Boxe é uma arte

O centro do relvado do Parque de Jogos 1.º de Maio acolheu o ringue e este nunca esteve vazio! O boxe cativa multidões
• Foto: Mariline Alves

Com mais de 40 modalidades, o boxe foi, como tem sido recorrente ao longo destas 10 edições, uma das que atraiu mais participantes no Record Challenge Park. “Este desporto não é aquilo que as pessoas pensam . O boxe não é luta, não é guerra, o boxe é arte , é esgrima de punhos, de pernas. É um desporto inteligente para pessoas inteligentes como o xadrez, saber mexer as peças na altura certa”, sublinhou Jorge Pina, antigo pugilista campeão nacional que é um exemplo de superação e, também por isso, abrilhantou o dia no Parque de Jogos 1º de Maio, com muita gente a querer mergulhar no Mundo do boxe, aprendendo com os treinadores da Academia Jorge Pina e também com a Escola João Faleiro. “Façam desporto todos os dias, não só num dia marcado como o de hoje. O desporto é para a vida inteira”, atira.

Pina sempre usou a bandeira do desporto para valores nobres como o da inclusão social e defende também que iniciativas como esta no INATEL, em Lisboa, são “importantes” para atrair mais famílias para práticas saudáveis e que promovem o bem-estar físico e também mental. “Um evento desta natureza traz bastantes pessoas a praticar desporto. Aqui têm a possibilidade de experienciarem uma grande diversidade de modalidades. O desporto é lazer , alegria e partilha”, reforçou o antigo campeão nacional de boxe junto ao ringue colocado no centro do evento, como um dos principais pólos de atração dos participantes.

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Abelo de Jesus, campeão nacional de boxe e antigo responsável técnico do boxe adaptado, também esteve a mostrar que este desporto é para todos. “As pessoas quando experimentam gostam e isto dá-lhes motivação. Conseguem ter auto-estima para fazerem algo em vez de estarem parados. Porque eles são iguais a todos nós, um pouco diferentes, mas todos iguais! Gosto de ajudar e é isso que estou aqui também a fazer”, disse. 

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A atmosfera de entusiasmo vivida pela multidão de desportistas anónimos no coração da capital deixou Jorge Pina, que representou o Sporting a nível nacional e Portugal internacionalmente, de coração cheio. “Sentir a energia e aquilo que o desporto nos dá. É isso que nós queremos quando incentivamos as pessoas para a prática desportiva”, concluiu, para, logo depois, continuar a ensinar os “golpes diretos à vida” que tanto enfatiza aos muitos aprendizes desta arte marcial.

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Apesar da tragédia vivida em 2004, quando problemas de saúde irreversíveis durante um treino lhe tiraram a visão, o antigo lutador não perdeu a paixão pelo desporto. Reinventou-se como atleta paralímpico, dedicando-se à corrida e ao ciclismo adaptado, e transformou a adversidade numa grande lição de superação e humanidade tendo como veículo o desporto.

A criação da Associação Jorge Pina, em Marvila, também foi um marco relevante que promove a inclusão social de jovens utilizando o desporto e a educação. Percurso inspirador que faz de Jorge Pina uma referência para novas gerações. 

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