Jorge Jesus faz revelação: «Já tinha indicações para fazer a pré-convocatória do Brasil»

Revelação do novo selecionador nacional, que acabou por conseguir "a cereja no topo do bolo" ao ir para Portugal

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Jorge Jesus
Jorge Jesus • Foto: Lusa
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Em entrevista ao Canal 11, Jorge Jesus confessou que esteve muito perto de se tornar no selecionador do Brasil. Ao ponto de ter tido "indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março, depois de terem perdido 4-1 com a Argentina". No entanto, o negócio não avançou e o treinador está agora ao leme de Portugal, que considera a "cereja no topo do bolo".

- Na apresentação, disse que se preparou a vida toda para ser selecionador. Como é que se faz essa preparação? 

- Toda a gente diz que o selecionador não é igual [ao treinador de um clube] e tem mais tempo para fazer outras coisas. Mas não vai ser tanto assim. Acho que o selecionador, não trabalhando diariamente com os jogadores, tem sempre muito em que trabalhar com a sua equipa técnica. Criando ideias... E é exatamente isso que tenho tentado fazer ao longo destes últimos dois anos, a partir do momento em que fui para a Arábia Saudita. Quando fui para lá, ia para treinar a seleção, não ia treinar o Al Hilal. E as coisas estavam quase definidas, mas depois o team manager do Al Hilal, que já tinha trabalhado comigo na minha primeira passagem, convidou-me. E eu fiquei um bocadinho a abanar... E, a partir desse dia, comecei a preparar-me. Depois tive a hipótese de treinar a seleção do Brasil e comecei a pensar que tinha mesmo de treinar uma seleção. E a Seleção portuguesa foi... a cereja em cima do bolo.

- O que faltou à seleção brasileira no Mundial? E o que teria sido diferente com Jorge Jesus?

- Eu digo que Portugal é o Brasil da Europa... Muita qualidade individual, mas depois quando chegam os Mundiais... O Brasil não é campeão há 22 anos. Eles dizem 'ah, mas somos o país com mais títulos'. É verdade. É o passado, há 22 anos que não ganham. E têm sempre grandes jogadores. Mas depois não conseguem fazer uma grande seleção.

- E o que é que Jorge Jesus teria feito?

- Posso confessar aqui... Acabei por não ir treinar a seleção do Brasil, mas já tinha indicações para fazer a pré-convocatória para o jogo que havia em março, depois de terem perdido 4-1 com a Argentina. O que teria feito? O jogador brasileiro nasceu para jogar, até no campeonato do Brasil há muita qualidade. Fazia uma convocatória diferente daquela do Ancelotti? Claro que, num ou outro jogador, sim. Acho que, neste momento, o melhor ponta-de-lança do futebol brasileiro é o Pedro. Talvez seja um bocadinho tendencioso por ter sido meu jogador no Flamengo. Acho que, na maioria, concordava com o que ele [Ancelotti] fez. Mas depois, no cunho pessoal, na forma de olhar para o jogo, de treinar. Essas é que são as diferenças. As formas de cada treinador olhar para o jogo e colocar as suas ideias... E volto a dizer que isso envolve muita coisa. É atacar, é defender, é a estratégia... É muita coisa. O processo é que faz a diferença.

- Alguns jogadores poderão ter uma nova esperança? E os que já eram chamados, podem ter algum receio? O que diria a uns e a outros?

- Como treinador, se houver algum problema que possa ter com um jogador, mas sentir que é um jogador fundamental e importante, para mim o mais importante é a equipa. Não abdico de nenhum jogador por isso. E ao contrário também. Porque há jogadores que podem pensar 'ah, ele é selecionador e já não me vai querer convocar por isto ou aquilo'. Felizmente, não tenho na minha carreira problemas dessa ordem, mas qualquer treinador tem e, com o passar dos anos, é preciso 'bater' com suscetibilidades, interesses diferenciados. E temos de ter opiniões diferentes. Mas isso faz parte. Falo do meu caso: tento sempre escolher os melhores para a equipa. Mas o jogador não percebe e nunca vai aceitar isso. O treinador vê de maneira diferente. Eles só vão perceber no dia em que forem treinadores. E aí dizem 'agora é que percebo como é que os treinadores pensavam'.

"Como treinador, se houver algum problema que possa ter com um jogador, mas sentir que é um jogador fundamental e importante, para mim o mais importante é a equipa"

- Fernando Santos também trabalhou em três dos quatro grandes em Portugal. Isso ajuda no relacionamento com esses clubes?

-  Ajuda. E acho que essa é a minha grande vantagem. De começar a trabalhar com jogadores que, apesar de alguns deles não trabalharem comigo há muito, conhecem a minha personalidade. Mas os anos vão-nos moldando. Não sou o mesmo Jorge Jesus que era com 40 anos. Hoje sou muito mais tolerante e pensador em relação a determinados momentos que possam envolver treinador e jogador. É normal acontecer isso. Até colegas com colegas. Vocês às vezes ficam muito admirados, mas isso acontece muitas vezes.

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