Entre a Maia e o Olival, o FC Porto não precisava de promessas, precisava de visão
Um jogo de cavalheiros
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Durante anos, os adeptos do FC Porto ouviram falar da necessidade de uma academia moderna, capaz de colocar o clube ao nível europeu na formação, por conseguinte este tema nunca foi novo. O que mudou foi a forma como apareceu, em 2024, no centro da campanha eleitoral para a presidência do nosso clube, e de uma forma mais intensa na história recente do clube.
Depois de no ato eleitoral anterior a promessa de uma Academia portista, em Matosinhos ter sido o tema da campanha, em 2024, a chamada “Academia da Maia” surgiu como uma bandeira eleitoral da direção anterior, liderada pelo Presidente dos Presidentes, Jorge Nuno Pinto da Costa, apresentada já na reta final, e antes das eleições de Abril de 2024. O projeto era ambicioso, abrangia dezenas de hectares, dez campos, uma residência, um miniestádio e a promessa de entrar em funcionamento, no ano de 2026.
Mas, desde o primeiro momento surgiram dúvidas legítimas. Dúvidas financeiras, legais e até temporais. Como poderia um clube profundamente pressionado pelo fair-play financeiro avançar para um investimento desta dimensão? Como seria possível construir uma infraestrutura daquela escala em tão pouco tempo? E porque apareceu tudo com tanta urgência precisamente em período eleitoral?
A campanha acabou por transformar a academia numa arma política. O então candidato, André Villas-Boas, criticou duramente o processo, defendendo antes a construção de um CAR - Centro de Alto Rendimento, no Olival, em Vila Nova de Gaia, e relativamente perto das atuais instalações utilizadas pelo clube. Chegou inclusivamente a admitir rever ou rescindir contratos relacionados com a pretensa Academia na Maia, caso vencesse as eleições.
O tempo acabou por dar razão a quem defendia prudência e poucos meses depois das eleições, a SAD confirmou que o clube não tinha condições financeiras para continuar o processo de aquisição dos terrenos na Maia. A Academia que tinha sido apresentada como inevitável afinal não era sustentável.
E aqui está o verdadeiro problema, os adeptos perceberam que o projeto da Maia parecia mais pensado para ganhar votos do que para garantir estabilidade ao futuro do clube. Isso não significava que o projeto da Academia na Maia não tivesse qualidades, mas um clube como o FC Porto não pode construir infraestruturas estratégicas movido pela pressão eleitoral ou pela necessidade de criar impacto mediático, precisava sim de planeamento, credibilidade e sustentabilidade.
Salvo melhor opinião, o projeto do CAR, no Olival, acaba por representar precisamente o contrário, menos mediatização e mais racionalidade. A proximidade à estrutura profissional, a continuidade de um espaço já ligado ao clube e a possibilidade de integrar formação e alto rendimento parecem fazer mais sentido em termos desportivos e financeiros.
No fundo, toda esta história deixou uma lição importante. O FC Porto perdeu demasiado tempo sem resolver definitivamente a questão da formação. Enquanto os rivais consolidavam academias modernas e integradas, os dragões continuaram presos a soluções dispersas e promessas adiadas. A campanha eleitoral apenas expôs esse atraso estrutural.
Hoje, mais do que discutir se deveria ser na Maia ou no Olival, importa garantir que finalmente exista uma visão séria e realista para o futuro, porque o FC Porto não precisa de maquetes para ganhar eleições, precisa de um projeto sólido para voltar a formar campeões e logo numa época que agora termina com o êxito nos seniores e nas equipas mais jovens.