Luís Vidigal: «Portugal-Inglaterra mudou o respeito pela Seleção do oito para o 80»

Ex-jogador diz que "memórias continuam bem vivas" 20 anos depois

• Foto: Arquivo

Duas décadas depois do memorável duelo entre Portugal e Inglaterra no Euro2000 de futebol, que a seleção nacional venceu por 3-2, o antigo internacional Luís Vidigal assume que o triunfo mudou a imagem externa do futebol português.

"O respeito passou do oito para o 80 em relação à seleção portuguesa, [os adversários] perceberam que tinham pela frente uma das candidatas a conquistar o título europeu. Infelizmente não conseguimos, mas tivemos um percurso impecável", revela o ex-médio defensivo, em entrevista à Lusa, vincando que este "grupo de jogadores ficaria para a história, não só de Portugal, mas de todos aqueles que amam o futebol".

Uma das apostas para o 'onze' do selecionador Humberto Coelho para aquele jogo de 12 de junho de 2000, no Philips Stadion, em Eindhoven (Holanda), que assinalava a estreia da equipa das quinas no grupo A - no qual figuravam ainda a campeã europeia Alemanha e uma Roménia representada pela sua própria 'geração de ouro' -, Vidigal relembra uma "explosão de alegria", ao transformar uma desvantagem de dois golos ao fim dos primeiros 20 minutos num triunfo indiscutível.

"Estávamos bem e as mensagens que passávamos uns aos outros eram sempre de acreditar. Tínhamos feito uma preparação muito bem conseguida, conhecíamos claramente o potencial de cada um e o que poderíamos fazer. Não foi surpresa nenhuma termos dado a volta ao resultado, perante uma Inglaterra também forte", frisa, sem deixar de enfatizar a "seleção de grande nível" apresentada no Europeu disputado na Holanda e na Bélgica.

Aos dois golos ingleses, assinados por Scholes (03) e McManaman (18), Portugal respondeu ainda antes do intervalo, com os tentos assinados por Luís Figo (22) e João Vieira Pinto (37). O terceiro golo ficaria guardado para o segundo tempo e seria marcado por Nuno Gomes, mas no balneário, antes do regresso para o relvado, reinava a ideia no grupo português de que seria uma questão de tempo.

"Havia a certeza, não só a convicção, de que estávamos a 'meio caminho'. Isso é que nos permitiu depois dar a volta ao resultado, não nos podíamos deslumbrar com a recuperação e tínhamos de continuar da mesma forma, sabendo que tínhamos um adversário muito forte pela frente. Só mantendo os pés bem assentes na terra e sendo solidários uns com os outros conseguíamos dar a volta ao resultado e foi o que acabou por acontecer", explicou.

Recuando 20 anos - "parece que foi ontem, as memórias estão bem vivas" -, Luís Vidigal não esconde que foi um encontro "especial" e que fez justiça ao trajeto que o país já vinha assinando no panorama internacional.

"Foi uma sensação de confirmação de um trabalho de muitos anos que Portugal vinha fazendo, com conquistas importantes nas seleções jovens, mas depois um grupo de jogadores conseguiu materializar o sonho de uma nação inteira. Aquilo que nós vivemos foi aquilo que Portugal sentiu nessa altura: um feito histórico e que 20 anos depois estamos aqui a falar dele", concluiu.

 

Por Lusa

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