Entre a glória do Mundial e a urgência do Seixal

Um jogo de cavalheiros

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Miguel Saraiva
Miguel Saraiva
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 Enquanto o país ainda festeja o apuramento de ontem da Seleção Nacional para a próxima fase do Mundial, no Seixal o chip já teve de mudar. O silêncio das férias acabou e o Benfica de Marco Silva já está no relvado a preparar a nova época. Mas este arranque traz um quebra-cabeças gigante para o treinador. O relógio corre depressa, o primeiro jogo oficial está quase à porta e a equipa vai ter de começar a sério antes de estar verdadeiramente completa.

Planear uma pré-época nestas condições é uma autêntica dor de cabeça. Com o Mundial a decorrer em pleno mês de julho, o Benfica vê-se privado de vários dos seus melhores jogadores. Há peças fundamentais que ainda estão na luta pelas suas seleções ou que vão precisar de férias mais tarde. Na prática, Marco Silva está a treinar um Benfica "a meio gás" nas opções, mas com a obrigação de estar a 100% na exigência. Na Luz não há tolerância para desculpas e os primeiros pontos da época valem tanto como os últimos.

É por isso que os jogos particulares que aí vêm ganham uma importância redobrada. Esqueçam a ideia de que os amigáveis de verão servem só para dar espetáculo e rodar o plantel. Este ano, cada teste vai ser um ensaio geral acelerado. O treinador precisa de criar rotinas com os jogadores que tem disponíveis e montar uma equipa capaz de dar garantias imediatas. Quem ganhar a corrida nos treinos de julho vai ter a responsabilidade de assumir a titularidade nos primeiros jogos oficiais.

Para os adeptos, este cenário traz alguma ansiedade, mas para muitos jogadores é a oportunidade de uma vida. Sem os titulares habituais, que continuam com os olhos postos no Mundial, abre-se espaço para os jovens da formação e para os novos reforços mostrarem o que valem. É agora que se veem os homens. Quem souber aproveitar este arranque sem a sombra dos "pesos pesados" pode perfeitamente agarrar um lugar no onze e complicar a vida ao treinador mais à frente.

A gestão do Benfica nas próximas semanas terá de ser feita com pinças. Lançar os internacionais demasiado cedo quando regressarem do Mundial é um risco enorme de lesão; deixá-los de fora pode custar caro nos resultados. Quando a bola rolar no primeiro jogo a sério, ninguém vai querer saber se a preparação foi perfeita ou se faltavam jogadores. O futebol não espera por ninguém e o Benfica sabe que, este ano, parte do campeonato começa a ganhar-se agora, em pleno verão e com o Mundial na televisão.

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