Francisco Neto indica caminho às jovens jogadoras no Dia da Liga BPI

Selecionador explicou que o percurso rumo à Seleção pode ser feito de diferentes formas, num evento que contou com Diana Silva, Madalena Marau e Mariana Campino

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Numa altura em que o futebol feminino evolui a passos largos em Portugal, o futuro já está a ser preparado. Cerca de quatro dezenas de jogadoras sub-15 e sub-17, capitãs de várias seleções distritais, estiveram na Cidade do Futebol para o Dia da Liga BPI, que teve a presença do selecionador nacional Francisco Neto, Diana Silva (Sporting), Madalena Marau (Sp. Braga) e Mariana Campino (Racing Power).

No cargo há 10 anos, o técnico explicou que as jogadoras podem ter de percorrer caminhos diferentes até chegarem à equipa das quinas, dando como exemplos algumas internacionais atuais. E nem todas têm de ter um percurso quase 'perfeito' como Andreia Jacinto... "No tempo da Ana Borges, só havia sub-19 e Seleção A. Era difícil ter sucesso, mas não foi isso que a impediu de ser a jogadora com mais internacionalizações", afirmou sobre a capitã do Sporting, natural de Gouveia.

E há quem nem sequer tenha sido chamada às seleções, como Lúcia Alves, do Benfica. "Não foi à seleção distrital nem à nacional e neste momento é titular", vincou, lembrando que a sportinguista Diana Silva conseguiu conciliar o futebol com a licenciatura em farmácia.

Neto deu também um exemplo masculino: o de José Fonte, central do Sp. Braga. "Apenas vai à Seleção depois dos 30 anos e foi campeão europeu! Todos os trajetos são possíveis", sublinhou.

Destaca solidariedade de Jéssica Silva

Francisco Neto deixou também alguns elogios às suas jogadoras, principalmente a Jéssica Silva, convocada para os próximos jogos da Liga das Nações e ausente nos últimos compromissos do Benfica. "A Jéssica Silva adora jogar a extremo, mas na Seleção não temos extremos, jogamos em 4x4x2 ou 3x5x2. Jogamos com duas avançadas e ela é uma delas. Se perguntar à Jéssica, sei que quer jogar a extremo, mas ela percebe que para o bem do grupo, precisamos de jogar com duas avançados e ela abdica disso pelo bem da equipa. São estas características que procuramos numa jogadora, mais preocupada com o grupo do que com ela própria", afirmou, frisando que as capitãs Dolores Silva e Ana Borges "lideram pelo exemplo" e "trabalham até ao limite".

Ainda aquela bola ao poste...

Uma das jogadoras mais internacionais, Diana Silva recordou a ansiedade que sentiu antes do Mundial e aquela bola ao poste de Ana Capeta frente aos Estados Unidos, que impediu as navegadoras de passarem aos oitavos de final. "Por um bocadinho não passámos e não fizemos história mais uma vez. Mas tanto eu como o grupo ficámos muito felizes com o que conseguimos no Mundial. Pusemos toda a gente a acreditar connosco e saímos orgulhosas na mesma, quer a bola tenha entrado ou não", atirou. "Qual foi a reação da Capeta? Não posso dizer aqui [risos]... É uma frustração normal, mas temos de saber lidar e vamos ter mais oportunidades."

Lesões e saúde mental em foco

Madalena Marau e Mariana Campino falaram de diversos temas, com destaque para as graves lesões que ambas sofreram, além da saúde mental. "A lesão fere-nos psicologicamente, mas tento vê-la como algo positivo e sinto que amadureci muito. Se havia alguém que nem sempre acreditava em mim mesma era eu e agora sinto que sou capaz de superar qualquer coisa", considerou Mariana Campino. "Estou no Sp. Braga e é a primeira equipa em que há uma psicóloga que me acompanha. Só este ano é que comecei a dar importância a isso. Não podemos ter medo de admitir que precisamos de conversar com alguém", frisou Madalena Marau.

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