Vice-campeã europeia sub-19 em 2014, a Seleção portuguesa, que sob o comando de Hélio Sousa, campeão do Mundo sub-20 em 1989, conseguiu uma impressionante série de 21 jogos consecutivos sem perder, não se pode queixar do sorteio da fase de grupos para o Mundial sub-20. Anda assim, o cruzamento de datas com o Euro sub-21, que se disputará entre 17 e 30 de junho, constituirá um fator determinante para definir a qualidade do elenco à disposição de Hélio Sousa, o que será determinante para alcançar objetivos mais grandíloquos do que passar a fase inicial. Em causa estão os possíveis desvios de Rúben Neves, Rafa, Rony e Gonçalo Guedes, que poderão ser chamados por Rui Jorge, até porque os dois primeiros foram titulares no particular dos sub-21 ante a Inglaterra.
À partida, o ataque é o sector mais forte dos sub-20, fruto da inequívoca qualidade dos extremos Gonçalo Guedes, Podence, Gelson, Ivo Rodrigues ou Nuno Santos (Benfica B), juntando-se-lhes o avançado André Silva, autor de cinco golos no Euro sub-19. A qualidade do meio-campo também é inquestionável, ainda que haja uma maior dependência da presença de Rúben Neves e Rony Lopes. Contudo, Podstawski, Francisco Ramos e João Graça, um trio talentoso do FC Porto B, como também Estrela (Orlando City), Guzzo (Chaves) e Rochinha (Bolton), todos vinculados ao Benfica, ou Reko, a recuperar de uma lesão grave, são opções.
O sector mais débil será, à partida, o defensivo, onde é notória a falta de jogos de grande parte dos possíveis convocados. No centro da defesa, João Nunes deverá continuar a assumir-se como patrão, mas Domingos Duarte, o seu habitual parceiro, tem tido escassas oportunidades com João de Deus, o que poderá ser uma janela de oportunidade para Nélson Monte (Rio Ave) ou Dinis Almeida (Reus). Nas laterais, há opções mais seguras à esquerda – Rafa ou Rebocho – do que à direita – Rafael Ramos (Orlando City, cedido pelo Benfica), Riquicho, pouco constante no Sporting B, ou Candé, dispensado pelo FC Porto B ao Freamunde. Também na baliza há problemas: André Moreira, soberbo no Euro sub-19, não tem tido oportunidades no Moreirense, o que poderá abrir a perspetiva de titularidade a Tiago Sá (Braga B).
COLÔMBIA
Os sucessores de James e Quintero
Com uma geração menos talentosa do que as de 2011 (vencedora em Toulon com James, Muriel e Zapata) e 2013 (campeã sul-americana com Quintero, Córdoba e Pérea), que acabaram por desiludir no Mundial sub-20 devido às elevadas expectativas que carregavam, a Colômbia apresenta um futebol de sentido coletivo e exímio no contragolpe, fruto do trabalhado realizado por Carlos Restrepo, um treinador taticista e com pensamento europeu.
Disposta em 4x4x1x1, desdobrável em 4x2x3x1, as unidades de maior destaque da Colômbia são: Lucumí (América de Cali), médio-ala veloz, driblador e desequilibrador; Quintero (Deportivo Cali), o melhor central sul-americano do seu escalão etário; e Santos Borré (Deportivo Cali), um avançado móvel. A seguir surge o médio-centro Rovira (Atlético Nacional), importante a construir e a organizar; Barrera (Junior), canhoto inteligente a desdobrar-se entre médio-ofensivo e segundo avançado; e Joao Rodríguez, reforço de inverno do V. Setúbal, um extremo muito veloz.
QATAR
Uma equipa para... 2022
Com o pensamento no Mundial’2022, a Federação Qatari de Futebol (QFA) reorganizou toda a estrutura do futebol jovem, contratando vários treinadores estrangeiros.
O espanhol Félix Sánchez, responsável pelos sub-19 e sub-20, conduziu o Qatar, em outubro de 2014, a um inédito título continental, após um percurso imaculado até à final, onde bateu a Coreia do Norte (1-0).
Com um grupo de jogadores que está a crescer e a amadurecer no futebol europeu, a equipa organiza-se em 4x2x3x1, mostrando um interessante potencial ofensivo, em contraste com debilidades no capítulo defensivo. Em claro destaque, um tridente vinculado aos belgas do Eupen: o médio-ala Al Saadi, o médio-centro Doozandeh e Afif, a arma secreta móvel e veloz que sai do banco para marcar golos decisivos.