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O Circuito Internacional de Vila Real está de volta: seis provas, velocidade e muita adrenalina

A 51.ª edição do evento na capital transmontana vai receber a 5.ª etapa da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR) e muito mais.

Os motores estiveram frios durante dois anos, por força da interrupção provocada pela pandemia da Covid-19, mas eis que em 2022 as chaves voltam a estar nas ignições e as pistas de Vila Real preparam-se para reabrir portas a um dos maiores eventos do desporto motorizado no País. De 1 a 3 de julho, vai decorrer na cidade a 51.ª edição do Circuito Internacional de Vila Real, cuja história se iniciou há mais de 90 anos, em 1931. A 5.ª etapa da Taça do Mundo de Carros de Turismo (WTCR) é o prato forte, parte importante de uma agenda preenchida de novidades para os entusiastas das corridas… e não só. Venha daí nesta viagem porque não vamos deixar nada por contar.

Vila Real será a quinta paragem das 10 jornadas que compõem o calendário da Taça do Mundo de Carros de Turismo, que substituiu o Campeonato do Mundo de Carros de Turismo (WTCC) – já o circuito de Macau recebe a última etapa, a 20 de novembro. Voltando a Vila Real, a prova em solo nacional, com a qualificação no sábado (dia 2) e a corrida no domingo (dia 3), é de boa memória para um… português, Tiago Monteiro, que ali, em 2019, voltou às vitórias após o grave acidente que sofrera dois anos antes. O piloto da Honda tentará, neste fim de semana, em Portugal, fazer um brilharete naquela que será a sua 16.ª época consecutiva a participar na competição.



Campeão é favorito


O favorito nas casas de apostas é, porém, o francês Yann Ehrlacher (Lynk & Co), campeão em título. Para reeditar o sucesso, terá de ser mais rápido do que os restantes 16 pilotos, entre eles o compatriota e colega de equipa Yvan Muller (Lynk & Co), o espanhol e atual líder Mikel Azcona (Hyundai) ou o britânico Rob Huff Rob Huff (Cupra).

Independentemente de não estarem representados construtores a nível oficial, nem por isso faltará adrenalina e velocidade. Os carros dos cinco construtores participantes (Audi, Cupra, Honda, Hyundai e Lynk & Co) alcançam os 360 cavalos e podem atingir os 260 quilómetros por hora. Já o traçado tem 4,6 quilómetros de extensão.






Vila Real ao rubro


Se as últimas linhas já o deixaram com vontade de ir de malas e bagagens para Trás-os-Montes, aguente a marcha… porque há mais. É que o WTCR é ‘somente’ uma de seis provas que o Circuito Internacional de Vila Real vai acolher, pois ainda existe alcatrão para as emoções do Campeonato de Portugal de Velocidade, o Campeonato de Portugal de Velocidade ‘Legends’, o Campeonato de Portugal de Velocidade Clássicos, o Campeonato de Portugal de Velocidade 1300 e a KIA GT Cup.

O acesso ao perímetro do circuito é livre, porém quem quiser aceder às bancadas ou ao ‘Paddock’ necessita de bilhete, que pode ser adquirido nas bilheteiras ou online. O evento, refira-se, é organizado pela APCIVR, o Clube Automóvel de Vila Real e o município e conta com o apoio de voluntários, bombeiros, forças de segurança e Infraestruturas de Portugal.





Animação continua fora das pistas


O automobilismo domina no Circuito Internacional de Vila Real, no entanto, há muito mais a oferecer fora das pistas. A organização preparou um programa de eventos culturais, de concertos a exposições, para animar (ainda mais) o público presente. No dia 1 de julho, a Praça do Município recebe, às 22 horas, o concerto pela Orquestra Ligeira do Exército. Já no dia seguinte, no mesmo local e hora, é a vez de os Xutos & Pontapés subirem ao palco e pouco depois, à meia-noite, a animação continua com o DJ Wilson Honrado.

Nota, ainda, para duas exposições de fotografias: a primeira intitulada ‘Viagem pela História’, no Nosso Shopping, com imagens cedidas pelo Museu do Som e da Imagem e relativas ao longo passado do circuito, e a retrospetiva da 50.ª edição, no Museu de Arqueologia e Numismática Shopping, inaugurado no dia 22 de junho, quarta-feira. Sublinhe-se, ainda, que Vila Real será palco para filmagens de uma obra de distribuição internacional ligada à velocidade.



Um circuito inigualável


A estreita ligação entre Vila Real e o desporto motorizado já data de há quase um século, desde que na cidade um grupo de entusiastas organizou feiras e gincanas automóveis. O dia 15 de junho de 1931 fica marcado como o arranque da primeira edição do Circuito Internacional de Vila Real, por iniciativa da referida comissão e com o contributo de personalidades locais, entre eles Aureliano Barrigas, e da Secção Regional do Norte do Automóvel Clube de Portugal.





A pista tinha, então, uma extensão de 7.150 metros e os participantes tinham de completar 20 voltas, num total de 143 quilómetros. Apesar de se terem verificado alguns problemas inerentes às condições do terreno, que por ser em terra batida levantava pó, a criatividade ajudou a contornar os obstáculos que se colocavam. Um deles o ‘fardo’ na carteira que implicava o planeamento das provas, aligeirado com a criação de um imposto, no ano anterior, sobre cada quilo de carne, a reverter para a organização da competição.

A primeira edição foi um sucesso e a satisfação ficou patente nas palavras de um dos pilotos, Gaspar Sameiro. “Estou contente, pois fiz a corrida sem me sujar de poeira; fechei as janelas do cabriolet, carreguei no acelerador… E cheguei primeiro. Era tudo quanto desejava, sobretudo… Não apanhar muita poeira”, afirmou, ao ‘O Volante’.



Interrupções e regressos com nomes sonantes


As pistas voltaram a abrir portas nos anos que se seguiram, exceto em 1935. Dos oito pilotos em 1932, o número de participantes e público subiu de forma gradual, em parte graças à internacionalização do circuito e à adesão dos estrangeiros. Já com os pisos em alcatrão, houve melhores condições para admirar os Bugatti 35 C/ 51, os Alfa Romeo 6C e 8C, os Ford V8 ou o BMW315 de um nome bem conhecido dos portugueses, o cineasta Manoel de Oliveira, que correu em 1936.

A Segunda Guerra Mundial forçou a interrupção das provas em Vila Real, que só regressaram em 1949. Depois de um novo interregno prolongado, de oito anos, em 1966 os motores voltaram e logo com potência redobrada, dado que a velocidade média dos Turismos e Fórmulas já alcançava a fasquia dos 152.570 km/h. Em 1967, eis a estreia dos famosos Porsche preparados na Garagem Aurora, do Porto, que Michael Grace De’Udy guiou até à vitória na categoria de Sport e Sport Protótipos no seu Lola T 70 MK III. Outro ponto alto foram as Corridas de Fórmula 3, onde brilhou o português Carlos Gaspar, que ainda hoje detém o recorde de velocidade do circuito (178,171km/h).





A edição em 1968 é igualmente importante, pois foi neste ano que a pista voltou a ser melhorada, desde a introdução de novos rails à construção de uma bancada que albergava mais de mil pessoas. Foi também neste ano que a Comissão Desportiva Nacional instituiu a categoria de “Turismo de Série”, liderada pelo Alfa Romeo 1750 de António Peixinho.

Com a popularidade do circuito a atingir níveis nunca antes vistos na década de 70, o Governo proibiu as competições automóveis devido à crise do petróleo, o que, a juntar à revolução de 1974, levou a novo interregno nas competições até 1979. Entre constantes altos e baixos, e já no séc. XXI, entre 2007 e 2010, a fraca conjuntura económica nacional impediu o ressuscitar do circuito.



De novidade em novidade até hoje


Em 2014, foi dado novo ‘empurrão’ ao circuito graças à fundação da APCIVR (Associação Promotora do Circuito Internacional de Vila Real), em parceria com o município de Vila Real e o Clube Automóvel de Vila Real, que colocaram uma vez mais as corridas no coração de Vila Real. O ano seguinte trouxe mais uma excelente notícia com a assinatura do acordo com a Eurosport Events para a vinda do Campeonato do Mundo de Carros de Turismo FIA (WTCC) a Trás-os-Montes. Na segunda presença da prova em Portugal, em 2016, Tiago Monteiro venceu a corrida 2 e fez explodir a festa local. Já em 2017, o português subiu duas vezes ao pódio no último ano do WTCC.





De novidade em novidade, destaque, em 2018, para a nova Taça do Mundo de Carros de Turismo FIA (WTCR). No ano seguinte, assistiu-se a nova vitória de Tiago Monteiro, o último ponto alto de festa antes da interrupção forçada devido à pandemia. Três anos depois, o circuito vai reabrir e de forma a honrar o seu passado, o cartaz, com um fundo vermelho, é ilustrado por imagens de carros que competiram em Vila Real nos últimos 91 anos.






Miguel Oliveira é nome de peso

A etapa do Campeonato de Portugal de Velocidade vai contar com grandes nomes, um deles bem conhecido do público português. Miguel Oliveira, piloto de MotoGP da KTM Factory Team, vai disputar a prova num Hyundai i30N TCR. Como em 2021, então no Circuito de Estoril, o embaixador da Hyundai volta a partilhar o volante com o seu pai Paulo Oliveira. “Para quem tem adrenalina no sangue não posso dizer que vou passear, mas sim dar o meu máximo”, prometeu o piloto de Almada.