Os primeiros passos de um Benfica com boas energias
Um jogo de cavalheiros
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A pré-época tem sempre este lado bom: traz a esperança renovada, novos rostos e aquela vontade de voltar a ver a bola a rolar. Para os lados da Luz, o arranque da era Marco Silva teve no Algarve o seu primeiro grande teste de fogo. O duelo com o Flamengo não era um desafio fácil, até porque o conjunto brasileiro trazia uma rodagem e um ritmo de jogo bastante superiores nesta altura do ano. Ainda assim, apesar da vitória ter sorrido à equipa do Rio de Janeiro, o relvado deixou sinais muito claros de que este Benfica tem ideias bem assentes e razões para olhar em frente com otimismo.
Mesmo a dar os primeiros passos de trabalho, a equipa mostrou vontade de mandar no jogo. Viu-se um Benfica a querer pressionar alto, a sair a jogar desde trás e a procurar articular bem os seus setores. Faltou, como é natural a esta altura de julho, um pouco mais de rapidez na decisão e aquela ponta de perigo no ataque. Mas a atitude esteve lá e a resposta dada frente a um adversário forte serviu para mostrar que a mensagem do novo treinador está a passar rapidamente para o balneário.
Além disso, este tipo de partidas serve precisamente para dar minutos e palco a quem procura afirmar-se. Vimos vários jovens e jogadores de rotação a responder com personalidade e sem medo de assumir a bola contra um gigante do futebol sul-americano. Essa capacidade de dar resposta em cenários exigentes é um excelente indicador para a profundidade do plantel, demonstrando que Marco Silva vai ter alternativas válidas no banco quando a maratona de jogos começar.
Com o Mundial já terminado para a nossa seleção, o momento não podia ser mais propício para o projeto dar o salto seguinte. O grupo prepara-se para ficar finalmente completo e o regresso dos internacionais ao Seixal vai trazer a qualidade e a experiência que faltavam no Algarve. Marco Silva vai poder juntar as pedras todas do seu xadrez, aumentando a concorrência por cada vaga no onze e dando mais soluções e maturidade ao jogo da equipa.
É verdade que o tempo não espera por ninguém e que os primeiros jogos a doer estão aí à porta. No entanto, este ensaio cumpriu na perfeição o seu papel de afinar a máquina e expor os aspetos que ainda precisam de acerto. Com a casa cheia no Seixal, os habituais titulares de volta e uma massa associativa empolgada, o Benfica tem tudo do seu lado para crescer rápido, ganhar ritmo e arrancar a época com a força e as vitórias que os adeptos exigem.