NINGUÉM teve tanta influência, ninguém mudou tanto a forma de jogar futebol como Cruijff, o homem que transformou a modesta Holanda numa potência mundial, que indicou o caminho da supremacia europeia ao Ajax e que devolveu os títulos de campeão espanhol ao Barcelona.
Por alguma razão, Alfredo Di Stéfano descreveu Cruijff da seguinte maneira: "Não é um avançado, mas marca golos; não é um defesa, mas raramente perde no um para um; não é um médio, mas joga para os companheiros."
Cruijff foi, de facto, um revolucionário. Para ele, não havia posições fixas no terreno. Era o tempo do denominado "carrossel", que o técnico Rinus Michels deu forma com o epíteto de "futebol total".
O melhor jogador holandês de todos os tempos, considerado por muitos como o melhor europeu de sempre e por isso justamente apelidado de "Pelé branco", rompeu com a tradição e isso deve ele à persistência da mãe, empregada de limpeza nos escritórios do Ajax.
Aos 12 anos, Cruijff surpreendeu um massagista do clube (Henk) ao dar, repetidamente, 150 toques consecutivos. Daí aos juvenis foi um passo. Com 14 anos (e assim se explica a escolha pela camisola 14 para alguns "observadores"), sagra-se campeão da categoria e melhor marcador.
Aos 17 (15 de Novembro de 1964), já é titular do Ajax e aos 19 estreia-se na selecção e logo com um golo à Hungria (2-2) nos "descontos". Estava dado o mote para uma carreira de glória, que inclui momentos sublimes, como as três vitórias seguidas na Taça dos Campeões pelo Ajax, os 5-0 no Real Madrid-Barcelona em pleno Santiago Bernabéu (74), o consequente título de campeão dos catalães (quebrando um jejum de 14 anos) e as inéditas três Bolas de Ouro. Depois, só Platini e Van Basten conseguiram imitá-lo.
Na selecção, também não lhe foi difícil arrecadar protagonismo. Em 74, capitaneou a "Laranja" para o segundo lugar no Mundial; quatro anos depois, não participou por oposição ao regime ditatorial do argentino Videla.
Isso marcou o adeus à selecção, mas não à carreira, que ainda passou pelo futebol norte-americano, pela II Divisão espanhola (Levante), antes do regresso à pátria para representar o Ajax (despedida a 14 de Maio de 83) e o rival Feyenoord. A extraordinária carreira chega ao fim no dia 29 de Maio de 84.
A partir de 1985, torna-se treinador e com sucesso. Ganha uma Taça das Taças pelo Ajax (87), uma Liga dos Campeões (92) e quatro campeonatos espanhóis seguidos pelo Barça. Foi ainda o responsável pela ida de Figo para a Catalunha.
Quem é quem
Nome completo: Hendrik Johannes Cruijff
Posição: Todas menos a de guarda-redes
Data de nascimento: 25.04.47 (Amesterdão, Holanda)
Carreira: Ajax (1964-73), Barcelona (73-78), Los Angeles Aztecs (79), Washington Diplomats (80), Levante (81), Ajax (81-83), Feyenoord (83-84)
Títulos: 3 Taças dos Campeões (71, 72 e 73), 1 Taça Intercontinental (72), 1 Supertaça Europeia (73), 9 Campeonatos holandeses (66, 67, 68, 70, 72, 73, 82, 83 e 84), 6 Taças da Holanda (67, 70, 71, 72, 83 e 84), 1 Campeonato espanhol (74) e 1 Taça de Espanha (78)
Prémios pessoais: Bola de Ouro da "France Football" (71, 73 e 74), Melhor marcador do campeonato holandês (67 e 72); Desportista do Ano na Holanda (71, 73, 74, 83 e 84)
Na selecção da Holanda: 48 jogos (34 como capitão) e 33 golos
Figuras dos anos 70 a 90
FRANCO BARESI (08.05.1960, em Itália)
Jogou de 1978 a 1997
Carismático defesa e capitão do Milan, onde esteve 19 épocas, incluindo duas na II Divisão (81 e 83). Marcou presença em quatro Mundiais (de 82 a 94), mas só jogou nos dois últimos, falhando um "penalty" com o Brasil na final de 94.
GARY LINEKER (30.11.1960, em Inglaterra)
Jogou de 1978 a 1993
Em 15 anos de carreira, nunca viu um cartão (amarelo ou vermelho), o que lhe valeu a alcunha de "Mr. Clean" (Sr. Limpo). Artilheiro do Mundial 86 e da liga inglesa por três vezes e em clubes diferentes (Leicester 85, Everton 86 e Tottenham-90).
LOTHAR MATTHAEUS (21.03.1961, na Alemanha)
Jogou de 1979 a 2000
Campeão europeu em 80 e mundial em 90 pela Alemanha, levou o Inter ao último título italiano em 89. Recordista de jogos no Mundial (25), presenças em fases finais (5) e de internacionalizações (150). Ah! E uma Bola de Ouro da "France Football" em 90 e melhor Jogador para a FIFA em 91.
ENZO FRANCESCOLI (12.11.1961, no Uruguai)
Jogou de 1980 a 1997
O "Príncipe" encantou todo o Mundo. Ganhou três Copas América com o Uruguai e foi eleito melhor jogador sul-americano nos mesmos anos (83, 87 e 95). Espalhou classe no Wanderers, River Plate, Racing, Marselha, Cagliari e Torino.
RONALD KOEMAN (21.03.1963, na Holanda)
Jogou de 1980 a 1997
Dono de um pontapé temível pela força e colocação. Duas Taças dos Campeões por clubes diferentes (PSV-88, marcou um dos "penalties" ao Benfica, e Barcelona 92, derrotou a Sampdoria no prolongamento). Campeão europeu em 88.
EMILIO BUTRAGUEÑO (22.07.1963, em Espanha)
Jogou de 1983 a 1998
Foi o líder da "Quinta del Buitre", quando o Real Madrid reinou em Espanha (pentacampeão) e na Europa (duas Taças UEFA seguidas). Melhor marcador da selecção espanhola, com 26 golos, quatro deles à Dinamarca no Mundial 86.