Um caminho novo com muitas caras do passado
"Há um caminho novo que se inicia hoje". As palavras são de Fernando Santos, na conferência de imprensa desta sexta-feira, na qual anunciou a primeira convocatória enquanto selecionador nacional. Entre as primeiras caras da nova era da Seleção Nacional estão vários jovens jogadores, como Cédric, Ivo Pinto e João Mário, mas também alguns nomes que há muito haviam sido afastados (ou se auto-excluíram) do lote de selecionáveis.
Entre os regressados, os maiores destaques vão para Ricardo Carvalho e Tiago, que jogaram pela última vez ao serviço da equipa das quinas precisamente no mesmo encontro: o Islândia-Portugal de 12 de outubro de 2010, no início da qualificação para o Euro'2012, sem que então na altura nada o fizesse prever.
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O caso de Ricardo Carvalho foi o mais mediático. Patrão da defesa da equipa das quinas durante muito anos e com 75 internacionalizações no palmarés, o central de 36 anos saiu pelo próprio pé a meio de um estágio da Seleção Nacional, em agosto de 2011, devido a problemas com Paulo Bento. À saída seguiu-se uma troca de palavras pouco agradável com o selecionador e a garantia de que com Bento ao leme Carvalho jamais voltaria a vestir as cores de Portugal.
Com Tiago a situação foi totalmente diferente. O médio de 33 anos nunca foi titular indiscutível ao longo do seu percurso na seleção e optou por anunciar oficialmente o abandono no início de 2011, numa carta enviada ao então presidente da FPF, Gilberto Madaíl, em que citou essencialmente "motivos pessoais".
Esse Islândia-Portugal de boa memória (a seleção portuguesa venceu por 3-1) vai deixar finalmente de ficar entalado na garganta dos dois jogadores, que regressam aos eleitos quatro anos, mesmo estando ambos já na reta final da carreira. Fernando Santos avisou que os jogadores não têm um prazo de validade e a chamada destes dois jogadores só o vem comprovar.
Quaresma cumpre objetivo quatro meses depois
Um pouco diferente é o caso de Ricardo Quaresma. Utilizado pela última vez na play-off do Euro'2012, o extremo do FC Porto ainda foi convocado para o Campeonato da Europa, mas não mais voltou a jogar, sem que nesse caso alguma vez fosse encarado como um caso de indisciplina ou incompatibilidade com Paulo Bento.
Na abertura do mercado de inverno da época passada, Quaresma regressou ao FC Porto com o objetivo principal de voltar a ser escolhido para a Seleção Nacional, especialmente por se tratar de um ano de Mundial, no Brasil.
Paulo Bento ainda colocou o extremo entre os 30 pré-convocados, mas acabou por não o incluir no lote de selecionados, numa das decisões menos unânimes à vista da crítica.
Quatro meses depois, chegou finalmente a hora do regresso de Quaresma, curiosamente num início de temporada que até tem sido muito atribulado para o Mustang. Julen Lopetegui tem alternado a titularidade do internacional português e em alguns dos casos tem mesmo deixado o extremo fora das convocatórias, como aconteceu na deslocação a Lviv para defrontar o Shakhtar.
Quem também vai reforçar o ataque da Seleção Nacional é Danny, que foi igualmente afastado por Paulo Bento durante a qualificação para o Mundial 2014. O então selecionador entendeu que o capitão do Zenit não estava de corpo e alma na Seleção e afastou-o. Um problema aparentemente esquecido por Fernando Santos, disposto a dar uma oportunidade a todos os jogadores.
Danny tem um percurso menos marcante na Seleção Nacional do que Ricardo Carvalho, por exemplo, mas foi titular muitas vezes com Carlos Queiroz e Paulo Bento. A sua última internacionalização foi a 26 de março de 2013, no Azerbaijão.