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Van Basten conta que ia a rastejar para o WC: «Ao mínimo toque mordia os lábios para não gritar»

Foto: Reuters
Foto: Getty Images

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Holandês relata na sua biografia um intenso sofrimento com as lesões nos tornozelos

Marco van Basten vai publicar uma biografia, intitulada 'Basta. My life. My truth', uma obra que chegará amanhã às bancas e onde conta alguns dos melhores momentos por que passou - Bolas de Ouro, golos internacionais - mas também os piores. E nos piores encontram-se as lesões.

O antigo avançado holandês passou um verdadeiro calvário, sobretudo na parte final da sua carreira, conforme contou numa entrevista ao diário inglês 'The Guardian'. "Tudo veio abaixo. Houve muita dor e problemas. Pode dizer-se que nesses cinco anos tive toda a minha carreira internacional. Depois de muitos problemas com as operações coxeava, não fazia nada sem dor. Estava verdadeiramente incapacitado e os médicos não podiam ajudar-me. Eu tinha medo", relata Van Basten, de 56 anos.

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O antigo futebolista - que jogou no Ajax e no Milan - recorda que era Johan Cruyff quem insistia para que jogasse, mesmo tendo mazelas nas articulações. "Lesionei-me a primeira vez em dezembro de 1986 [no Ajax] e não melhorei. O Johan teve uma discussão com o médico que disse: 'ele tem um problema, mas não vai piorar. Pode jogar'. Eu tinha a sensação que isto não era bom, tinha muitas dores, mas o Johan disse-me: 'Ouve, fazemos um acordo. Não jogas todas as competições e podes falhar alguns treinos. Mas tens de jogar na Europa. Aconteça o que acontecer, tens de jogar a final'. Foi esse o acordo que fizemos", recorda Van Basten.

"Ao princípio os médicos não me deram bons conselhos, continuei e continuei... E o problema piorou. A seguir fui para o Milan, com o Gullit. Fiz os primeiros jogos, em agosto e setembro, depois fui a um médico em Barcelona e tomámos a decisão de operar. Mas era demasiado tarde porque o mal já estava feito."

O antigo jogador teve muitos problemas nos tornozelos, as dores eram contínuas e admitiu, inclusivamente, que tem medo de um dia ter cancro nos ossos.

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"Eu ia de mal a pior. Depois de muitas operações e de ver médicos de todo o mundo, tentei tudo, mas não encontrámos uma solução. Houve um momento, em 1996, em que tive de decidir: 'tenho de que ficar saudável'. Tomámos a decisão de fundir o tornozelo. Para um desportista, e eu tinha apenas 32 anos, esta era a pior opção, mas tive de parar com a dor", relata o holandês.

Van Bastan recorda que ia da cama até à casa de banho a rastejar enquanto contava os segundos. "Nunca chegava à casa de banho antes dos 120 segundos. Os umbrais das portas são a parte desafiante porque o tornozelo tinha de passar por eles sem lhes tocar. Ao mínimo toque mordia os lábios para não gritar."

Por Record
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