O mercado futebolístico neste verão trouxe ao FC Porto decisões que não terão sido muito fáceis de tomar pelos responsáveis da SAD, mas também trouxe sinais de uma estratégia que merece ser acompanhada com atenção.
A saída de jogadores como Rodrigo Mora e Eustáquio deixam naturalmente saudades, o primeiro pelo talento e pelo enorme potencial e o segundo pela experiência, pelo equilíbrio que sempre ofereceu à equipa e pelo que familiarmente passou no clube. Todavia, no futebol moderno, e particularmente num clube português, vender, e ao mesmo tempo vender bem, faz parte da eficácia da gestão. E aqui chegados a questão essencial não é apenas quem se vende, é também saber o que se faz depois com o dinheiro dessas mesmas vendas, onde se aplica.
E é aqui que o FC Porto parece ter dado um passo muito interessante, e espero que o futuro o venha a comprovar. Falo, pois, de aquisições tais como Santiago Gimenez, Souza e Gabriel Mec, que nos mostram uma aposta em diferentes horizontes, para diferentes sectores. Gimenez pode ser o avançado capaz de nos garantir golos e experiência imediata, Souza vai com certeza acrescentar juventude, intensidade e alternativas ao plantel e Gabriel Mec representa uma aposta clara no futuro e na valorização de talento, vejam-se as recentes palavras, chegadas do Brasil, do treinador luso Luís Castro .
É esta combinação entre presente e futuro que pode voltar a colocar o FC Porto no caminho certo. Todavia, há uma condição, os milhões envolvidos nestas aquisições só fazem sentido se forem transformados em qualidade dentro do campo.
O presidente André Villas-Boas e a sua equipa fizeram escolhas, o treinador Francesco Farioli tem agora a responsabilidade de as transformar numa equipa competitiva, ambiciosa e, sobretudo, vencedora.
E talvez seja precisamente essa a maior exigência para este novo FC Porto, dentro das limitações financeiras, vender bons jogadores, comprar ainda melhor e manter intacta a cultura de vitória que faz parte do ADN do nosso clube.
Tudo isto porque numa equipa como o FC Porto vender nunca pode ser um fim, tem de ser um meio para voltar a ganhar, neste caso renovar o título de campeão da primeira Liga.