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A REVISTA francesa “France Football” confirmou segunda-feira que Luís Figo ganhou a “Bola de Ouro” do ano 2000, batendo o internacional gaulês Zidane por 16 votos. Dos 51 jornalistas dos países europeus filiados na UEFA que participaram na votação, apenas cinco não votaram no futebolista português (curiosamente, o espanhol foi um deles...), pelo que Figo conquistou o troféu destinado a premiar o melhor jogador a actuar no “Velho Continente” - Zidane recebeu mais citações para o primeiro lugar (24 contra 20), mas o lusitano foi mais pontuado graças ao número de segundos lugares (21 para seis).
Para Figo, a revelação de segunda-feira não foi surpresa, uma vez que o jogador do Real Madrid já tinha sido convidado para a sessão de fotografias que terça-feira ilustra a edição da prestigiada “France Football”. Mas, a desejada “Bola de Ouro” que irá para a colecção de troféus do português ainda não está em sua posse: irá ser entregue, pelo director da “France Football”, apenas no princípio de Janeiro, antes de um dos jogos do Real Madrid.
Figo é assim o segundo futebolista português a receber o galardão. Antes, em 1965, Eusébio foi também destinguido com o troféu, numa altura em que “apenas” entravam na votação os futebolistas europeus (só em 1995 essa regra foi alterada).
Família, colegas e portugueses
“Estou muito feliz, este é um galardão que tem um prestígio enorme. Só os maiores podem ter este reconhecimento e isso enche-me de orgulho”, afirma o português na entrevista concedida ao bissemanário gaulês, terça-feira publicada.
“Dedico este prémio à minha mulher Hellen e à minha filha Daniela, que sofrem com as minhas ausências no mundo do futebol e aguentam os meus maus momentos. Também o dedico aos meus colegas, do Barcelona, Real Madrid e selecção portuguesa, porque sem eles não o tinha ganho. E, obviamente, a todos os portugueses”, afirma Figo antes de elogiar o seu grande rival Zidane (“graças a ele a França conquistou dois títulos”) e o amigo Raúl (“pagou a carreira da Espanha no Europeu”).
O regresso a Camp Nou (“foi muito duro, nunca o vou esquecer”) e o futuro da selecção portuguesa (“há uma grande unidade na equipa e eu espero estar no Mundial do Japão”) são outros assuntos abordados pelo internacional português na hora da justa consagração.
Eusébio
(Bola de Ouro da "France Football" em 1965)
"É uma honra para o futebol português. Após perder o prémio da FIFA, considero que a 'France Football' reconheceu o seu valor. Foi um prémio bem merecido e eu estou muito feliz, porque sou seu amigo", reagiu o "Pantera Negra", vencedor do galardão em 1965.
José Lello
(Novo titular da pasta do Desporto)
"Foi um acto de justiça, através de um galardão de grande prestígio, a confirmar o valor, a qualidade do atleta e o carácter desse grande cidadão que é Luís Figo", frisou José Lello, o novo titular da pasta do Desporto em substituição do demissionário Armando Vara.
Costinha
(médio português do Monaco)
"É uma bela recompensa para o futebol português, cujo poderio é cada vez maior. Figo merece esta Bola de Ouro, pois fez tudo para a conseguir. É alguém muito respeitado no mundo do futebol. Provou em Barcelona que sabia tornar-se indispensável numa equipa. Penso que é pela sua passagem pela Catalunha que teve direito a esta recompensa", atirou o médio do Monaco.
Paulo Futre
(Bola de Prata da "France Football" em 1987)
"A justiça foi reposta. Ele é, sem dúvida, o melhor", afirmou Paulo Futre, actual director-geral do Atlético Madrid e Bola de Prata da referida revista francesa em 1987.
Zinedine Zidane
(Bola de Prata da "France Football", atrás de Figo)
"Já ganhei noutra ocasião. Lamento ter perdido, mas é assim", declarou o médio francês Zinedine Zidane, Bola de Prata da "France Football" a 16 votos de Figo.
Fernando Hierro
(companheiro de Figo no Real Madrid)
"Figo merece o prémio. É um campeão", assinalou Fernando Hierro, subcapitão do Real Madrid.