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A mais recente proposta colocada em cima da mesa por Gianni Infantino, presidente da FIFA, em que este manifestou a intenção de vender participações (um total de 20%) do Mundial a investidores privados, continua a gerar polémica e a motivar reações dos próprios responsáveis da organização. Depois da demissão do conselheiro Carlos Cordeiro, agora foi a vez de Kevin Lamour, diretor de operações, reagir, reprovando a ideia.
"Desde que entrei para a FIFA, há pouco menos de dois anos, tenho passado de surpresa em surpresa. Já vi o suficiente para dar uma grande série. Mas o que foi anunciado nos últimos dias e o que tem vindo a acontecer nos bastidores nos últimos meses desafia a crença e a imaginação", começou por referir o dirigente, num comunicado divulgado pela Associated Press.
E prosseguiu: "Para ser muito claro e direto: o projeto que tanto debate e controvérsia tem gerado não é um projeto da FIFA. É ainda menos um projeto da administração da FIFA. É o projeto de uma única pessoa. Não só este projeto não deve ir em frente - por razões óbvias que nem precisam de ser enumeradas aqui -, como chegou o momento de os líderes políticos do futebol colocarem a si próprios as perguntas certas e tomarem as decisões corretas. Em relação a este projeto e ao que vem a seguir. Todos têm de assumir as suas responsabilidades. Porque está a tornar-se cada vez mais difícil para a administração da FIFA trabalhar nestas condições e cumprir a sua missão".
Além de sublinhar que a missão da FIFA é "servir o futebol e não os interesses individuais de uma pessoa", Lamour refere ainda que Infantino deveria "aproximar as pessoas, uni-las e inspirá-las", lamentando que, neste momento, se esteja "a viver precisamente o oposto".
A fechar, Lamour deixa uma mensagem forte: "Sei que tenho um dever de lealdade para com o meu empregador. Mas também, e acima de tudo, tenho um dever de lealdade perante certos valores e a educação que recebi, bem como o dever de apoiar os meus colegas. E se isso significar perder o meu emprego, que seja. Entenderei e respeitarei essa decisão. Ao menos, logo à noite durmo de consciência tranquila".
Leia o comunicado de Kevin Lamour na íntegra:
"Desde que entrei para a FIFA, há pouco menos de dois anos, tenho passado de surpresa em surpresa. Já vi o suficiente para dar uma grande série. Mas o que foi anunciado nos últimos dias e o que tem vindo a acontecer nos bastidores nos últimos meses desafia a crença e a imaginação.
Para ser muito claro e direto: o projeto que tanto debate e controvérsia tem gerado não é um projeto da FIFA. É ainda menos um projeto da administração da FIFA. É o projeto de uma única pessoa.
Os Vice-presidentes da FIFA, os membros do Conselho da FIFA, as confederações, as federações, os jogadores, as ligas, os clubes e os adeptos não foram os únicos a ser ignorados. A própria administração da FIFA também foi enganada. Esta mentira por omissão ao longo de muitos meses e este exercício unilateral de poder não são triviais. São indicativos de uma falta de confiança, de uma falta de transparência, de uma falta de discernimento, de uma falta de boa governação. E de uma grave falta de respeito.
Não só este projeto não deve ir em frente — por razões óbvias que nem precisam de ser enumeradas aqui —, como chegou o momento de os líderes políticos do futebol colocarem a si próprios as perguntas certas e tomarem as decisões corretas. Em relação a este projeto e ao que vem a seguir. Todos têm de assumir as suas responsabilidades. Porque está a tornar-se cada vez mais difícil para a administração da FIFA trabalhar nestas condições e cumprir a sua missão.
A nossa missão — a missão das centenas de colaboradores da FIFA, apaixonados, dedicados e exemplares — é servir o futebol. Não é servir os interesses pessoais de uma pessoa que, infelizmente, julga personificar a FIFA quando devia estar ao seu serviço.
Um presidente deve aproximar as pessoas, uni-las e inspirá-las. Hoje, estamos a viver precisamente o oposto.
Não tenho autoridade para falar em nome dos meus colegas e posso estar enganado. Mas o meu sentimento é que todos queremos ter orgulho em trabalhar para a FIFA e hoje, infelizmente, parece que já não é esse o caso para muitos de nós. Isso entristece-me. Os meus colegas — alguns dos quais dedicaram a sua vida ao futebol — merecem melhor do que desprezo e intimidação.
A bola está agora no lado daqueles que têm o poder de mudar as coisas.
Sei que tenho um dever de lealdade para com o meu empregador. Mas também, e acima de tudo, tenho um dever de lealdade perante certos valores e a educação que recebi, bem como o dever de apoiar os meus colegas. E se isso significar perder o meu emprego, que seja. Entenderei e respeitarei essa decisão. Ao menos, logo à noite durmo de consciência tranquila".