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UEFA lança estas 42 perguntas à FIFA

Gianni Infantino, presidente da FIFA
• Foto: AP

Esta segunda-feira, a UEFA escreveu ao secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, solicitando esclarecimentos sobre 42 questões, adiantou o 'talkSPORT', depois de Gianni Infantino ter pedido, na semana passada em Zurique, que cada membro do Conselho da FIFA redigisse as perguntas que tivessem.

A organização que rege o futebol europeu solicitou uma "resposta escrita substancial a cada pergunta, acompanhada de toda a documentação necessária" até dia 2 de novembro.

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O ponto mais extenso é relativo ao esclarecimento da relação da FIFA e Gianni Infantino com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

1. Poderá a FIFA explicar por que motivo foi assinado um acordo que concedia exclusividade à Thrive Capital sem consulta prévia do Conselho da FIFA?

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2. Por que razão foi a Thrive Capital escolhida como principal investidor, sem a realização de qualquer concurso competitivo?

3. Quando foi inicialmente considerada a ideia de criar a FFE [Fifa Forward Enterprise], por quem e com que objetivo?

4. Poderá a FIFA explicar o que aconteceu entre 17 de julho, data em que se previa apresentar a proposta relativa à FFE ao Conselho da FIFA, e 28 de julho, quando foi pedido às federações-membro que apoiassem a proposta?

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5. Que medidas concretas irá a FIFA implementar para garantir que as falhas identificadas no processo da FFE não se voltem a repetir no futuro?

6. Continuamos sem conhecer claramente a avaliação do próprio presidente da FIFA. Considera Gianni Infantino que a FFE era uma boa ideia? Com que fundamentos?

7. Poderá a FIFA confirmar se as pessoas envolvidas no desenvolvimento da FFE e no processo de tomada de decisões foram ouvidas no âmbito de uma análise independente e, em caso negativo, explicar porquê?

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8. Enquanto membros do Conselho da FIFA, solicitamos formalmente acesso a todos os documentos relacionados com a FFE.

9. A FIFA propôs uma análise independente do seu quadro de governação. Embora essa iniciativa possa ser positiva, uma avaliação orientada para o futuro não pode substituir uma análise independente das decisões tomadas e da conduta passada.

10. Como pretende a FIFA apurar o que realmente aconteceu no caso da FFE, no caso Balogun e nas restantes matérias levantadas pelos membros do Conselho, bem como garantir a devida responsabilização por quaisquer falhas identificadas?

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11. A FIFA aceitaria a realização de uma investigação verdadeiramente independente ao processo da FFE, incluindo ao papel desempenhado pelo próprio presidente da FIFA?

12. Por que motivo se opôs a FIFA, através dos seus advogados nos Estados Unidos, do escritório Linklaters, ao pedido da UEFA para obter documentos relacionados com a FFE no âmbito do processo judicial iniciado nos Estados Unidos?

13. Em 2018, o presidente da FIFA manteve conversações confidenciais com a SoftBank sobre um potencial investimento nas competições da FIFA, tendo sido então discutidos, segundo relatos, valores na ordem dos 25 mil milhões de dólares. A operação proposta para a FFE assentava numa avaliação do capital da empresa, após o investimento, de 20 mil milhões de dólares. Poderá a FIFA confirmar esta avaliação e explicar a lógica financeira que lhe estava subjacente?

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14. O presidente da FIFA tem afirmado repetidamente que o dinheiro da organização pertence às suas federações-membro. Por que motivo foi, então, apresentado um aumento substancial do financiamento destinado às federações no âmbito da FFE e de um investimento externo, em vez de ser financiado diretamente com recursos próprios da FIFA?

15. No âmbito da proposta da FFE, foi apresentado financiamento adicional para as federações que participassem no programa FIFA Fast Forward. O que teria, concretamente, de aceitar ou de se comprometer a fazer uma federação-membro para participar no programa e receber esse financiamento adicional?

16. Com base em que pressupostos financeiros e comerciais conseguiu a FIFA projetar as receitas adicionais necessárias para financiar a distribuição substancialmente superior de verbas prevista no âmbito da FFE?

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17. Tendo em conta a sólida situação financeira da FIFA, por que motivo se considerou necessário procurar investimento junto de investidores privados?

18. A FIFA explicou que a sua nova proposta é possível graças aos resultados financeiros excecionais do Mundial de 2026. Poderá, por isso, explicar o que mudou entre a elaboração da proposta da FFE e a decisão, tomada pouco depois da retirada dessa proposta, de utilizar as reservas da FIFA para financiar uma distribuição substancialmente superior de verbas às federações-membro? E por que razão não foi esta alternativa considerada anteriormente?

19. Notícias recentes, baseadas em documentos apresentados pela entidade norte-americana da FIFA responsável pela organização do Mundial de 2026 (FWC2026 US Inc.), indicam que o presidente da FIFA recebeu remunerações adicionais avultadas que não foram divulgadas no relatório anual da organização. Poderá a FIFA esclarecer a natureza, o montante e os fundamentos desses pagamentos?

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20. Poderá a FIFA divulgar o montante total de quaisquer honorários, remunerações, despesas ou outros benefícios financeiros pagos ou concedidos a Marc Anthony pela FIFA, pela FWC2026 US Inc. ou por qualquer outra entidade relacionada com a FIFA, no âmbito do Mundial de 2026? A informação deverá incluir os pagamentos associados ao seu papel como embaixador do Mundial em Miami, bem como a eventuais atuações ou outros serviços prestados.

21. O presidente Trump reconheceu publicamente ter telefonado ao presidente da FIFA para solicitar uma revisão do processo disciplinar de Balogun. O que lhe pediu exatamente e qual foi a resposta? O caso teria sido revisto na ausência dessa intervenção?

22. Na sequência dessa conversa, o presidente da FIFA ou o secretário-geral da organização comunicaram com alguém dentro da FIFA, incluindo membros da administração ou o presidente da Comissão Disciplinar, sobre o caso Balogun?

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23. Poderá a FIFA disponibilizar a fundamentação escrita integral da decisão no caso Balogun?

24. Que critérios determinaram a aplicação do artigo 27.º em casos comparáveis? Poderá a FIFA identificar os processos anteriores em que esses critérios foram aplicados?

25. Foi agora proposta uma alteração ao artigo 27.º do Código Disciplinar da FIFA para evitar que se repita uma situação como a do caso Balogun. A justificação apresentada foi a necessidade de garantir «estabilidade e previsibilidade» e proteger a integridade das competições. Na opinião de muitos, as regras existentes já eram suficientemente claras. Por que razão considerou, então, a administração da FIFA necessária esta alteração?

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26. Notícias recentes levantaram dúvidas sobre a elegibilidade de um jogador que representou a República Democrática do Congo durante a fase de qualificação para o Mundial da FIFA. Poderá a FIFA explicar os fundamentos jurídicos e factuais que sustentam esta decisão? Poderá também o presidente da FIFA confirmar que não interveio no processo?

27. O intervalo da final do Mundial durou 27 minutos, sem que tivesse existido, previamente, um pedido ao IFAB ou uma consulta ao Conselho da FIFA. Do mesmo modo, a introdução de pausas obrigatórias para hidratação em todos os jogos do Mundial, em desvio das regras em vigor, não foi precedida, tanto quanto sabemos, de uma consulta ao IFAB ou de um pedido de autorização a este organismo.

28. Poderá a FIFA explicar os fundamentos jurídicos e regulamentares destas decisões, identificar quem as autorizou e esclarecer por que motivo o IFAB e o Conselho da FIFA não foram consultados previamente?

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29. Um conjunto de decisões, operações e intervenções que envolvem o presidente da FIFA, o presidente dos Estados Unidos e pessoas próximas deste último suscita sérias questões sobre potenciais conflitos de interesses, transparência e responsabilização institucional. Entre essas situações incluem-se:

Consideradas em conjunto, estas situações levantam questões que vão além da relação institucional habitual entre a FIFA e o governo de um país anfitrião de um Mundial.

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30. Poderá a FIFA confirmar se, caso a FFE tivesse avançado, o presidente da FIFA teria ocupado ou esperado ocupar algum cargo, função ou posição na FFE ou numa entidade relacionada, durante ou após o seu mandato como presidente da FIFA? Poderá também confirmar se teria tido, direta ou indiretamente, algum interesse financeiro, participação no capital, direito a remuneração ou outro benefício económico decorrente da FFE?

31. De acordo com informações recebidas de várias fontes, dois dias antes da votação do Bureau do Conselho de Administração sobre a proposta da FFE, o presidente da FIFA informou os membros desse órgão de que as autoridades norte-americanas estavam a investigar a administração da FIFA. Poderá confirmar se fez essa declaração e, em caso afirmativo, explicar em que informações se baseou, por que razão a fez naquele momento específico e se teve em consideração a pressão que poderia exercer sobre os membros imediatamente antes da decisão sobre a FFE?

32. O período oficial da campanha eleitoral começou em 30 de abril de 2026, data do Congresso da FIFA em Vancouver. Que órgão, além da Comissão Eleitoral da FIFA, é responsável pela supervisão do processo eleitoral? Que procedimentos e salvaguardas foram estabelecidos para impedir a utilização indevida dos recursos da FIFA e garantir eleições presidenciais justas e imparciais?

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33. Temos preocupações quanto à independência e imparcialidade do presidente da Comissão Eleitoral da FIFA, Chiomento, tendo em conta o papel crucial desta comissão na supervisão das eleições presidenciais. Temos conhecimento de que Chiomento conhece o presidente da FIFA há cerca de 20 anos e é regularmente convidado para eventos e competições da FIFA, com as despesas suportadas pela organização.

34. A administração da FIFA tem o dever de manter a neutralidade durante a campanha eleitoral presidencial. Dispomos de preocupações, sustentadas por provas documentais e outros elementos, quanto ao cumprimento desta obrigação pela administração desde o início do período eleitoral oficial.

Em particular, na sequência da reunião realizada em Rabat, a 5 de agosto, o secretário-geral da FIFA e membros da equipa de gestão emitiram um comunicado de imprensa e fizeram circular uma carta dirigida às 211 federações-membro, declarando o seu «apoio total ao presidente da FIFA, Gianni Infantino».

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Como pode uma declaração de apoio tão explícita, feita durante o período eleitoral oficial, ser conciliada com o dever de neutralidade da administração, incluindo as obrigações impostas aos funcionários da FIFA pelo Código de Conduta aplicável?

35. Temos conhecimento de que a Federação Norueguesa de Futebol apresentou uma queixa à Comissão de Ética da FIFA. Neste contexto, queremos manifestar preocupações quanto à independência e imparcialidade dos órgãos jurisdicionais competentes.

O presidente da Câmara de Investigação, Martin Ngoga, mantém há muito tempo ligações políticas e profissionais ao presidente do Ruanda, Paul Kagame, tendo exercido funções como procurador-geral e como deputado em representação do partido político deste último.

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A relação próxima entre o presidente da FIFA e Paul Kagame também foi tornada pública, nomeadamente através da participação do presidente ruandês num vídeo que assinalou os dez anos de Gianni Infantino no cargo.

Poderá a FIFA explicar de que forma foram avaliadas eventuais preocupações quanto à independência e imparcialidade de Ngoga em processos que envolvam o presidente da FIFA? Estaria Ngoga disposto a declarar-se impedido de participar em processos de ética, atuais ou futuros, relacionados com o presidente da FIFA?

36. Do mesmo modo, temos conhecimento de que a presidente da Câmara de Julgamento, Rojas, reconheceu publicamente manter relações de amizade pessoal com o antigo presidente da Federação Colombiana de Futebol, Bedoya, e com o atual presidente, Jamon.

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Tendo em conta o apoio da Federação Colombiana de Futebol ao presidente da FIFA, poderá a organização explicar de que forma foram avaliadas eventuais preocupações quanto à independência e imparcialidade de Rojas e se esta se declararia impedida de participar, quando apropriado, em processos que envolvam o presidente da FIFA?

37. Numerosas notícias publicadas nos últimos anos levantaram questões sobre a utilização de aviões privados pelo presidente da FIFA e os custos do seu alojamento, nomeadamente no Qatar e nos Estados Unidos.

38. Poderá a FIFA apresentar uma discriminação detalhada dessas despesas, incluindo os respetivos montantes, finalidades, procedimentos de autorização e conformidade com as políticas financeiras e de deslocações aplicáveis na organização?

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39. Solicitamos acesso à lista completa dos convidados sentados nas zonas VIP e VVIP durante a final do Mundial.

40. Numerosas celebridades e outros convidados foram alojados em camarotes e espaços de hospitalidade premium durante o Mundial. Poderá a FIFA esclarecer se estes espaços foram disponibilizados gratuitamente?

41. Na ausência de qualquer intervenção prévia do Conselho da FIFA, quem decidiu criar o Prémio da Paz da FIFA, com que finalidade e quem decidiu atribuí-lo ao presidente dos Estados Unidos?

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42. Que papel desempenhou pessoalmente o presidente da FIFA na criação deste prémio?

Por João Falcão Morais
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