Adrien recorda conquista do Euro'2016: «A nossa força foi crescendo ao longo do torneio»
Antigo internacional português foi titular na vitória sobre a França na final
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A sobreposição do coletivo ao lado individual levou Portugal ao inédito título de campeão europeu em 2016, admite o ex-internacional Adrien Silva, titular há 10 anos na vitória sobre a anfitriã França na final.
"A nossa força foi crescendo ao longo do torneio, até porque nem sempre tivemos os mesmos titulares nas três primeiras partidas. Depois, entraram outros jogadores para o onze que nem sequer tinham tido minutos na fase de grupos. Outros só alinharam uma vez e sempre que foram chamados estavam preparados para render naquele momento. Isso demonstra essa mentalidade de pôr o coletivo à frente do individual", recordou à agência Lusa o ex-médio, de 37 anos e com um golo em 26 internacionalizações.
A 10 de julho de 2016, Portugal conquistou o primeiro título sénior da sua história, ao vencer a França (1-0, após prolongamento), com um golo do suplente Eder, em Saint-Denis, nos arredores de Paris, para arrebatar o Campeonato da Europa pela única vez, na sétima de nove participações, 12 anos depois da final perdida como anfitrião frente à Grécia (1-0), em Lisboa.
"Quando vemos a quantidade de gerações fantásticas, jogadores e grupos de grande nível que Portugal teve e com as quais não triunfou, ter vencido apenas uma vez já mostra a dificuldade e eleva ainda mais o orgulho e o legado dessa conquista e do que se conseguiu, apesar de muita gente do nosso meio desprezá-lo um pouco, infelizmente. Sermos os primeiros a fazê-lo é um orgulho enorme e espero que volte a acontecer mais vezes", desejou.
Adrien ficou no banco de suplentes nos três encontros da fase a eliminar, mas assumiu a titularidade a partir dos oitavos de final, na vitória sobre a Croácia (1-0, após prolongamento), e nunca mais perdeu essa condição.
"É um tremendo orgulho fazer parte deste grupo que fez história e fica para sempre na história do país e do futebol português. Revejo aquelas imagens ao longo do tempo e sinto o carinho dos portugueses no dia a dia. Acima de tudo, há um sentimento de reconhecimento pelo feito alcançado", notou.
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Na final, Adrien foi substituído aos 66 minutos por João Moutinho, autor do passe para o golo de fora da área de Eder, aos 109 minutos, que abriu caminho ao maior feito da seleção lusa, sob comando de Fernando Santos.
"Numa caminhada dessas, que dura um mês e qualquer coisa, há muitos momentos preponderantes para progredir na competição e evoluir como grupo. Gostava de guardar alguns, mas lembro-me do mister e do staff estarem com uma enorme ansiedade e frustração na terceira partida [3-3 com a Hungria, no fecho do Grupo F] por termos continuado a arriscar a vitória quando nos apurávamos mesmo com três empates. Chegámos ao balneário no fim do jogo e talvez foi das poucas vezes em que vi Fernando Santos a perder a calma", contou o antigo capitão do Sporting, entre risos.
Nascido em França, mas com dupla nacionalidade, Adrien mudou-se aos 11 anos para Portugal, onde fez quase toda a formação e se estreou como sénior, tendo representado diversas seleções jovens lusas até à estreia pelo conjunto principal, em 2014, dois anos antes da glória em Saint-Denis.
"Foi muito intenso. Vivi ainda com mais emoção por perceber a história de várias gerações que tiveram a necessidade [de sair para se estabelecerem em França]. Senti-me parte deles como emigrante que sou, tal como a minha família. Jogar naquele estádio, com bastantes amigos e familiares portugueses e franceses a assistir, foi uma emoção grande, que se acrescentou à enorme dificuldade que já era estar na final", reconheceu.
O antigo médio também atuou por Portugal na Taça das Confederações de 2017 e no Mundial'2018, numa carreira em que representou nove clubes, conquistou oito troféus e despediu-se em 2025 com mais de 450 partidas.
"Não quero esquecer todo o percurso que tive. Agora, acabar e ver no meu currículo o título de campeão europeu é inimaginável. Quando somos crianças, parece inatingível", concluiu Adrien, que se notabilizou ao serviço do Sporting (2007-2017) e, já depois do Euro2016, voltou a França para atuar no Mónaco (2019-2020), por empréstimo dos ingleses do Leicester.