Sob uma temperatura de cerca de 10 graus centígrados, foram os argentinos do Boca Juniors a aquecerem o ambiente com a festa que sucedeu ao triunfo ante o AC Milan, este último incapaz de, com a ansiada vitória, ultrapassar o "igualado" Real Madrid como clube com mais títulos internacionais coleccionados (14).
Tratou-se uma partida invulgar, que entrecortou longos períodos de um tedioso marasmo com outros, bem mais curtos, de emoção e fruição táctica. Foi, aliás, num destes últimos (entre os 23 e 29 minutos) que chegaram os tentos obtidos no tempo regulamentar: o primeiro graças a uma fenomenal assistência de Pirlo; o dos "xeneize" após trabalho meritório de Schelotto.
Prometia o encontro, mas, à excepção de um tiro de Kaká ao poste esquerdo, aos 31 minutos, a história do primeiro tempo foi construída à base de demasiada constrição táctica.
Segunda parte só "deu" Boca
Se a partida se havia pautado pelo equilíbrio, na etapa complementar foi por demais evidente o domínio "Bostero" que, todavia, não conseguiu concretizar em golos. De bocejo em bocejo, concluiu-se o tempo regulamentar, e na travessia pelo "deserto" do prolongamento o único "oásis" foi uma soberana oportunidade de Shevchenko, anulada por "Pato" Abbondanzieri.
Na lotaria das grandes penalidades, Pirlo, Seedorf e Costacurta - especialmente este - "traíram" as ambições "rossoneras", com Schiavi, Battaglia, Donnet e Cascini a não mostrarem as fragilidades opositoras.
No final, Maradona - atento espectador - falou num "banho de futebol", Ancelotti admitiu a má exibição do Milan, e o pupilo Seedorf, um dos que falhou nos "penalties", referiu que só se aprestou a marcá-lo dado que "alguns colegas não se sentiram capazes disso".
Rui Costa foi o único a converter o 'penalty'
Tal como era esperado, as cautelas tácticas de Ancelotti impediram a utilização em simultâneo de Rui Costa e Kaká, tendo o italiano optado pelo jovem médio brasileiro para a equipa titular. Não foi feliz a escolha de "Carletto". Exceptuando alguns momentos intermitentes, esteve apagado Kaká, substituído pelo "maestro" português aos 78 minutos.
Três minutos depois, Rui Costa foi autor de um perigosíssimo remate, a que se adiram algumas mais iniciativas, inconsequentes. Honra lhe seja feita, o luso não "soçobrou" na "lotaria" das grandes penalidades, tendo apontado o único tento do Milan naquela fase decisiva.
A terceira Taça do grande Bianchi
Naturalmente "embriagado" de satisfação estava Carlos Bianchi, laureadíssimo técnico argentino, que ontem somou o terceiro triunfo na competição (Veléz Sarsfield, em 1994, ante o... Milan; em 2000, já com o Boca Juniors, ante o Real Madrid).
"Jogámos a um nível altíssimo, frente ao campeão da Europa, o que é um enorme orgulho. Estes 'muchachos' merecem tudo", começou por afirmar, concluindo: "Confiámos sempre nas nossas qualidades, e não demos demasiada importância ao nome do adversário. A tranquilidade deu-nos a confiança necessária para vencer."
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