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Hakim Ziyech vive o sonho de qualquer futebolista: joga num grande clube europeu e vai disputar as meias-finais da Liga dos Campões, numa época em que marcou dois golos ao Real Madrid na prova milionária e fez uma assistência na eliminatória com a Juventus. Mas a vida do holandês do Ajax, que é internacional marroquino, podia ter sido diferente. Muito diferente. Para pior...
O médio tinha 10 anos quando perdeu o pai, em 2003. O desaparecimento da figura paterna resultou numa adolescência tubulenta, numa família de 8 irmãos e onde Hakim era o mais novo.
Hakim - que viu dois irmãos serem presos, por roubo - enveredou por um caminho de álcool e drogas que poderia ter destruído a sua vida, não fosse Aziz Doufikar - antigo futebolista marroquino que foi um dos seus primeiros treinadores -, ter aparecido no seu caminho.
"A morte do pai conduziu-o ao crime, mas eu ajudei-o o máximo que pude para o manter no trilho certo. Eu era o seu mentor e de certa forma a figura partena", contou numa entrevista há dois anos, declarações que foram agora recuperadas a propósito do jogo de hoje do Ajax com o Tottenham.
"Ele bebia, fumava muito e usava drogas. Teve problemas com a lei. Notei que tinha medo de jogar futebol e a única hipótese que tive para que ele jogasse foi inscrevê-lo em torneios de futsal. Com muita sorte consegui colocá-lo no mundo do futebol", acrescentou o técnico.
Embora continuasse com problemas de disciplina nos escalões de formação, estreou-se profissionalmente pelo Heerenveen em 2012. Os bons desempenhos valeram-lhe a transferência para o Twente, onde esteve entre 2014 e 2016.
Dois dos irmãos mais velhos de Hakim tentaram a sua sorte no futebol, sem sucesso. "Ele era a última hipótese da família; pôde ver pelo exemplo dos irmãos o que não fazer", acrescentou Aziz.
O médio está na sua terceira época no Ajax; esta temporada já marcou 20 golos e fez 20 assistências, em 44 jogos. Já se fala no interesse de clubes como Manchester United, Manchester City, Liverpool e Bayern Munique.
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