Reinaldo Teixeira detalha processo de centralização dos direitos e fala em "três passos importantes até 2027"
Presidente da Liga abordou, entre vários temas, a venda do modelo e possíveis interessados
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Reinaldo Teixeira, presidente da Liga, abordou vários assuntos do futebol português num painel do 'Portugall Football Summit' que analisou o estado atual do organismo e ainda do desporto rei nacional. Desde logo, o líder da Liga Portugal começou por abordar a questão em torno da centralização dos direitos televisivos, um caso que até deu que falar mais recentemente fruto de um pedido do Benfica para que os respetivos sócios assinassem uma petição contra a centralização.
"Temos o dossiê da centralização [dos direitos de TV]. Foi aprovado com um voto contra de uma SAD e uma abstenção de outra SAD. É um dossiê tão desafiante e marcante. Fez-se de forma ordeira, sem ruído, o que a nós nos honra. Sobre a centralização, compete-nos dar três passos importantes: primeiro a produção, depois direitos domésticos e depois direitos internacionais. Queremos que esta realidade, no máximo, fique concluída até 2027", começou por assumir o presidente da Liga, antes de pormenorizar os passos a dar.
"O primeiro passo é o leilão da produção. Conversamos com vários operadores e prevemos que seja vendido até no máximo início de janeiro. Entre janeiro e março temos a venda dos direitos domésticos. Iremos depois iniciar a venda dos internacionais. A correr bem, fechamos até ao final do ano, não correndo tão bem janeiro de 2027", detalhou.
Tivemos mais de 4,5 milhões de adeptos no ano passado e mais de 40 milhões de telespectadores. Bateu-se o recorde da Liga MeuSuper e na Liga Betclic. São números bonitos
Reinaldo Teixeira
Presidente da Liga Portugal
Além disso, Reinaldo Teixeira comparou a situação em Portugal com a que se viveu noutros campeonatos do velho continente. "Este regulamento foi aprovado pelas SAD, FPF e Liga. O grande dossiê é a centralização. Focamos muito na parte menos positiva, mas sentimos que, quanto mais falamos, há reconhecimento pela qualidade das nossas competições. Falamos de interesse de Sport TV, TVI e é verdade também para operadores internacionais. Acreditamos que vamos ter um final feliz. Estou crente de que todos vão receber mais. Noutras Ligas foram precisas dezenas de anos para atingir este equilíbrio, mas temos feito o trabalho de casa e construindo um caminho conjunto. O mais importante agora é vender bem. Não há casa nenhuma em que não se goste de futebol", sublinhou.
Recorde-se que, a respeito da centralização dos direitos televisivos, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) garantiu ainda em agosto passado que continuará a cumprir o decreto-lei que determina a centralização dos direitos a partir de 2028/29, isto mesmo após o Benfica ter submetido ao parlamento uma petição para o suspender.
A centralização dos direitos televisivos no futebol português prevê que os clubes da 1.ª e 2.ª Ligas passem a vender os direitos audiovisuais em conjunto, em vez de negociarem individualmente, a partir da época 2028/29. Em junho passado, as SAD aprovaram por maioria o modelo de comercialização dos direitos audiovisuais, numa Assembleia Geral, com voto contra do Benfica e uma abstenção. A proposta da Liga para a distribuição dos valores decorrentes da venda centralizada direitos audiovisuais, a partir de 2028/29, vai atribuir 90% ao escalão principal e o remanescente (10%) aos conjuntos do segundo escalão.
Os números da Liga
Destacando o trabalho realizado pelas várias SAD que compõem o futebol profissional, Reinaldo Teixeira apontou ainda alguns números relacionados com a evolução da Liga nas últimas épocas. "Temos as sociedades desportivas cada vez mais profissionais e com um sentido de missão. Aponto o compromisso das sociedades desportivas em valorizar o futebol fora das quatro linhas e como têm contribuído para isso. Tenho uma equipa na Liga muito focada em fazer bem e sempre melhor. Por exemplo, no caso da Fundação [do Futebol], ficou sem ninguém, mas não foi impeditivo. Faço um balanço positivo", começou por destacar, antes de completar.
Tudo o que é ruído não ajuda. Se olharmos ao rendimento dos agentes desportivos em campo, vemos que quem menos falha são os árbitros
"Tivemos mais de 4,5 milhões de adeptos no ano passado e mais de 40 milhões de telespetadores. Bateu-se o recorde da Liga MeuSuper e na Liga Betclic. São números bonitos, gratificantes e que mostram que os nossos adeptos gostam de futebol e querem futebol. As ocorrências negativas em estádios baixaram quase 40% e temos indicação de que baixará ainda mais. É um esforço feito com todos e com forças de segurança", considerou, dando uma perceção sobre os números que dizem respeito à segurança no estádios: "As SAD têm investimento que rondam quase os 20 milhões de euros em segurança. Temos de ter cada vez mais adeptos, telespectadores e segurança."
Finta à arbitragem
Confrontado ainda com a questão em torno das polémicas sobre a arbitragem nos últimos meses, Reinaldo Teixeira foi claro, mas não quis analisar a fundo o tema. "Temos mais tempo útil de jogo. Tudo o que é ruído não ajuda. Se olharmos ao rendimento dos 26 agentes desportivos em campo, vemos que quem menos falha são os árbitros. Tenho confiança na arbitragem, conversámos com o presidente da FPF e APAF e pedimos que tudo se clarifique. Pedimos que haja tranquilidade, paz e que se deixe trabalhar. Queremos paz total. Se alguém tiver de ser penalizado, que seja. Mas se alguém cria ruído injustificado, também deve ser penalizado", frisou o presidente da Liga.
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