A credibilidade da arbitragem portuguesa

Um jogo de cavalheiros

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O texto do Presidente André Villas-Boas, publicado nos últimos dias, na Revista Dragões, solicitando a suspensão temporária do presidente do Conselho de Arbitragem voltou a colocar a arbitragem portuguesa na ordem do dia.

Esta é uma questão que merece uma análise muito concreta, pois diz respeito à credibilidade de uma das estruturas mais importantes, do futebol luso.

O presidente do meu clube ao afirmar que a atual situação "não augura nada de bom para a próxima temporada", deixou um aviso claro sobre o clima de desconfiança que se instalou em torno da arbitragem portuguesa. Num momento em que os clubes preparam uma nova época, a estabilidade e a confiança nas instituições são fundamentais para garantir competições justas e transparentes.

Como é sabido a arbitragem vive da confiança, e sempre que surgem dúvidas sobre a independência dos seus responsáveis ou sobre o funcionamento dos seus órgãos, é natural que aumente a procura por esclarecimentos. E é precisamente nesses momentos que as instituições devem responder com rapidez, transparência, abertura e rigor, protegendo não apenas a sua imagem, mas também e acima de tudo a verdade desportiva.

O pedido de uma suspensão temporária não representa, por si só, um juízo de culpa. Trata-se de uma posição política e institucional que procura, segundo quem a proferiu, preservar a credibilidade do Conselho de Arbitragem no período em que os factos estejam em análise pelas entidades competentes e concretamente depois do Ministério Público ter efectuado a abertura de um inquérito.

E aqui chegados, e na minha modesta opinião, considero que seria de todo em todo importante que a FPF, tomasse, através do seu líder máximo, uma posição pública firme sobre esta situação, ele que durante muitos anos também foi árbitro. Aqui não podemos esquecer que o Conselho de Arbitragem é um órgão autónomo integrado na estrutura dos órgão sociais da Federação Portuguesa de Futebol.

É de realçar também que o futebol português tem enfrentado, ao longo dos últimos anos, sucessivos episódios de polémica relacionados com a arbitragem e essa realidade contribuiu para aumentar a desconfiança entre clubes, adeptos e restantes agentes desportivos, tornando ainda mais urgente uma reforma que fortaleça os mecanismos de transparência, avaliação e responsabilização.

Mais do que discutir nomes ou cargos, o essencial é garantir que o sistema funciona de forma independente e credível. A confiança não se exige, conquista-se através de decisões consistentes, processos claros e total respeito pelos valores da justiça desportiva.

A nova temporada aproxima-se e o futebol português precisa de entrar nesse ciclo com uma maior serenidade. Só com instituições fortes, transparentes e respeitadas poderá ser devolvido aos adeptos a confiança de que o resultado de cada jogo é decidido exclusivamente dentro das quatro linhas.

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