«Acabei por não ir treinar a seleção do Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março»
Na apresentação, disse que se preparou a vida toda para ser selecionador. Como é que se faz essa preparação?
"Toda a gente diz que o selecionador não é igual [ao treinador de um clube] e tem mais tempo para fazer outras coisas. Mas não vai ser tanto assim. Acho que o selecionador, não trabalhando diariamente com os jogadores, tem sempre muito em que trabalhar com a sua equipa técnica. Criando ideias... E é exatamente isso que tenho tentado fazer ao longo destes últimos dois anos, a partir do momento em que fui para a Arábia Saudita. Quando fui para lá, ia para treinar a seleção, não ia treinar o Al Hilal. E as coisas estavam quase definidas, mas depois o team manager do Al Hilal, que já tinha trabalhado comigo na minha primeira passagem, convidou-me. E eu fiquei um bocadinho a abanar... E a partir desse dia comecei a preparar-me. Depois tive a hipótese de treinar a seleção do Brasil e comecei a pensar que tinha mesmo de treinar uma seleção. E a Seleção portuguesa foi... a cereja em cima do bolo".
O que faltou à seleção brasileira no Mundial? E o que teria sido diferente com Jorge Jesus?
"Eu digo que Portugal é o Brasil da Europa... Muita qualidade individual, mas depois quando chegam os Mundiais... O Brasil não é campeão há 22 anos. Eles dizem 'ah, mas somos o país com mais títulos'. É verdade. É o passado, há 22 anos que não ganham. E têm sempre grandes jogadores. Mas depois não conseguem fazer uma grande seleção".
E o que é que Jorge Jesus teria feito?
"Posso confessar aqui... Acabei por não ir treinar a seleção do Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março, depois de terem perdido 4-1 com a Argentina. O que teria feito? O jogador brasileiro nasceu para jogar, até no campeonato do Brasil há muita qualidade. Fazia uma convocatória diferente daquela do Ancelotti? Claro que num ou outro jogador sim. Acho que, neste momento, o melhor ponta-de-lança do futebol brasileiro é o Pedro. Talvez seja um bocadinho tendencioso por ter sido meu jogador no Flamengo. Mas acho que, na maioria, concordava com o que ele [Ancelotti] fez. Mas depois no cunho pessoal, na forma de olhar para o jogo, de treinar. Essas é que são as diferenças. As formas de cada treinador olhar para o jogo e colocar as suas ideias... E volto a dizer que isso envolve muita coisa. É atacar, é defender, é a estratégia... É muita coisa. O processo é que faz a diferença".