Da pré-época ao fim da época (em Fevereiro): A exigência de um rumo

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Miguel Saraiva
Miguel Saraiva

O Benfica é um colosso a nível doméstico, mas enfrenta uma verdadeira prova de fogo na Europa. É nesta clivagem entre o domínio nacional e a exigência internacional que a pré-época deixa de ser apenas uma fase de testes e se assume como o verdadeiro catalisador de vitórias. Num clube com o nosso estatuto, o campeonato começa a ganhar-se em julho para se confirmar, de forma incontestável, lá para Maio. A pré-época é o momento de fazer o upload do sistema e construir o músculo financeiro e desportivo que nos permitirá concretizar os nossos sonhos e objetivos.

O desafio encarnado vive de uma dualidade constante. A nível nacional, somos obrigados a assumir o jogo e a furar barreiras. Na Europa, a realidade é outra: o risco de "décalage" — de intensidade, tática, de exigência técnica e mental — para as principais potências clubísticas europeias é muito considerável. Uma pré-época tem de preparar a equipa para esta dupla realidade. Sem os alicerces e uma estrutura física e tática pensada ao milímetro, o colapso no inverno é inevitável.

A primeira época de Roger Schmidt, no ano de 2022, foi um exemplo prático de como uma base bem montada no verão rende frutos. Construiu-se um "piloto automático" tão forte que nos demos ao luxo de vender o Enzo Fernández (o nosso melhor jogador) em janeiro, substituí-lo pelo Chiquinho, e o rolo compressor manteve o ritmo. É este o poder de uma pré-época de excelência: os processos sobrepõem-se aos nomes, e o coletivo absorve qualquer ausência.

É perante o cenário atual de desilusão que a aposta em José Mourinho, e a continuidade a longo prazo do seu projeto, se torna imperativa. Podemos perder tudo nesta péssima época, mas, em contraponto, poderemos começar já a ganhar a próxima. A mentalidade implacável e o pragmatismo de Mourinho são o antídoto exato para a falta de cultura de vitória nacional e europeia e para uma (recente) instabilidade que se pode tornar crónica.

Para potenciar a liderança de Mourinho, o sucesso do projeto assenta agora num planeamento estratégico de elevada precisão. O caminho para o êxito passa por consolidar uma estrutura organizacional robusta e totalmente alinhada com o rigor do treinador, substituindo o potencial improviso por uma antecipação de mercado exemplar.

O foco recai num recrutamento cirúrgico e atempado, garantindo que os novos talentos integrem o plantel logo no primeiro dia de estágio no Seixal. Esta integração precoce é a chave para que o modelo de jogo seja assimilado com serenidade, privilegiando a qualidade técnica e física em detrimento da quantidade. Ao criarmos este ambiente de estabilidade e união, permitimos que os reforços absorvam rapidamente o ADN do clube, blindando o balneário e preparando a equipa para entrar em campo com uma mentalidade vencedora desde o primeiro minuto da época.

Nunca temos margem para falhar. Mas para a próxima época, não temos mesmo nenhuma. Os alarmes já soaram e o tempo de remendos acabou.

Para o que resta desta época, em falta... surpreendam-nos! Mostrem que a chama ainda arde e que o caminho para o regresso à glória já começou a ser traçado, porque a partir de agora, o “quase” deixou de ser opção.

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