A União Desportiva do Songo (UDS) está confiante na homologação do título moçambicano de 2025, após a Federação Moçambicana de Futebol (FMF) ter assumido o processo, disse à Lusa o vice-presidente do clube.
No seguimento das recentes declarações da FMF sobre o futuro da prova e da indefinição quanto à validação formal dos resultados da época passada, que não chegou ao fim, o diretor desportivo do clube, António "Paulito" Trigo, assumiu que o clube não tem dúvidas sobre a conclusão do processo e a homologação do título de campeão nacional de 2025.
"Em relação à homologação formal do título de campeão nacional de 2025, a direção da UDS sempre manteve confiança e tranquilidade. Nós, em campo, tivemos o melhor desempenho competitivo e fomos transparentes ao longo da temporada. Nunca tivemos dúvidas de que a Liga (Liga Moçambicana de Futebol -LMF) e a FMF iriam homologar o título. Temos a proteção dos regulamentos da FIFA", acrescentou.
A época 2025 do Moçambola ficou marcada por sucessivos reajustes do calendário e algumas suspensões da prova, tendo arrancado apenas a 17 de maio, após adiamento da data inicial de 26 de março. Foi interrompida em julho por duas semanas, devido a dificuldades logísticas ligadas ao transporte aéreo das equipas, num quadro de dívidas acumuladas estimadas em cerca de 100 milhões de meticais (cerca de 1,3 milhões de euros) desde 2024.
Ao encerrar oficialmente o Moçambola 2025 em 19 de dezembro, a LMF confirmou a União Desportiva do Songo como campeã nacional, decisão tomada devido à impossibilidade de concluir a prova dentro do calendário desportivo e às limitações financeiras que afetaram a maioria dos clubes, sendo que as equipas não terminaram todas com os mesmos jogos disputados.
Face a este cenário, a FMF anunciou já este mês que assumiu a condução e coordenação das decisões sobre o futuro da prova, invocando o fim do contrato de delegação de poderes com a LMF e a necessidade de resolver matérias consideradas de "elevada relevância e impacto desportivo", como a homologação do título, as descidas de divisão e a indicação dos representantes nas competições africanas.
O diretor desportivo da UDS admite, contundo, que a indefinição institucional pode criar constrangimentos adicionais aos clubes.
"Poderá atrapalhar no planeamento desportivo e financeiro para a próxima época, sobretudo na gestão de contratos, transferências e preparação da equipa, mas a UDS mantém rigor, disciplina e flexibilidade na sua programação para minimizar qualquer impacto negativo", sublinhou.
António Trigo criticou ainda o clima de tensão recorrente entre LMF e FMF, considerando que o mesmo não beneficia a modalidade: "Estas guerras institucionais não trazem nada de positivo, apenas prejudicam o futebol moçambicano e afastam possíveis investidores".
Apesar do cenário de incerteza, o dirigente garante que o clube mantém uma posição de serenidade: "Aqui já tem campeão, até podíamos ter parado de jogar antes desse término do campeonato, o clube permanece otimista e confiante de que eles vão parar com essas guerras que minam o nosso futebol".
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