Scolari costumava dizer que não se importava de ganhar os jogos por ‘meio a zero’, mas quem parece levar a afirmação do brasileiro à letra é Fernando Santos. Em 2015, a Seleção Nacional conseguiu a qualificação para o Europeu de França com cinco triunfos pela margem mínima. Os críticos do atual selecionador nacional gostam de lhe apontar o dedo à pouca produção ofensiva das suas equipas, mas a verdade é que a filosofia de Fernando Santos permitiu-lhe estabelecer um recorde de sete vitórias consecutivas em jogos oficiais (série iniciada ainda em 2014), o primeiro lugar do grupo e a presença no Europeu de 2016.
Já enquanto esteve à frente da seleção da Grécia, Fernando Santos apostara forte na segurança coletiva, mesmo sacrificando a espetacularidade do futebol praticado. Por isso, 18 das 26 vitórias registadas foram pela margem mínima. No ano que agora acaba, seis das sete vitórias de Portugal foram também por apenas um golo de vantagem.
O equilíbrio encontrado entre o futebol prático, eficaz e sem altos e baixos, acabou por ser o segredo de Portugal. A opção foi clara: dispensar o supérfluo e apostar tudo no estritamente necessário. É verdade que por vezes se perdeu na beleza do jogo, no sufoco do adversário, no deleite dos espectadores, mas a Seleção Nacional foi sempre e acima de tudo uma equipa quase sem pontos fracos e capaz de se impor mesmo quando os nomes principais faltavam.
Capitão ímpar
Assim se percebe que Cristiano Ronaldo tenha sido, no somatório dos dez jogos disputados , apenas o sétimo jogador mais utilizado (427 minutos, contra os 662 de Nani, primeiro nesta tabela que pode consultar nas págs. 12 e 13), ou que considerando apenas os cinco jogos oficiais os nove golos tenham sido distribuídos por seis jogadores. Aqui sim, o capitão voltou a puxar dos galões, tendo feito os três golos na decisiva vitória em Erevan diante da Arménia, o único jogo em que Portugal fez mais de dois golos. Foi, por isso, o triunfo do calculismo e pragmatismo que Fernando Santos impôs à Seleção Nacional e que lhe abriu as portas do Europeu de França.