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Esperanças lusas tinham tudo para sucumbir em 20 minutos
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Portugal e Inglaterra partilham uma longa história futebolística, mas poucos jogos tiveram um impacto na memória coletiva como o embate do Euro'2000, em que a seleção portuguesa venceu os ingleses, por 3-2, que cumpre esta sexta-feira 20 anos.
No primeiro Campeonato da Europa organizado conjuntamente por dois países, Holanda e Bélgica, a equipa das quinas estava de regresso a uma fase final, após o falhanço do apuramento para o Mundial98. Depois da estreia em fases finais daquela que ficou conhecida como 'geração de ouro' em 1996, em Inglaterra, a era definida por Luís Figo, Rui Costa ou João Vieira Pinto conhecia aqui a sua afirmação internacional.
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No dia 12 de junho de 2000, no campo do Philips Stadion, em Eindhoven, surgia um onze constituído por Vítor Baía, Abel Xavier, Fernando Couto, Jorge Costa, Dimas, Luís Vidigal, Paulo Bento, Rui Costa, Luís Figo, João Vieira Pinto e Nuno Gomes, sob o comando do selecionador Humberto Coelho. Do lado inglês também não faltavam estrelas, sobretudo, David Beckham, Paul Scholes, Michael Owen ou Alan Shearer. E tudo começava da pior maneira possível.
Com apenas três minutos de jogo, Portugal já estava em desvantagem, quando Scholes, de apenas 1,68 metros de altura, se ergueu mais alto do que toda a gente na área e respondeu com um cabeceamento perfeito a um passe de David Beckham. A bola ainda bateu na trave antes de entrar e deixou Vítor Baía, sem hipóteses, a seguir o desfecho inevitável.
Tentando manter-se imune ao duro golpe logo a abrir, a seleção nacional não perdeu a personalidade e impôs o seu jogo, criativo e apoiado, em busca da baliza de David Seaman. Mais uma vez, a eficácia falou em inglês, com a seleção orientada por Kevin Keegan a chegar ao segundo golo aos 18 minutos. Beckham voltava a brilhar na assistência e, desta feita, era McManaman a assinar o 2-0.
As esperanças lusas tinham tudo para sucumbir em 20 minutos. Porém, o que se seguiu deu contornos épicos a um resultado que seria sempre de relevo na história da seleção até àquela data. Numa investida solitária pelo centro do terreno e com um pontapé de fé a cerca de 30 metros, que ainda desviou no pé de Tony Adams, Luís Figo mudou, aos 22 minutos, o rumo da partida. A bola voou fulminante até ao ângulo esquerdo e consumou o 2-1.
Humberto Coelho aplaudiu no banco de suplentes e mais motivos teria para sorrir pouco depois, quando João Vieira Pinto assinou o empate. Num voo de difícil execução, aos 37 minutos, o avançado mergulhou para um cabeceamento notável, que o poste ainda ajeitou para a baliza de Seaman. Da incredulidade portuguesa à incredulidade inglesa tinham passado outros 20 minutos e o jogo, de forma espetacular e emocionante, voltava a estar relançado.
Para o regresso à segunda parte, a confiança estava toda do lado português, que, aos 59, materializou a sua superioridade. Uma assistência sublime de Rui Costa, a rasgar o espaço entre Adams e Neville, descobriu Nuno Gomes e o jovem ponta de lança não desperdiçou a oportunidade de se estrear a marcar por Portugal. A reviravolta era uma realidade: 3-2.
Até ao apito final, a seleção geriu com classe o assédio em busca do empate e ainda chegou a colocar a bola na baliza de Seaman, mas o desvio de Nuno Gomes seria anulado por fora de jogo.
Nem isso afetou a seleção, que aqui mostrou à Europa a sua maturidade futebolística e foi de vitória em vitória até cair na meia-final do Europeu frente à futura campeã França. Uma outra história que precisaria de esperar 16 anos por um final mais feliz.
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