O boicote da UEFA a todas as provas da FIFA rebentou como uma bomba na indústria do futebol e pode ter implicações verdadeiramente catastróficas no futuro. Se as seleções europeias deixarem de participar nas grandes competições, o cenário competitivo muda radicalmente e os certames mais importantes iriam naturalmente perder uma boa dose de interesse. A primeira amostra está reservada já para 5 de setembro, dia em que arranca o Mundial sub-20 feminino, precisamente antes da data limite - 19 desse mesmo mês - estabelecida por Gianni Infantino para as 55 federações europeias responderem à sua proposta. Aí já teremos a primeira amostra do que esta posição de força poderá causar, mas podemos sempre olhar para o mais recente Mundial das Américas, ganho pela Espanha, e fazer um mero exercício de imaginação.
Ora, no último Campeonato do Mundo participaram 16 seleções europeias, sendo que 13 das quais chegaram à fase a eliminar, concretamente aos 16 avos. Só por este dado já dá para perceber o peso que o futebol europeu tem, mas claro que a amostra fica ainda mais claro com o avançar da competição. Nos quartos de final, só duas das oito seleções não eram europeias. Falamos de Marrocos e da finalista Argentina, sendo que a turma africana perdeu com a França e caiu precisamente nessa fase. Ou seja, a espetacularidade e incerteza que se viveu no último Mundial e que se vive habitualmente nestas competições mudaria por completo sem as formações do velho continente.
Aliás, se olharmos para o Mundial de Clubes realizado no ano passado, o cenário é em tudo semelhante. Aos quartos de final chegaram cinco clubes europeus e três fora, sendo que apenas os brasileiros do Fluminense conseguiram chegar às meias-finais. A final foi disputada entre Chelsea e Paris Saint-Germain, com a turma inglesa a levantar o caneco.
Caso o braço de ferro avance, estas grandes provas vão 'sofrer' e é preciso lembrar que o próximo Mundial masculino será acolhido por Portugal e Espanha, dois países europeus, em conjunto com Marrocos. É certo que isto está tudo numa fase embrionária, mas provavelmente a organização da competição teria que ser revista. É de ficar atento aos próximos capítulos...