Pauleta: «Apesar de tudo, era pior se tivesse agredido alguém»
PAULETA inverteu domingo o discurso miserabilista da noite de sábado e reconheceu a gravidade da expulsão no jogo frente à Hungria, que apenas valeu o apuramento de Portugal depois de uma equipa com apenas dez jogadores ter feito o terceiro golo. O ponta-de-lança aceita as críticas que pendem sobre a actuação na Luz e não repete a teoria de ter sido expulso "por ter marcado dois golos", debitada repetidamente no final do encontro. Mas insiste que continua a fazer parte do grupo: "Apesar de tudo, era pior se tivesse agredido alguém."
"Penso que o primeiro cartão amarelo é um pouco exagerado. O segundo resulta de um daqueles lances em que se vai com tudo à bola, em que se quer metê-la a todo o custo na baliza. Como raramente levo um cartão, não estou habituado a defender-me. Nem sequer pensei que já tinha um amarelo", explicou Pauleta, passada uma noite sobre aquele que define como "um dos momentos mais tristes" da sua carreira. "Foi pena, porque senti que estava a fazer um grande jogo e que ia marcar um golo para ajudar Portugal a chegar ao Europeu. Era a minha grande oportunidade e eu era a última pessoa a querer desperdiçá-la. Felizmente que, apesar disso, Portugal conseguiu qualificar-se."
O primeiro dia pós-expulsão é, para Pauleta, o dia do arranque da operação Euro 2000. O jogador sentiu no apoio de treinadores e colegas que continua a fazer parte do grupo de trabalho e já sonha com os palcos de Bélgica e Holanda, onde espera defrontar as maiores estrelas do futebol europeu. Porque a felicidade pela qualificação de Portugal, sublinha, tem de ser superior à tristeza por um falhanço pessoal.
"Tenho de olhar adiante. Custou-nos muito chegar a este Europeu e, agora, temos de concentrar-nos em defender bem essa posição. Mereço as críticas que me foram feitas, mas quero estar no Campeonato da Europa. Todos os meus colegas perceberam que o que fiz é uma coisa relativamente comum em futebol e apoiaram-me. Apesar de tudo, era pior se tivesse agredido alguém", explicou. "Esta é uma vitória de uma grande equipa. Espero que façamos um grande Europeu."
Pauleta frisou que a sua expulsão não significa necessariamente o triunfo do sistema sem pontas-de-lança, que originou paixões durante a campanha de qualificação de Portugal. O jogador sublinha que Humberto Coelho acertou na escolha da equipa para cada jogo do apuramento e lembra que, no caso do encontro da Luz, a sua presença em campo também contribuiu para um bom início de jogo, capaz de produzir dois golos em apenas 16 minutos.
"Não digo que se jogássemos sem ponta-de-lança não tínhamos feito os dois golos. Talvez até tivéssemos feito mais. A questão é que a equipa é um bloco. Movimenta-se como um todo. E ninguém pode dizer que não estávamos a jogar bem enquanto eu estive em campo. Estávamos a pressionar o adversário, fizemos dois golos e estávamos à beira de fazer mais."
JOEL NETO