Gonçalo Ramos sobre Ronaldo na Seleção: «Muitas vezes, poderíamos jogar juntos»
Avançado do Milan garante que CR7 será bem recebido caso regresse à equipa das quinas
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Gonçalo Ramos considera que poderia formar dupla com Cristiano Ronaldo na frente de ataque da Seleção Nacional. “Respeitamos o estatuto do Cris, mas acho que, muitas vezes, poderíamos jogar juntos. Podíamos estar a recompensar a boa forma, os meus golos, não abdicando do Cris. Tanto que já aconteceu jogarmos juntos. Há um jogo no Dragão contra a Eslováquia [n.d.r: a 13 de outubro de 2023, na qualificação para o Euro'2024, Portugal venceu (3-2) com golo de Ramos e bis de Ronaldo] em que jogámos juntos, fizemos um grande jogo. Não só eu e ele, a equipa toda. É possível, não tem de se abdicar de um para jogar o outro. Há todas as possibilidades, para mim o importante é eu jogar mas não quero que saia ninguém em específico, é uma decisão do míster”, assume o avançado no programa 'Soltinhos pelo Mundo', do Canal 11.
Ramos comentou ainda a polémica saída de CR7 do último estágio. ”Foi uma situação meio estranha. Tínhamos um treino, chegámos e percebemos que o Cris já não estava lá. É sempre uma situação chata, acabam por soar muitos alarmes e haver muito barulho à volta da Seleção. E é um barulho mau. É o Cris, que dispensa apresentações, é o nosso capitão a abandonar o estágio. E, claro, tudo o que ele faz, seja bom ou menos bom, vai ter uma grande repercussão. Deixa-nos ali ‘o que é que se está a passar?’. Meio que nem parece verdade. Ficámos tipo ‘ok, foi embora? Não foi...' Durante o treino percebemos que não estava, depois disseram que foi embora. ‘Para o hotel?’. Não, tinha ido mesmo embora e essa foi a última noticia que tivemos dele", conta, acrescentando: ”Não dá para ignorar, mas nem comentámos muito e tentámos abstrair-nos. Era tipo ‘Ok, ele foi embora, estamos aqui, temos jogo amanhã, não há grande coisa que possamos fazer. Vamos jogar. Não conseguimos ir buscá-lo nem impedi-lo de ir. Depois já são assuntos para direção e cargos mais importantes. Seja o Cris ou outro, ninguém quer que abandone o estágio.”
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Sem cobranças a CR7
O avançado do Milan entende que CR7 merece, caso seja esse o seu desejo, despedir-se em grande da Seleção. “Assim é que não pode ficar. Se, de facto, o Cris quiser abandonar a Seleção, tem de fazer uma despedida de acordo com a sua imagem, o seu legado e o seu estatuto. Mas acima de tudo pelo seu legado, por tudo o que fez e deu ao país, à Seleção e à Federação. Inspirou-nos a todos. Se quiser abandonar é isso que deve fazer. Se não quiser, isso não sei, têm eles que decidir, não faço ideia”, sustenta Ramos, garantindo que o capitão será bem recebido se regressar à lista de Jorge Jesus já no estágio de novembro.
"Se calhar, por uma atitude de cabeça quente, vamos amuar e deixar de falar com ele? Acontece. Na vida, no trabalho, no futebol... Um dia acordei com os pés fora da cama, acordei chateado com a minha mulher e descarrego num colega de trabalho. Ou chateio-me com o colega de trabalho e depois respondo mal à minha mulher. Se o Cris for ao próximo estágio, vamos estar lá, vou cumprimentá-lo exatamente da mesma maneira, não vou tocar no assunto, é um assunto dele. Se tiver e quiser resolver, resolve com o míster, com a Federação. Se quiser falar connosco estamos para ouvir mas ninguém, acho eu, lhe vai cobrar nada”, frisa Ramos.
Reencontro feliz com Jorge Jesus e sem mágoa de Martínez
Com 3 golos nos primeiros 4 jogos com Jorge Jesus na Seleção, Gonçalo Ramos não esconde que viver um excelente momento nas quinas. “Gostei quando anunciaram o míster Jorge Jesus, senti logo que ia estar mais próximo de jogar, até porque antes jogava um bocadinho mais do que nada... É um novo começo, claro que já tinha trabalhado com o míster, mas ele só sabia de ver, treinar é diferente, poder voltar a mostrar-me. Cheguei e houve a situação do Cris, falou-se que ele ia jogar o 1.º e o 4.º jogos. Eu sabia que no 2.º e 3.º havia grande oportunidade de jogar, estava entre mim e o Fábio [Silva]. Acabou por correr super bem, aproveitei a oportunidade. Ao fazer um bom jogo no 2º, garanti para o 3º, houve aquela situação toda e acabei por jogar o 4º jogo também, mostrei serviço”, avalia, apontando a principal diferença na atual forma de jogar da Seleção: “O mais determinante e o que define o mister é a pressão e a forma como pressionamos. Deu para ver e crescemos nisso nestes quatro jogos. O míster disse ‘vamos defender assim. Há risco, mas sem risco não há recompensa. Vamos fazer isso’. A partir daí foi ‘full power’ naquilo que o míster quer.”
Sobre Roberto Martínez, garante que não sentir "nenhuma" mágoa, mas considera que gostaria e merecia ter jogado mais. “‘Perdi o Europeu 2024, joguei com a Geórgia que já não contava para nada. Este Mundial fiz o golo à Croácia, mas sem isso, também foi perdido, não joguei nada. Fiz 10’ com a RD Congo, depois não joguei 2 jogos. Com a Croácia meia hora e não joguei com a Espanha. O míster tomou as decisões dele mas para mim é chato. Sei e já demonstrei que podia ter dado e ajudado muito”, nota.