela.

A afirmação do primo Vítor Ferreira 

Pisko é prima de Vítor Ferreira, jogador do FC Porto e internacional sub-21 português. E a atleta do Santa Luzia não esconde a felicidade pela recente evolução e afirmação do jovem médio. "Fico muito feliz por vê-lo realizar os seus sonhos. Queria ser profissional de futebol desde pequenino. Tem muita qualidade e é um jogador muitíssimo inteligente. Antes de se magoar, estava a somar minutos preciosos na equipa principal do FC Porto. Quando o futebol voltar, tenho a certeza que vai 'explodir'", sublinha a jogadora.

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