Athletic Bilbao: União para acordar o Leão
Um Athletic em crise desloca-se ao Dragão com a ambição de pontuar. Valverde tem sentido dificuldades em travar a estranha descaracterização dos Leões, pelo que o FC Porto é favorito à vitória
A eliminação convincente do Nápoles que valeu o acesso à fase de grupos da Champions parecia colocar o Athletic nos trilhos de mais um exercício de sucesso. Puro engano. A formação basca está a atravessar uma crise existencial profunda, fruto de uma sequência de 8 partidas oficiais sem triunfos e de 5 desaires consecutivos como visitante, desfraldando vulnerabilidades e debilidades em todos os momentos. Em último lugar no Grupo H, após uma aviltante derrota ante o BATE (1-2), os leões seguem num funesto 17.º lugar na Liga espanhola, já a 12 pontos da dupla que partilha o 4.º posto, aquele em que concluiu o último campeonato.
As dúvidas de Valverde
Relacionadas
A alternância entre o 4x2x3x1 e o 4x3x3 é permanente no Athletic, aproveitando a versatilidade de Mikel Rico, Beñat e De Marcos, as 3 opções mais recorrentes para 2 lugares de meio-campo, já que Iturraspe é indiscutível como unidade mais recuada e referência nas saídas para o ataque, o que o leva a baixar para o espaço entre os centrais de forma a libertar ofensivamente os laterais. Ante o FC Porto, não é de excluir a hipótese de Valverde abordar o jogo com uma postura mais cínica, recorrendo a um trivote, de forma a robustecer e oferecer maior capacidade de recuperação à zona intermédia. A solução poderá passar pela subida de Gurpegi, ultimamente mais utilizado como central, para o meio-campo, abdicando de Beñat e De Marcos, o que conduziria à presença de San José ao lado de Laporte no eixo.
Sem cérebro
O primeiro mês da época criou a ideia que o substituto de Ander Herrera, transferido para o Man United por 36 milhões de euros, estava no plantel. Abriu-se a janela de oportunidade para Beñat, o inconstante “Pirlo basco”, que tem vindo a desapontar, perdendo a titularidade para De Marcos, convertido de lateral em médio criativo, posição que conheceu com Bielsa. Face à inconstância de Beñat e ao futebol mais físico de Mikel Rico, existe uma excessiva dependência da capacidade de construção de Iturraspe. Assim, sendo uma equipa assumidamente de posse (52,4% de média no campeonato), mostra menor fluência no passe (76,9% de acerto), com clara influência no número de oportunidades (9,8 por jogo contra 13,4 no exercício anterior) criadas, nas finalizações enquadradas (3,8 por jogo contra 4,9 em 13/14) e no número de golos (0,6 por jogo contra 1,7 a época passada) apontados.
Referência agressiva
Aduriz é a referência ofensiva do Athletic. Crucial a dar seguimento aos cruzamentos dos laterais, sempre disponíveis para oferecerem largura e profundidade ao jogo, explora o seu oportunismo, sentido de baliza e agressividade a atacar a bola. Além disso, serve como pivô aos movimentos em diagonal de Susaeta e Muniain, que poderá ser rendido por Ibai Gómez no Dragão. Muito agressivo e pressionante, é, por norma, o jogador mais faltoso dos bascos.
Pressão em bloco
É uma das poucas características que se mantém intacta, mesmo que as indecisões na definição dos momentos e zonas de pressão pareça deixar, várias vezes, os jogadores a meio do caminho. Contudo, é uma equipa capaz de reagir com agressividade à perda da bola, condicionando a primeira fase de construção do adversário, como também de baixar rapidamente no terreno quando é ultrapassada essa primeira barreira, aproximando-se de um 4x5x1 em que a linha defensiva não recua excessivamente, permitindo aos adversários explorar passes de rutura para as suas costas.
Vulnerabilidades
As costas dos laterais, também vulneráveis no 1x1, e a tendência dos extremos para pisarem espaço interior são aspetos a explorar através de uma aposta em variações rápidas do centro do jogo e num apelo a um jogo exterior mais agressivo. As indecisões na defesa de bolas paradas, onde alternam referências zonais com individuais, também é suscetível de ser aproveitada, assim como os erros no passe nas fases iniciais de construção, convidativas a uma pressão alta.