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José Fontelas Gomes, vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, não vê benefício em colocar os árbitros a explicar publicamente as suas decisões nos jogos. Num dos painéis do Portugal Football Summit, que decorre nos próximos três dias na Cidade do Futebol, o antigo líder do Conselho de Arbitragem considerou que tal situação apenas criaria ainda mais ruído.
"Os árbitros estão preparados para isso, ao longo destes anos preparam-se. Já explicam algumas decisões quando revertem decisões. Mas, neste momento não creio que seja ainda o caminho a tomar. Se houver um clima positivo, e nas horas seguintes, tudo o que o árbitro disse não seja tomado de forma negativa, será positivo explicar, principalmente as situações mais controversas", explicou.
"Espanha divulga [as nomeações] a 24 horas do jogo, por alguma razão é, e como somos latinos, com esta paixão pelo jogo, por vezes não permite fazer ações deste género pois vai criar ruído e os árbitros precisam de tranquilidade. Quanto mais tiverem, melhor. Se explicar uma decisão torna essa explicação num momento controverso e trouxer mais ruído à volta da decisão, não tem benefício nenhum", frisou.
Fontelas Gomes deu ainda conta da importância de formar o público, de forma a ter uma mente mais aberta: “A arbitragem tem feito muitas vezes, ou pelo menos tentado, fazer esse papel. A verdade é que tudo aquilo que a arbitragem faz para o exterior, para o que é público, é por vezes tomado de forma negativa. E a arbitragem acaba por ter de fechar-se outra vez."
"Apesar dessa tentativa de pedagogia, de dar mais conhecimento ao que se faz na arbitragem, a arbitragem volta a fechar-se, não que o queira, mas é uma questão de proteção do ruído à volta porque qualquer atividade que esteja permanentemente sobre ruído, sobre crítica, não tem tranquilidade e a arbitragem precisa dessa tranquilidade", atirou.
Profissionalização da arbitragem
Um dos temas abordados foi também a profissionalização da arbitragem, que Fontelas Gomes espera ver no futuro: “Esse é um dos projetos que tanto a Federação Portuguesa de Futebol como o Conselho de Arbitragem têm em andamento. A ideia efetivamente é criar uma entidade externa que gira a arbitragem e traga de uma vez por todas a verdadeira personificação da arbitragem.
"Está em andamento, a ser trabalhado com vários intervenientes nomeadamente APAF, Liga e associações distritais. A ideia que a Federação Portuguesa de Futebol tem é que isto seja conseguido o mais rapidamente possível e traga essa profissionalização no seu todo e verdadeiramente forte ao setor da arbitragem", revelou o dirigente.
"E aí sim vem uma carreira, estar a trabalhar e só pensar em arbitragem, ter a sua solidez na profissão, que será regulamentada. Hoje já existe muito apoio em fisioterapia, com médicos, treinadores e preparadores físicos à volta da arbitragem. Agora, há que criar uma equipa que efetivamente só pense em arbitragem, com um preparador físico que não vá exercer outra atividade e esteja permanentemente com eles, uma equipa de recuperação permanente para recuperar árbitros."
"Os João Pinheiros, os Luís Godinhos que têm jogos internacionais e passados dois dias vêm ter jogos cá e precisam de recuperar. Penso que esta entidade será obviamente o futuro da arbitragem e que de uma vez por todas os árbitros sejam profissionais, é esse o empenho da FPF, do CA, e o que estamos a fazer será muito benéfico para a arbitragem", terminou.