Rafael Bandeira "devastado" ao ser acusado de racismo na Coreia do Sul: «É uma coisa de amigos e futebol, não de raças»

Foto: Chungbuk Cheongju FC
Foto: Record
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Defesa português do Chungbuk Cheongju FC "ama o país" e diz que tudo não passou de um mal-entendido

Uma simples brincadeira entre amigos ativou uma 'bomba-relógio' na Coreia do Sul. Como algumas vezes acontece, Rafael Bandeira, atualmente a representar os asiáticos do Chungbuk Cheongju FC, viu um dos seus amigos partilhar dois lances do último encontro frente ao Suwon Samsung Bouwings (2-2) e foi identificado na própria publicação, com o próprio Rafael a fazer questão de os repartilhar nos stories da sua conta oficial no Instagram. O problema é que as publicações tinham emojis de bananas (uma delas tinha também um gorila) e o lateral direito português está agora a ser acusado de racismo. "Sinto-me devastado...", confessa a Record.

O futebol, como qualquer outra indústria, tem uma linguagem própria e algumas expressões específicas bem características. Por exemplo, a banana, por ter uma forma curva, é muitas vezes utilizada nos meandros do desporto-rei para definir cruzamentos e remates, precisamente devido à trajetória que a bola percorre, no caso quando sobe e cai repentinamente. É no fundo um 'calão', como tantos outros. Assim como o gorila, que representa 'força', até porque Rafael esteve ligado aos dois golos da sua equipa no jogo em questão. O objetivo do amigo era assinalar a boa capacidade de cruzamento e Rafael, orgulhoso pelo reconhecimento, partilhou sem segundas intenções... mas no dia seguinte foi apanhado pelo furacão.

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"Acordei com 50 mil mensagens e uma chamada da minha representante a dizer-me o que se estava a passar. Eu nem queria acreditar. Expliquei-lhe que a banana é um termo que usa bastante e que o gorila, sei lá, podia ser associado a força ou algo do género. O meu amigo que partilhou é negro, eu tenho família africana, todos os meus amigos e muitos outros do futebol são negros. Eu não tenho problema nenhum em dizer esta palavra porque estou completamente de consciência tranquila. Sei quem sou e quem me conhece a 100% também sabe. Não sou racista. É uma coisa de amigos e de futebol, nada tem a ver com raças", diz-nos Rafael, completamente incrédulo.

"Primeiro era racista, mas o único jogador negro em campo era o meu colega, o nosso avançado [o colombiano Mender Garcia]. Uma pessoa com quem brinco diariamente, lido, com quem durmo nas deslocações. Até a mulher dele ficou sem palavras. Depois as bananas nos stories eram para os asiáticos."

O choque inicial foi muito, mas o reencontro com a equipa serviu para acalmar as marés. No dia seguinte foi dia de treino e Rafael acabou por falar com os colegas, acabando por ser confortado por alguns elementos. "Eu fiquei de boca aberta. Nem sabia o que dizer com tudo. Fiquei abalado mesmo. Só me apetecia chorar. Ainda bem que levei o quinto amarelo e posso ficar de fora no próximo jogo. Sempre dá para limpar a cabeça", diz Rafael, de 25 anos, que foi também apoiado por Rui Quinta (treinador), Jorge Filipe (adjunto) e Cândido Rêgo (treinador do guarda-redes), trio de portugueses do clube que também concordou que não se tratou de um ato de racismo, mas sim de linguagem do futebol.

A Liga pediu ao Chungbuk Cheongju FC, emblema da 2.ª divisão, para Rafael explicar tudo por escrito e apresentar provas, sendo que, depois disso, será aberta ou não uma investigação mais aprofundada. "Estamos a falar de um crime público. Imagina que a investigação avança e que eu sou preso. Isto não é brincadeira. Não se podem fazer acusações de ânimo leve nem banalizar uma luta tão importante. Foi um mal-entendido", afirma.

Depois de passar pelos escalões do Sporting e terminar a formação na Juventus, Rafael Bandeira representou o Académico de Viseu, os ucranianos do Kryvbas e esta temporada rumou ao futebol sul-coreano, onde admite estar feliz e realizado. Soma 6 assistências em 13 jogos. "Amo muito a Coreia e respeito sua cultura. Estou feliz por poder jogar futebol com minha família num lugar tão agradável. A minha segunda filha também nasceu na Coreia, este é um país muito especial para mim. Por isso, lamento muito ter sido alvo de tal mal-entendido. Espero que essa situação seja resolvida em breve", concluiu.

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Por Daniel Lopes Monteiro
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