DVD Clássicos: A amizade pode ser maior do que o dérbi

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Hilário jogou 15 épocas no Sporting, desde o final da década de 50 até 1972. Fez 331 jogos no escalão principal, e entre campeonato e Taça disputou 33 clássicos com o Benfica. "Só jogos oficiais, porque não havia particulares com o rival", recorda.

O antigo lateral-esquerdo, hoje com 77 anos, podia passar o dia inteiro a contar histórias desses tempos mas escolheu uma em particular, pois revela o valor da amizade, acima da rivalidade.

O episódio aconteceu no final da época 1961/62, pouco depois de o Benfica se sagra bicampeão europeu. Na última jornada da 1ª Divisão, o Sporting recebia o Benfica e o FC Porto ia a Guimarães. Os leões só precisavam de fazer melhor resultado que os dragões para serem campeões.

"O Juca [treinador] disse-me para telefonar aos meus ‘irmãos’ para saber se eles queriam mesmo ganhar o dérbi? Liguei para o Coluna e ele disse que era indiferente. Já o Eusébio disse-me que se ninguém entrasse duro, não se importava com o resultado", recorda Hilário. O Sporting esteve a vencer por 2-0 mas o defesa José Carlos não parava de entrar duro sobre Eusébio, que foi pedir explicações ao amigo Hilário. "Tive de dizer ao Zé Carlos para não lhe bater mais. O problema é que ele não ligou e continuou a bater. O Eusébio chateou-se e marcou o 2-1, de livre. Depois disso, fui ter com ele, e no nosso dialeto de Moçambique pedi-lhe para trocar de flanco com o Zé Augusto. Veio o Eusébio para a direita, passei eu a marcá-lo e não houve mais problema. Ganhámos por 3-1 e fomos campeões", conta o internacional.

Nessa noite, depois de festejar em Alvalade, Hilário esteve com os ‘irmãos’ Eusébio e Coluna, que o felicitaram pelo título.

Mais de três décadas depois, Bruno Basto estreou-se num clássico. O jogador, formado no Benfica, já tinha defrontado o rival da Segunda Circular nos escalões de formação mas diz que em seniores é "outra coisa", e o seu primeiro clássico considera-o mesmo o mais marcante.

"Tinha-me estreado pelo Benfica na semana anterior, contra o Rio Ave, e quando fui convocado até pensei que seria apenas para ir a Alvalade mas depois seguir para a bancada", começa a contar Bruno Basto, agora com 38 anos.

"Lembro-me de tudo, da viagem com escolta da polícia, da chegada a Alvalade a sermos insultados pelos adeptos rivais e da surpresa de ir para o banco. Entrei para os últimos 15 minutos, para o lugar do Nuno Gomes, e ainda participei no último golo. Roubei a bola ao Luís Miguel e passei ao João Pinto, que após uma tabela marcou o 4-1. Foi inesquecível, estrear-me em dérbis, e com uma goleada em casa do rival foi uma coisa muito especial", conta.

Bruno Basto recorda outros pormenores desse jogo: "O estádio estava cheio e o Sporting era favorito, nós não estávamos muito bem nessa fase. Lembro-me que se falou muito durante a semana pelo facto de o nosso presidente [Vale e Azevedo] ir ver o jogo na bancada, com os adeptos. No final, fizemos uma grande festa no balneário. As vitórias sobre o rival eram mais valiosas, e ganhar 4-1 em Alvalade não acontece todos os dias."

Por Miguel Amaro
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