Roberto Martínez diz que Ronaldo é "tema de elevador" e atira: «Todos têm uma opinião»

Selecionador abordou papel do avançado na equipa das quinas. "Tem sido um grande líder e capitão", nota

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Roberto Martínez cumprimenta Cristiano Ronaldo durante um jogo da Seleção
Roberto Martínez cumprimenta Cristiano Ronaldo durante um jogo da Seleção • Foto: Paulo Calado

Convidado do podcast 'The Overlap', Roberto Martínez abordou vários temas e um deles foi inevitavelmente Cristiano Ronaldo. O selecionador nacional considerou que o avançado tem, aos 41 anos, papel determinante na equipa das quinas.

”Na seleção nacional, olhamos sempre para o jogador. Qual é a qualidade que ele traz? Esse é o número um. E isso é algo que ele precisa para ser excelente numa qualidade. A segunda é a experiência. Por vezes, queremos um jogador sem experiência porque vamos fazer algo que pode ser muito arriscado. Mas no caso do Cristiano, ele jogou cinco Mundiais, cinco Europeus, tem 226 presenças... Ninguém tem a experiência dele. E depois há o terceiro ponto e o mais importante: a atitude. E essa pode mudar. O Cristiano, desde que cheguei, em 2023, tem sido exemplar. Tem sido um capitão que é um exemplo para todos", afirmou o técnico espanhol, lembrando que CR7 não é o mesmo em termos técnicos.

"Não é o Cristiano da primeira passagem pelo Manchester United. Não é um extremo, é um jogador que precisa de ser muito disciplinado, um número nove. É o nosso finalizador. Ele precisa de estar preparado para fazer incursões na linha defensiva e tornar-se especial na área. Marcou 25 golos nos últimos 30 jogos. Não é o Cristiano que todos recordamos, que vimos no Real Madrid ou no United. Não, é o jogador que agora tem uma atitude incrível, uma vontade incrível de ajudar os mais jovens. O sentimento dele na Seleção já não é ‘o que é que posso ganhar?' É mais de 'como é que posso deixar uma marca aqui, um legado'. A sua atitude é medida todos os dias. Provavelmente, é mais controlado do que os outros, porque toda a gente tem uma opinião. Por isso, para mim, tem sido super, super decisivo. Um avançado que marque 25 golos em 30 jogos é exatamente o que queremos. A disciplina, o trabalho, a mentalidade vencedora que trouxe para o ambiente de treino, tem sido um grande líder e um grande capitão", acrescentou Martínez.

Sobre a gestão que poderá ser feita no Mundial'2026, Martínez deu o exemplo de como lidou com Vincent Kompany quando orientava a Bélgica. "Em 2018, antes do Mundial, o departamento médico da Bélgica disse-me que o Kompany não podia jogar três jogos numa semana. Depois lesionou-se no primeiro de três amigáveis e disseram-me que falharia a fase de grupos por lesão. Falámos, ele olhou-me nos olhos e disse: 'há dois Mundiais: a fase de grupos e o resto. E vou estar pronto para o resto '. E foi tão convincente que eu não podia dizer não. Jogou 15 minutos na terceira jornada da fase de grupos e todos os minutos da fase a eliminar, contra Japão, Brasil, França e Inglaterra. Não há explicação científica para isto. São cérebros de elite. Se perguntam podes fazê-lo por 10 meses? Não. Mas num curto período de tempo sim".

Martínez considerou ainda que, "em Portugal e no mundo do futebol do futebol", Ronaldo é "um tema de elevador", pois "toda a gente tem uma opinião" sobre a sua utilização na Seleção. O técnico espanhol lembrou, de resto, um episódio vivido no interior de um táxi em Lisboa. "O taxista perguntou ‘então, como está a correr? No último jogo, o que é que fez?’ Eu disse 'bem, empatámos com a Espanha'. E ele: ‘Vê, com o Ronaldo, como é que vamos ganhar um jogo? Eu disse: ‘Mas ganhámos nos penáltis’. E ele: ‘Vê, é a experiência do Ronaldo’ (risos) Quando a equipa ganha, é a experiência de Ronaldo. Quando se perde, como é que se pode jogar com o Ronaldo?”, contou.

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