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Romário ultrapassou o Rei Pelé em golos com a camisola da selecção brasileira em jogos oficiais, segundo as contas do "Jornal do Brasil".
Ainda na quarta-feira nos instantes finais do particular com o México, Romário permitiu ao escrete regressar a casa sem derrota (2-2), mas esse golo não conta para esta contabilidade do jornalista Roberto Assaf, que só considera os tentos em jogos oficiais da FIFA (Copa América, Taça das Confederações, eliminatórias e fase final dos mundiais).
No sábado, o Baixinho iniciou a segunda volta da Taça Rio da mesma forma como se havia despedido da primeira: bisando. Frente ao Cabofriense, depois de acertar duas vezes da trave, marcou duas vezes, a segunda de grande penalidade, fazendo questão de previamente indicar ao guarda-redes (que defendeu dois penaltis de Romário no jogo da primeira volta) o lado para onde iria rematar.
"Estou muito feliz por ter conseguido este feito. O meu objectivo foi sempre de aproximar-me o mais possível de Pelé, mas julguei sempre que seria verdadeiramente impossível superá-lo. Mas passei a marcar tantos golos nestes últimos anos que me animei", afirmou o Baixinho ao "JB", comentando a proeza.
Curiosamente, Romário, que está com 35 anos, considera ser muito mais fácil marcar golos agora do que no início da carreira. "Estou mais experiente e sei colocar-me melhor. Normalmente, os atacantes, para fugirem à marcação, deslocam-se para as alas. Eu fico circulando no meio dos defesas, à espera de uma oportunidade. E no Vasco os meus companheiros já entenderam que têm de jogar para mim, não ficando esperando que eu corra igual ao resto da equipa", justifica o jogador, também conhecido pela frontalidade das suas declarações.
Numa entrevista polémica ao "Jornal do Brasil", Romário relança a questão dos números, num país pouco dado a estatísticas: "Já marquei mais de 800 golos, mas sempre arranjam uma maneiras de os reduzir. Pelas minhas contas, inclusivamente, se valerem os golos pela selecção de sub-20, já tinha passado o Pelé. Eu não entendo os números e os critérios sobre os golos na 'Seleção'. Afinal, eu passei ou não o Zico?", interroga-se.
Sobre Zico, com quem tem mantido uma desagradável troca de comentários, Romário continuou: ”Foi o melhor brasileiro depois de Pelé, mas tem de perceber que o seu tempo já passou. O meu também vai passar, mas estou montando escolinhas de futebol e vou ficar ligado à modalidade através delas. Mas o meu sonho é ter uma equipa de futebol e até já tenho nome para ela, que vou divulgar no momento certo.”
Pelé continua rei
Na investigação do "Jornal do Brasil", Romário terá apontado 32 golos em 35 jogos oficiais da FIFA (0,91 de média), contra 26 golos em 26 jogos de Pelé que, assim, continuaria a ser rei na relação golos/jogo (média de 1 golo por jogo).
A relação dos maiores goleadores da "Seleção" é:
1º Romário, 32/35
2º Pelé, 26/26
3º Ademir Menezes, 23/29
4º Zizinho, 19/35
5º Bebeto, 19/36
6º Ronaldinho, 18/25
7º Zico, 18/29
8º Jairzinho, 15/26
9º Tostão, 13/17
10º Rivaldo, 13/10
A contabilidade inclui a Golden Cup (Taça da Concacaf em que o Brasil participou como convidado) nas competições oficiais disputadas por Romário. Mas mesmo que não seja, ainda ficará à frente de Pelé e até quase o iguala na média (29 golos em 30 jogos).
Se forem considerados todos os jogos disputados com a camisola canarinha, incluindo os particulares com clubes e combinados como adversários, a supremacia de Pelé é incontestável: 95 golos em 114 jogos, contra 62 golos em 72 encontros (este número não é consensual, pois a CBF atribui 68 tentos ao Baixinho).