A cidade do Porto já teve dois São Joões, e espero que tenha um terceiro

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Paulo Teixeira
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Há alguns anos que a cidade do Porto não vivia uma época tão especial. E assim, em poucos meses, os portuenses tiveram razões para celebrar como há muito não acontecia, transformando a Invicta Cidade numa verdadeira festa popular. 

O primeiro São João chegou antes da data marcada no calendário, veio vestido de azul e branco, embalado pela conquista do trigésimo título de campeão nacional pelo FC Porto na época 2025/26. E esta festa teve uma  decoração emocional, pois começou no Estádio do Dragão, encontrou o Rio Douro, depois passou pela Ribeira, que é tão popular e tão nossa, e culminou com a chegada à Avenida dos Aliados. A cidade saiu à rua, os cânticos ecoaram pelas ruas, vielas, praças e avenidas, as bandeiras encheram as janelas e o Dragão voltou a ser o centro das atenções. Foi um São João antecipado, vivido com a intensidade que apenas os portistas sabem viver. O FC Porto voltou ao lugar que os seus adeptos entendem ser o seu lugar natural, o topo do futebol português. 

O segundo São João foi o das cascatas são joaninas, das marteladas, dos alhos-porros, das sardinhas assadas e dos balões que iluminam a noite sobre o Douro. Uma semana em que a cidade se reencontra consigo própria, celebra a sua identidade e demonstra porque continua a ser uma das festas populares mais autênticas da Europa. 

Mas há quem acredite que o Porto ainda pode viver um terceiro São João este ano. Esse terceiro São João poderá acontecer dentro de poucas semanas, quando o FC Porto disputar a Supertaça Cândido de Oliveira frente ao Torreense. O campeão nacional defrontará o vencedor da Taça de Portugal, num encontro que poderá representar mais um troféu para enriquecer um palmarés já ímpar no futebol português. 

Naturalmente, os jogos ganham-se dentro das quatro linhas e ninguém oferece vitórias antes do apito final. O Torreense chega a esta final histórica com mérito próprio e merece todo o respeito, mas é impossível ignorar o entusiasmo que se sente entre os adeptos portistas. Depois da conquista do campeonato e da energia contagiante das celebrações populares, a possibilidade de começar a nova época com mais um título faz sonhar uma cidade inteira. 

Há anos que não se via um ambiente tão vibrante, uma comunhão tão forte entre clube e cidade. O Porto voltou a sorrir, voltou a acreditar e voltou a sentir aquele orgulho coletivo que tantas vezes marcou os seus momentos mais gloriosos. Por isso, olhando para trás, podemos dizer que a cidade já teve dois São Joões, o primeiro foi azul e branco e trouxe o título nacional, o segundo foi o de sempre, o das tradições e da alma portuense. 

Agora, todos os caminhos parecem apontar para a esperança de um terceiro São João. Se ele chegar, virá com um troféu nas mãos e milhares de portistas sairão de novo à rua para celebrar mais uma página de uma história que continua a ser escrita. E convenhamos, depois de tudo o que esta cidade viveu nos últimos meses, ninguém estranharia que o São João decidisse fazer horas extraordinárias. 

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