Ontem

"Duas ou três" novidades na 1.ª convocatória, ideias para o meio-campo e os estatutos dos jogadores: o que disse Jorge Jesus

Novo selecionador nacional falou ao Canal 11 sobre a nova etapa

21:57 20.07.2026

«Hoje sou muito mais tolerante e pensador em relação a determinados momentos que possam envolver treinador e jogador»

Fernando Santos também trabalhou em três dos quatro grandes em Portugal. Isso ajuda no relacionamento com esses clubes? 

"Ajuda. E acho que essa é a minha grande vantagem. De começar a trabalhar com jogadores que, apesar de alguns deles não trabalharem comigo há muito, conhecem a minha personalidade. Mas os anos vão-nos moldando. Não sou o mesmo Jorge Jesus que era com 40 anos. Hoje sou muito mais tolerante e pensador em relação a determinados momentos que possam envolver treinador e jogador. É normal acontecer isso. Até colegas com colegas. Vocês às vezes ficam muito admirados, mas isso acontece muitas vezes". 

Ficou alguma coisa por dizer? 

"Há sempre muita coisa por dizer quando se está a falar de futebol". 

Fim da entrevista

21:55 20.07.2026

«Tento sempre escolher os melhores para a equipa. Mas o jogador não percebe e nunca vai aceitar isso»

Alguns jogadores poderão ter uma nova esperança? E os que já eram chamados, podem ter algum receio? O que diria a uns e a outros? 

"Como treinador, se houver algum problema que possa ter com um jogador mas sentir que é um jogador fundamental e importante, para mim o mais importante é a equipa. Não abdico de nenhum jogador por isso. E ao contrário também. Porque há jogadores que podem pensar 'ah, ele é selecionador e já não me vai querer convocar por isto ou aquilo'. Felizmente, não tenho na minha carreira problemas dessa ordem, mas qualquer treinador tem e, com o passar dos anos, é preciso 'bater' com suscetibilidades, interesses diferenciados. E temos de ter opiniões diferentes. Mas isso faz parte. Falo do meu caso: tento sempre escolher os melhores para a equipa. Mas o jogador não percebe e nunca vai aceitar isso. O treinador vê de maneira diferente. Eles só vão perceber no dia em que forem treinadores. E aí dizem 'agora é que percebo como é que os treinadores pensavam'". 

21:53 20.07.2026

«Acabei por não ir treinar a seleção do Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março»

Na apresentação, disse que se preparou a vida toda para ser selecionador. Como é que se faz essa preparação? 

"Toda a gente diz que o selecionador não é igual [ao treinador de um clube] e tem mais tempo para fazer outras coisas. Mas não vai ser tanto assim. Acho que o selecionador, não trabalhando diariamente com os jogadores, tem sempre muito em que trabalhar com a sua equipa técnica. Criando ideias... E é exatamente isso que tenho tentado fazer ao longo destes últimos dois anos, a partir do momento em que fui para a Arábia Saudita. Quando fui para lá, ia para treinar a seleção, não ia treinar o Al Hilal. E as coisas estavam quase definidas, mas depois o team manager do Al Hilal, que já tinha trabalhado comigo na minha primeira passagem, convidou-me. E eu fiquei um bocadinho a abanar... E a partir desse dia comecei a preparar-me. Depois tive a hipótese de treinar a seleção do Brasil e comecei a pensar que tinha mesmo de treinar uma seleção. E a Seleção portuguesa foi... a cereja em cima do bolo". 

O que faltou à seleção brasileira no Mundial? E o que teria sido diferente com Jorge Jesus? 

"Eu digo que Portugal é o Brasil da Europa... Muita qualidade individual, mas depois quando chegam os Mundiais... O Brasil não é campeão há 22 anos. Eles dizem 'ah, mas somos o país com mais títulos'. É verdade. É o passado, há 22 anos que não ganham. E têm sempre grandes jogadores. Mas depois não conseguem fazer uma grande seleção". 

E o que é que Jorge Jesus teria feito? 

"Posso confessar aqui... Acabei por não ir treinar a seleção do Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março, depois de terem perdido 4-1 com a Argentina. O que teria feito? O jogador brasileiro nasceu para jogar, até no campeonato do Brasil há muita qualidade. Fazia uma convocatória diferente daquela do Ancelotti? Claro que num ou outro jogador sim. Acho que, neste momento, o melhor ponta-de-lança do futebol brasileiro é o Pedro. Talvez seja um bocadinho tendencioso por ter sido meu jogador no Flamengo. Mas acho que, na maioria, concordava com o que ele [Ancelotti] fez. Mas depois no cunho pessoal, na forma de olhar para o jogo, de treinar. Essas é que são as diferenças. As formas de cada treinador olhar para o jogo e colocar as suas ideias... E volto a dizer que isso envolve muita coisa. É atacar, é defender, é a estratégia... É muita coisa. O processo é que faz a diferença". 

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21:48 20.07.2026

«Cinco substituições? Quando posso, faço. E quando tens um grupo com qualidade, ainda é mais fácil»

O aparecimento da 5.ª substituição mudou alguma coisa no seu trabalho? 

"Mudou. Quando lanças cinco jogadores, é metade da equipa. Não contando o guarda-redes. E podes não só substituir o jogador por não estar a render taticamente, mas também por estar lesionado, por quereres mudar a estratégia do que está a acontecer. Tens cinco jogadores para o fazer. Tanto defensivamente como ofensivamente. E é uma defesa do treinador, poder gerir o grupo. São cinco que também jogam. É verdade que há treinadores que não gostam muito de fazer todas as substituções. Por exemplo, o Pep [Guardiola] não gosta. Mas cada jogo tem a sua história. E eu, quando posso fazer, faço. E quando tens um grupo com qualidade, ainda é mais fácil. Mas quando o grupo é reduzido, fazes uma ou duas e pensas 'não posso fazer mais porque depois a diferença vai ser muito grande'. Mas ajuda". 

21:47 20.07.2026

«Time-outs no Mundial? Nesse espaço podes mudar se souberes trabalhar a equipa e os jogadores»

Aos 71 anos, ainda se fica nervoso com um desafio desta dimensão? 

"Fico nervoso com os jogos. O nervoso miudinho. Mas isso faz parte da minha formação como jogador. Como jogadores já somos assim. Durante os jogos estou mais ou menos tenso, também conforme aquilo que vou vendo a equipa a jogar e se é dentro daquilo que treina. E se vejo que não está a fazer o que treinamos, fico mais interventivo. Mas nervoso... Vou estar sempre. No dia em que não ficar nervoso, há alguma coisa que está mal. Será sinal que a minha paixão e amor ao jogo não estão iguais e aí de certeza que já não serei treinador". 

O mister sempre foi muito estudado em Portugal e até lá fora. Depois de todo este tempo, ainda há margem para surpreender? 

"O futebol está sempre a evoluir. Quem pensa que o futebol estagnou, que não há nada para aprender, engana-se. No futebol não há direitos de autor. Se houvesse, era muito complicado para alguns treinadores. Há treinadores criadores e outros que copiam, não é? Não sei se no Europeu vai acontecer a mesma coisa, mas o facto de o Mundial ter dois time-outs... Na 1.ª parte tem um, na 2.ª parte tem outro. Tem o intervalo, e depois três partes do jogo partidas. Vocês às vezes dizem 'ah, o jogo está partido'. O jogo não se parte, as equipas é que se partem. Nas outras modalidades coletivas também há time-outs. Entras com uma ideia e um sistema, e nesse espaço podes mudar se souberes trabalhar a equipa e os jogadores. Partir para outra ideia, estratégia. E isso vai permitir às equipas fazerem isso. E os treinadores que perceberem isso, vão ter vantagem". 

21:44 20.07.2026

«Quero encontrar alguém que tenha sido jogador da Seleção, que possa fazer parte da minha equipa técnica»

Gostaria de ter uma referência da Seleção na sua equipa técnica? Uma referência no balneário? 

"Em todas as equipas onde trabalhei, mesmo no estrangeiro, quis sempre que um elemento da minha equipa técnica fosse um antigo jogador. Caso do Luisão no Benfica, no Al Hilal também fui buscar, no Fenerbahçe... Faço isso em todas as equipas onde estou. E na Seleção a ideia é essa, encontrar alguém que tenha sido jogador da Seleção, que possa fazer parte da minha equipa técnica. Dentro das ideias que vai, entre aspas, aprender, porque as ideias são minhas, e que depois seja importante. Não vou buscar um elemento destes para estar ao pé de mim e ir meter os pinos e marcar o campo. Nada disso. É para fazer parte do trabalho". 

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21:42 20.07.2026

«A minha preocupação é tentar colocar a equipa a jogar ao nível que eu acho que os jogadores têm»

Chegou a dizer que os treinadores saem, muitas vezes, desprestigiados das seleções. Nesta entrevista, já falou na importância de ser bom defensivamente. Está preparado para entrar nesse diálogo, para enfrentar críticas? 

"Quando falo em ser bom defensivamente, tem a ver com a ideia de jogo. Uma coisa é ser defensivo com muita gente. Ter qualidade defensiva porque temos muitos. Mas o difícil é saber defender com poucos. E a partir dessa ideia, tens a equipa muito mais preparada e posicionada para que seja, também, forte ofensivamente". 

Tem alguma preocupação que possa partilhar connosco ao assumir um cargo desta dimensão? 

"Acredito na qualidade dos jogadores e na minha como treinador. A minha preocupação é tentar colocar a equipa a jogar ao nível que eu acho que os jogadores têm. Talvez isso esteja a preocupar. Mas se tenho dúvidas que vou conseguir? Não. Tenho mais certezas do que dúvidas. Mas dúvidas temos sempre, como é óbvio. Quando trabalhas com excesso de qualidade, ainda pode originar mais dúvidas...". 

21:40 20.07.2026

«Penso falar com os treinadores dos clubes»

Toda a experiência que tem permite-lhe ter uma abordagem diferente com os jogadores e com os clubes? 

"Sim, com os clubes acho que sim. Todos os clubes que me deram a oportunidade e fizeram de mim treinador devem estar orgulhosos de eu hoje ser selecionador português. Não vamos falar de Benfica, Sp. Braga, V. Guimarães, etc... Mas o Amora. As pessoas do Amora devem estar orgulhosas. 'O mister da Seleção até já treinou o Amora...'. Como disse e bem, treinei e joguei em várias equipas em Portugal. E acho que essa aproximação do povo ao selecionador é boa. Acho eu...". 

Pensa também falar com os presidentes e treinadores desses clubes? 

"Com os presidentes não, mas com os treinadores sim. Nos clubes onde treinei, muitas vezes os selecionadores vinham [falar comigo]. O [Roberto] Martínez, por exemplo, agora quando estava no Al Hilal. No Al Nassr também, mas não tanto. Mas foi à Arábia Saudita falar comigo. No Al Hilal mais por causa do Rúben Neves. Acho que ainda não tinha o Cancelo. E agora no Al Nassr por causa do João [Félix] e do Cristiano [Ronaldo]". 

21:38 20.07.2026

«Jogadores têm de ter estatutos diferentes. As regras são iguais, mas os colegas têm de saber que há jogadores que são diferentes»

Os jogadores devem ter todos o mesmo estatuto na Seleção? 

"Não penso só na Seleção, penso nos clubes. Os jogadores têm de ter estatutos diferentes. Têm de ter todos regras iguais, mas os colegas têm de saber que há jogadores que são diferentes. Diferentes pelo seu passado, pela importância que têm nas equipas. Mas as regras? Isso é igual para todos". 

E há margem para jogadores que não estejam a 100%? 

"Isso é subjetivo. Se não estiverem a 100%, não os posso convocar. Só os convoco e meto a jogar se estiverem a 100%. Numa seleção, como tens mais quantidade... Nos clubes faço isso, sabendo que um jogador não está a 100% em relação a outro... Mas se sei que os 100% de um são melhores do que os do outro, então é nele que confio. Numa seleção, neste caso Portugal, onde a qualidade é muito nivelada, tem a ver com o momento e com a forma do jogador". 

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21:36 20.07.2026

«Primeira convocatória? Dois ou três novos, algo assim... Mas não vai fugir muito disso»

Haverá sempre uma enorme expectativa para as convocatórias. Os portugueses podem esperar algo mais fixo ou algo que olhe mais ao momento dos jogadores? 

"Ao momento, sim. A próxima vai ser em setembro. O facto de termos ficado nos oitavos-de-final... 'Ah, o novo selecionador vai chegar e mudar estes jogadores'. Não, não vai ser. Não sou burro... Ainda por cima não há tanto tempo assim para mudar vários jogadores. E também não há assim um leque tão grande de jogadores neste momento. Ao longo dos quatro anos vão aparecer jogadores novos, não tenho dúvida nenhuma. Mas de um mês para o outro... Não vai fugir muito daqueles que foram convocados. Dois ou três novos, algo assim do género. Mas não vai fugir muito disso". 

21:35 20.07.2026

«Para seres melhor do que os outros, não basta só ter jogadores tecnicamente evoluídos ou o treinador ser bom taticamente»

Acabou por desvalorizar o peso dos egos na Seleção. Mas que caráter é que a Seleção deve ter? 

"É um caráter vencedor. É os jogadores partilharem isso uns com os outros e apresentarem-se competitivos. Para seres melhor do que os outros, não basta só ter jogadores tecnicamente evoluídos ou o treinador ser bom taticamente. Tens de ter caráter para que ela possa ser competitiva. É um momento do jogo muito importante. E isso só se consegue quando a equipa tem caráter, está unida e não coloca à frente dos interesses coletivos os interesses individuais". 

21:35 20.07.2026

«Liga das Nações? Calendarização este ano será diferente. Vamos fazer quatro ou cinco jogos seguidos. E isso ajuda-me»

Liga das Nações pode dar jeito para construir uma equipa? 

"O que é que me dá jeito? O facto de a calendarização este ano ser diferente. Vamos fazer quatro ou cinco jogos seguidos. E isso ajuda-me. Não é como normalmente acontecia, jogar um ou dois jogos, os jogadores voltavam aos campeonatos, e depois novamente às seleções. Agora há quatro ou cinco jogos consecutivos onde posso partilhar [informação] com eles. Agora dizem-me 'mas os jogos são de três em três dias'. Está bem, mas há jogadores que jogam, outros que não jogam. Vamos ter vários treinos para trabalhar e crescer para o futuro". 

Ainda o formato da Liga das Nações... 

"Para mim é melhor. Vou estar mais tempo com os jogadores, mais 15 dias a trabalhar. Quando os jogadores vinham da seleções, vinham com outras ideias. Outra forma de treinar, outra ideia de jogo, outra comunicação... E agora direi ao contrário. Estou na Seleção, quando eles vierem dos clubes e chegarem até mim, a ideia é a mesma mas não há repetição nem treino, é diferente. E o facto de termos estes 15 dias vai ser bom". 

Portugal vai defrontar País de Gales, Noruega e Dinamarca em sequência, estas duas últimas com grande dimensão física. Que solução há para ultrapassar estas equipas? 

"A Noruega eliminou o Brasil no Mundial, a Dinamarca tem vários jogadores que jogam nas melhores equipas da Europa. A Noruega o mesmo... E se calhar o melhor ponta-de-lança do mundo neste momento [Haaland]. São equipas que já conhecemos o valor que têm. A questão física? Também se coloca, mas para mim não é isso que me pode fazer pensar em relação à ideia de jogo da equipa. O futebol... Claro que a condição física tem influência em determinados momentos do jogo, mas a condição técnica e o conhecimento tático do jogo podem dar-nos vantagem muitas vezes". 

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21:29 20.07.2026

«O grande foco é o Mundial'2030 em Portugal»

E qual o objetivo que lhe foi pedido? 

"O grande foco é o Mundial'2030 em Portugal, também é o meu foco. Tenho um grande orgulho em treinar a seleção do meu país, mas também havia no horizonte o facto de, em 2030, o Mundial ser em Portugal. E sonhar com essa possibilidade. Temos todas as condições. E nas equipas onde trabalho, normalmente não tenho outra saída. Flamengo, Benfica, mesmo no Sporting... Os treinadores que estão nessas equipas não podem dizer 'vamos jogar para ser campeões'. Vamos jogar não. O clube exige que seja assim. E a Seleção exige o mesmo, que a ideia seja essa, sair vencedor. Depois se sais ou não sais, isso já é o jogo...". 

21:29 20.07.2026

«Se eu, como treinador, não meter a equipa a jogar mais, também não passo dos oitavos-de-final...»

Os selecionadores não se costumam sentir muito confortáveis quando os 'patrões' anunciam candidaturas a títulos. Como encara esta nova mentalidade? 

"Também tem a ver comigo. Passei um ano e meio fantástico no Brasil. Treinar a seleção do Brasil? Só se pode pensar em jogar para ganhar, para ser campeão do mundo... É assim que tens de pensar. Os jogadores dão-te indicação, e alguma garantia, que isso pode acontecer. E a nossa Seleção, uma vez que já ganhou o Europeu e tem, não diria os melhores jogadores do mundo, mas jogadores nas melhores equipas do mundo... E isso é outra coisa. Depois se são os melhores já é outra história. Mas que jogam nas melhores equipas do mundo e da Europa, isso é verdade. Isso dá-nos confiança para podermos acreditar que Portugal tem todas as condições para ganhar o Mundial, o Europeu... Chegámos aos oitavos-de-final e achámos todos que aquela equipa podia jogar mais. Se eu, como treinador, não meter a equipa a jogar mais, também não passo dos oitavos-de-final... Isso é um facto". 

21:27 20.07.2026

«Temos grandes jogadores, mas não ganhamos muita coisa...»

Acha que a equipa vai jogar o dobro por aquilo que vai trazer? 

"É a lógica. Se a Seleção não jogar mais do que jogou no Mundial, não vou fazer melhor... Temos que jogar mais. Se não jogarmos mais, continuamos todos aqui a alimentar um sonho. Há vários anos... Não foi só neste Mundial. Temos grandes jogadores, mas não ganhamos muita coisa. Já fomos campeões europeus, já é ganhar. Claro que já foi há 10 anos, mas... Já ganhámos a Liga das Nações, que é uma competição que todos achamos não ser a mais importante. Mas é a competição mais difícil, porque normalmente é onde chegam sempre as melhores equipas europeias. Portugal, Espanha, Alemanha e França no ano passado... Agora com a Argentina lá no meio [no Mundial]. E destas, três [Argentina, França e Espanha] estiveram nas meias-finais do Mundial". 

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21:25 20.07.2026

«As novas tecnologias dão-nos a possibilidade de treinar a equipa sem ser no campo»

Há uma frase sua, em 2014: "Um selecionador não treina, seleciona". Mudou de opinião? 

"Não mudei de opinião. O treinador é a mesma coisa, também é um selecionador do plantel. E a primeira qualidade que um selecionador pode ter é saber selecionar os melhores. Mas a tua primeira qualidade como treinador é saber escolher os 11 melhores. Isto vai dar tudo ao mesmo, sendo que num clube temos mais tempo de treino para poder ensinar. Há uma diferença entre o treinar e o saber ensinar. Há treinadores que treinam, outros que ensinam. E neste momento, as novas tecnologias dão-nos a possibilidade de treinar a equipa sem ser no campo". 

21:24 20.07.2026

«Meio-campo de Portugal tem potencial para ser o melhor e tendência para ser um dos melhores»

Falou de um meio-campo algo diferente e disse-nos que o meio-campo de Portugal não era o melhor do mundo. Mas há potencial para isso? 

"Tem potencial para ser o melhor e tendência para ser um dos melhores. Dizer que o meio-campo é melhor porque a qualidade individual está lá... Depois temos de transportar isso para a prática, provar que somos os melhores. Mas do Mundial, direi que a Espanha foi perfeita. Na Seleção Nacional há muita qualidade e quantidade para esses setores. Se jogares com três médios, o leque abre, mas jogar com dois... Um mais posicional, que nas minhas equipas é difícil não haver, e depois um segundo com caraterísticas mais ofensivas... O leque começa a reduzir para a quantidade e qualidade que tens de jogadores nessa posição". 

21:22 20.07.2026

«Espanha? Conceito de sistema tático é dentro do que penso que vai ser a Seleção portuguesa»

Que Seleção escolheria como destaque neste Mundial? Já falou da Espanha... 

"No França-Espanha vimos uma Espanha a defender muito bem, com uma estratégia bem definida. É verdade que houve jogadores da seleção espanhola que neste jogo subiram, caso do Rodri. Que foi o melhor jogador. E penso que a mudança do Pedri pelo Fabián Ruiz foi fundamental para que aquele meio-campo fosse melhor a defender e mais criativo a atacar. Isso, na minha opinião, fez a diferença no jogo. E partilhando a mesma ideia, o conceito de sistema tático é dentro do que penso que vai ser a Seleção portuguesa. Como normalmente são as minhas equipas. Mas os jogadores é que também me vão dizer o que vou ter de fazer. A ideia será sempre minha e partilhada com os jogadores, mas não vou ter uma ideia que veja que não serve para as caraterísticas dos jogadores". 

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21:21 20.07.2026

«Não ensino os jogadores a jogar, mas ensino os jogadores a ter as ideias da equipa na qual trabalho»

O que podemos esperar de uma Seleção com o cunho de Jorge Jesus? Ao que já nos habituou? Ou a algo diferente? 

"Diferente ao que era, como é óbvio. Tenho uma ideia diferente. Cada treinador tem as suas ideias. E o que é isso? Não há sistemas melhores ou piores, 4x3x3, 4x4x2, 3x5x2... Não há nenhum treinador que diga 'este meu sistema é o melhor'. Mas o futebol para mim é criatividade, não é uma ciência exata. Tem tudo muito a ver com a criatividade do jogador e do treinador. E o que passo aos jogadores é a ideia defensiva, como defender, e como atacar. São dois princípios que parecem fáceis, mas depois na prática... Saber ensinar... Não ensino os jogadores a jogar, mas ensino os jogadores a ter as ideias da equipa na qual trabalho. E isso é fundamental". 

21:19 20.07.2026

«Para conquistarmos títulos, temos de defender bem. Se não defendermos bem, vamos ganhando jogos, mas nunca títulos...»

Do que precisava Portugal neste Mundial para ser competitivo? 

"Eu direi qualquer equipa. É um princípio que eu defendo. A primeira qualidade de uma equipa é saber defender bem, não é saber atacar. Essa é a primeira qualidade. Estamos a falar do Campeonato do Mundo. França contra Espanha. Espanha ganhou porquê? Porque soube defender melhor. Soube parar aquela qualidade dos jogadores franceses. E esse é o primeiro princípio. Passo muito isto aos meus jogadores quando estou nas minhas equipas, neste caso na Seleção. Para conquistarmos títulos, temos de saber defender bem. Se não defendermos bem, vamos ganhando jogos, mas nunca ganhamos títulos". 

21:18 20.07.2026

«O preço [a pagar pelos jogadores] é deixarem de fazer o que gostam ou gostavam de fazer»

Na apresentação disse que, para ganhar, os jogadores terão de pagar o preço. Qual é o preço? 

"O preço é deixarem de fazer o que gostam ou gostavam de fazer. É exatamente isso. Há coisas que eles se calhar querem ou queriam fazer, mas em relação ao que favorece e ao que é determinante para a equipa, não podem. E portanto vão ter de pagar o preço. O preço é igual na Seleção e num clube. A forma de pensar dos jogadores é sempre a mesma. Depois uns ficam com mais ou menos azia, mas é o mesmo". 

E nessa conversa vai explicar esse conceito de sacrificar aos jogadores? 

"Não direi sacrificar. Direi que, para ganhares e teres uma equipa forte, precisas, para além da técnica e da tática, de ter uma equipa com caráter, unida, amiga. Uma equipa que perceba que não podem jogar todos ao mesmo tempo, mas que todos são importantes. 'Ah, mas uns são mais do que outros?'. É verdade, em todas as equipas acontece isso. Não há volta a dar". 

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21:16 20.07.2026

«Quando for a primeira convocatória, quero ter falado com a grande maioria dos jogadores»

Já começou a conversar com os jogadores? 

"Não. Acho que eles ainda devem estar de férias e, portanto, ainda não comecei. Quando for a primeira convocatória, neste caso o primeiro jogo, que é dia 24 de setembro, quero, dentro do que é uma pré-convocatória, ter falado com a grande maioria. Não sei se vou ter tempo de falar com todos, mas com o tempo vou fazê-lo". 

Esse contacto com os jogadores faz-se de que maneira? 

"Há o contacto pessoal e pode ser também telefónico. Se o atleta estiver longe é mais difícil, mas se estiver perto vou fazer um contacto pessoal. Conversarmos, jantarmos, falarmos da Seleção... Que é o que me interessa. Não vou ter muito tempo até ao primeiro jogo. Tenho uma vantagem: destes jogadores que estavam no Mundial, 12 já tinham trabalhado comigo. Há uma ligação. Claro que passaram alguns anos, mas eles já me conhecem, eu a eles... É igual. O que eu era há uns anos, hoje não sou completamente diferente, mas sou um bocadinho diferente...". 

21:14 20.07.2026

«Há muita coisa para fazer. E é isso que estou a fazer neste momento»

E quais foram as sensações destes primeiros dias, algum momento mais marcante? 

"Mais no primeiro dia porque estive, novamente, a confrontar-me, entre aspas, com vários jornalistas aos quais me habituei ao longo da vida. Estou há cinco ou seis anos fora de Portugal. E além de ficar motivado, senti um bocadinho o carinho das pessoas. E senti-me muito bem. Em relação ao primeiro dia, é uma casa muito grande. Não conhecia muitas das pessoas. Quero identificar-me com elas, mesmo que não tenham nada a ver comigo. Porque no fundo todos temos [a ver uns com os outros]... Desde que cheguei, estou todos os dias aqui. Oito ou nove horas da manhã, saio às cinco, seis... 'Ah, mas o que é que andas a fazer se não há treino?'. Há muita coisa para fazer. E é isso que estou a fazer neste momento". 

21:13 20.07.2026

«Não se ganham jogos só dentro do campo»

Já sentiu as diferenças em relação à rotina habitual de um clube? Qual a primeira coisa que fez quando chegou? 

"Queria dar o pontapé de saída com uma entrevista e só podia ser na casa. Na casa do futebol, da Seleção. E tenho todo o prazer em estar aqui a partilhar tudo o que me queiram perguntar. O meu primeiro dia, depois da minha apresentação, foi conhecer os cantos à casa. Já os conhecia por fora, por dentro não... Perceber quais as dinâmicas, a estrutura desportiva. Olho para a Seleção exatamente da mesma maneira que olho para um clube: há uma estrutura e administração que representa o clube, e depois há uma desportiva, que é aquilo que vou tentar, junto do doutor Lourenço Coelho, implantar para que todos nós possamos saber quem reporta a quem. Não se ganham jogos só dentro do campo. É preciso ter estrutura, qualidade, caráter e tudo isso dentro de campo, mas fora, se não conseguires ter uma estrutura que te identifique com o processo, as coisas são mais difíceis". 

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20:26 20.07.2026

Entrevista a Jorge Jesus

Jorge Jesus fala ao Canal 11, onde abordará a sua nova etapa como selecionador nacional. Siga aqui em direto!

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