Numa competição em que nem o campeão helénico tem entrada directa na Liga dos Campeões, uma equipa grega chegar à fase de grupos da Champions pode transformar-se numa verdadeira epopeia. O PAOK que o diga: o clube apenas venceu o campeonato por duas vezes na sua história e nunca conseguiu chegar à maior competição europeia de clubes, caindo sempre no play-off ou em fases preliminares. O sucesso recente no plano interno — com a conquista de duas taças da Grécia consecutivas e um segundo lugar na época transata —, pode galvanizar o emblema de Salónica, que já deixou pelo caminho o Basileia e o Spartak de Moscovo.
O vice-campeão grego é comandado por Razvan Lucescu. Pelo que se conseguiu observar nas pré-eliminatórias anteriores, não há dúvidas que o ex-selecionador romeno privilegia a posse de bola e concentração ofensiva no meio-campo adversário mas, em Lisboa, a estratégia será diferente. Segundo relatos da imprensa helénica, Lucescu tem focado a solidez defensiva nas sessões de treino, com o objetivo de manter a eliminatória aberta para a segunda mão. Fernando Varela, defesa central cabo-verdiano que já alinhou pelo Estoril, Trofense e Feirense é o patrão da retaguarda helénica, que conta ainda com o capitão Vieirinha, que costuma alinhar a lateral esquerdo e é o principal executante das bolas paradas.
O meio campo do PAOK terá a tarefa fundamental de pressionar os encarnados e, depois de o esférico ser recuperado, partir em ataque rápido, apanhando a defesa portuguesa desprevenida. Dimitris Pelkas, médio-centro dos gregos, esteve emprestado ao Vitória de Setúbal, na época 2014-15. Depois de uma temporada no Bonfim, agarrou a titularidade no PAOK e assumiu um papel de destaque no onze incial. O grego de 24 anos é temido pelo estilo de jogo dinâmico e veloz, perfeito para a tática ensaiada pelo técnico romeno. Os seus companheiros de meio-campo, José Alberto Cañas e Maurício, serão incumbidos de fechar os caminhos para a baliza defendida por Paschalakis.
A única dor de cabeça para Lucescu prende-se com o lado esquerdo do ataque. O marroquino Omar EL Kaddouri, titular indiscutível, contraiu uma lesão e tem realizado trabalhos condicionados. O seu substituto, o internacional egípcio Amr Warda, também já passou por Portugal: há precisamente um ano, o médio teve uma passagem fugaz pelo Feirense, mas um processo disciplinar instaurado pela SAD fogaceira recambiou o atleta de volta para a Grécia, em apenas uma semana.
Atualmente, apesar de raramente ser titular, é aposta habitual de Lucescu que, no ataque, conta também com o jovem Dimitris Limnios e o ponta de lança sérvio Aleksandar Prijovic.
O avançado tem-se revelado fundamental para o sucesso recente do PAOK, com 25 tentos apontados na época transata, e três golos marcados nos últimos quatro encontros. Finalizador nato e letal no jogo aéreo, o sérvio será uma preocupação para Rui Vitória, na preparação para o encontro de terça-feira. Prijovic tem sido, ainda, apontado pela imprensa portuguesa como um dos alvos do Sporting no presente mercado de transferência.
Presidente "pistoleiro" está em Lisboa
Ivan Savvidis, proprietário do PAOK, fez a viagem até à capital portuguesa, apesar de estar banido de entrar em recintos desportivos durante três anos. Na época passada, o empresário entrou no relvado com uma arma à cintura, em protesto contra um golo anulado à formação de Salónica, numa partida frente aos rivais do AEK de Atenas. Savvidis terá de assistir ao encontro pela televisão em sequência desse episódio.
PAOK terá 200 adeptos nas bancadas
Apesar do fanatismo dos seus adeptos, o PAOK está muito longe de esgotar os 3250 lugares a que tem direito para este encontro. De acordo com a imprensa grega, apenas duas centenas de gregos estarão presentes na caixa de segurança do Estádio da Luz, com a esperança de assistirem a um triunfo saboroso em terras lusitanas, dado que o anterior triunfo no ninho das águias (2-1 em 1999) foi posteriormente ensombrado pela eliminação nos penáltis.
Reforço sueco estará ausente
O médio Pontus Wernbloom é a mais recente contratação do emblema helénico. Não será, porém, no Estádio da Luz, que o internacional se irá estrear com as cores do PAOK. O sueco encontra-se a fazer exericícios de recuperação, depois de uma paragem competiva que se prolonga há três meses.
Benfica é bicho de sete cabeças para os gregos
O emblema de Salónica espera conseguir quebrar o enguiço frente aos encarnados. Nos quatro encontros entre as duas equipas, o balanço é claramente positivo para o Benfica. Os gregos apenas venceram uma partida frente às águias, em 1999, mas foram eliminados na segunda ronda da então denominada Taça UEFA, no desempate por pontapés de penálti. Em 2014, em embate a contar para os 16 avos de final da Liga Europa, os gregos voltaram a cair aos pés do Benfica. Uma vitória por um 1-0, em Salónica, e uns expressivos 3-0, na Luz, arrumaram a eliminatória a favor dos encarnados. Na Grécia, o favoritismo é atribuído por completo ao Benfica. A imprensa helénica destaca a experiência dos vice-campeões portugueses, em contraste com a verdura dos atletas do PAOK, pouco habituados a estes palcos.
Autor: Miguel Dantas