Quebrar preconceito com vitória no Euro

Futsal para diabéticos

• Foto: David Martins

Mostrar que ser diabético não é impeditivo de qualquer atividade física e conquistar o ‘caneco’ são os grandes objetivos da equipa que vai representar Portugal no DiabEuro, na Bósnia-Herzegovina. A prova arranca hoje e estarão em campo 16 seleções, que têm a particularidade de serem constituídas por atletas que têm diabetes. Depois de ter alcançado o 2º lugar na estreia (2013), um 4º lugar em 2014 e o 7º em 2015, a formação nacional parte com a ambição de vencer a prova pela primeira vez.

Vítor Sengo Perry orienta este conjunto há seis meses e não poupa elogios aos atletas, tanto aos dez que vão a Sarajevo como aos restantes. Como Rita, a qual é muito elogiada mas que não pode participar por ser mulher. "As expectativas são ser campeão, sei a equipa que tenho", refere o técnico, de 47 anos.

Quando foi convidado para o cargo, reconhece que não sabia bem o que o esperava. "Tinha a ideia de que tinha de ter alguns cuidados, mas o enfermeiro Manuel Cardoso explicou que podem treinar-se normalmente. A alguns custou, porque não faziam nada", admite o treinador, que não poupa os atletas em cada treino, nem aqueles que faziam centenas de quilómetros para ao domingo se treinarem no Seixal.

São estes mitos que pretendem erradicar. A manager, Jenifer Duarte, conhece bem os riscos que alguns preconceitos podem ter. Com diabetes tipo 1 desde adolescente, e membro da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP), confidenciou que é nos mais jovens que isso se reflete. "Há professores que colocam os miúdos à parte, por receio", assume.

Mostrar valor

Manuel Gonçalves, da APDP (Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal), faz parte da organização. "Começámos pelo futebol por ser uma modalidade de que muita gente gosta", explica, confidenciando que a ideia inicial era juntar os jovens que no verão se encontravam na colónia de férias promovida pela AJDP e APDP.

"Em 2013 ouvimos falar do DiabEuro e decidimos inscrever-nos", conta, admitindo que têm surgido mais praticantes.

"Queremos mostrar que a atividade física ajuda a controlar o metabolismo. Não somos inferiores em nada", remata, lamentando que a doença sirva de desculpa para o sedentarismo.

Enfermeiro pouco preocupado

Manuel Cardoso é o enfermeiro da equipa portuguesa. Apesar de não ter a doença, trabalha há 25 anos nas colónias de férias, conhecendo-a muito bem. "Aqui muitos são atletas federados e têm imensos cuidados, nomeadamente com a alimentação. Aliás, como qualquer praticante", revela.

A principal preocupação tem a ver com o controlo dos níveis de glicemia, que é feito antes, durante e após a atividade física. "Têm de regular a insulina consoante o esforço. Neste caso há jogos todos os dias, há esforço físico e de adrenalina, mas eles gerem isso, conhecem-se bem. Depois há as lesões inerentes a todos os desportos", explica.

Manuel Cardoso explica que a maior preocupação é evitar a hipoglicémia. "Têm os sintomas de toda a gente, só que mais rápido", reforça, sendo por isso que há sempre um pacotinho de açúcar à mão. "Só não joga quem não quer. Os outros atletas treinam a parte física e técnica, estes também trabalham o controlo da diabetes", conclui.

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