Ricardo Chéu saiu do Rieti pelo próprio pé cerca de 5 meses depois de assumir o comando do emblema da Série C italiana. Em entrevista a Record, o técnico explicou as razões que estiveram na base desta decisão, revalando também alguns aspetos acerca do futuro e do novo rumo que dará à carreira. O próximo passo, conforme apurou e noticiou o nosso jornal, passará pelo Senica, da Eslováquia.
Record: Esteve pouco mais de cinco meses no Rieti e saiu após uma vitória. O que motivou esta decisão?Ricardo Chéu: Fui para Itália a convite de um senhor grego chamado Manthos Poulinakis, à altura dono do clube, que tinha à frente dos destinos uma pessoa de confiança. Passados 2 meses, essa pessoa pediu a demissão e o Manthos passou a presidente, ao que o presidente do ano anterior decidiu reaver a maioria da sociedade. Sendo fiel a quem me levou para Itália, neste caso ao senhor Poulinakis, a partir do momento em que vendeu o clube, pedi a demissão, por uma questão de ética profissional e pessoal. Achei por bem sair por força das transformações que a nova sociedade ia realizar a nível organizativo e de jogadores. Daí ter pedido a demissão.
R: Sai de consciência tranquila?RC: Completamente. A equipa era muito elogiada e já me fizeram chegar possibilidades de projetos para abraçar na próxima época, em Itália. Lá é diferente porque só podemos treinar um clube profissional por ano.
R: Portanto, em momento algum saiu em litígio.RC: De todo. Nem de perto nem de longe. Saí de livre e espontânea vontade até porque a nova sociedade ainda não tomou posse. Achei por bem aproveitar a paragem de 20 dias no campeonato para formalizar a minha saída. Os objetivos foram mais do que cumpridos. O ano passado éramos uma equipa de amadores e este ano jogámos a nível profissional com clubes como o Catania, o Reggina, que têm orçamentos 10 vezes maiores. Estamos a falar, em alguns casos, de 10 milhões de orçamento anual. Isto numa terceira divisão. Quando comparado a Portugal, não tem nada que ver. A nível estrutural, a Série C é muito mais forte do que a 2ª Liga portuguesa e há equipas que podiam jogar na 1.ªLiga, não só pelos orçamentos, mas também pelos jogadores.
R: Foi uma experiência positiva?RC: Sim. É um campeonato muito competitivo, mas também é desgastante. Às vezes fazíamos viagens de 1100 quilómetros de autocarro, viagens de 13 horas. Era muito cansativo. Ainda assim, a experiência foi brutal pela positiva. Os objetivos foram cumpridos e a equipa está numa posição super tranquila. É a equipa mais jovem dos campeonatos profissionais, com uma média de idade de 21 anos. O nosso projeto também passava muito por aí, pela valorização de jogadores, tanto que alguns são cobiçados por equipas da Série A e da Série B. Essa foi outra das razões que me fez sair: dar espaço a quem veio para trabalhar à sua maneira e conduzir o projeto como entender.
R: Teve muitas propostas depois de sair e já tem algum projeto em vista?RC: Desde a minha saída recebi 3 abordagens: 2 do mercado estrangeiro e uma de Portugal. Mas vou continuar fora de portas. Vou abraçar um projeto de 1ª Liga de um país e sou apresentado na 3ª feira. É um projeto aliciante, diferente, e nós treinadores procuramos sempre projetos que deem visibilidade. Gostava de regressar a Portugal, mas por agora vou manter-me fora. Quando voltar, será para um projeto que tenha sustentabilidade e objetivos definidos. Não como à imagem do que tem acontecido. Sinto que fui ligado a projetos que correram menos bem e pelos quais não fui o principal responsável.
R: E a Itália, gostava de regressar?RC: Treinar em Itália não é fácil, tanto que havia apenas 2 estrangeiros nos campeonatos profissionais e eu era um deles. Isso diz muito da dificuldade que é treinar lá. Mas fiquei realizado e quero voltar. Neste momento vou abraçar este projeto, mas com a certeza de que o mercado português está sempre aberto para mim. É o meu país e espero um dia voltar.
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