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Benfica afogado num banho de táctica na noite do total «desenkanto»

ENCARNADOS AFUNDAM-SE EM NOITE DE INESPERADO VENDAVAL FRENTE A ADVERSÁRIO PODEROSO

Benfica afogado num banho de táctica na noite do total «desenkanto»
Benfica afogado num banho de táctica na noite do total «desenkanto»

JOÃO QUERIDO MANHA

SE NÃO faltavam razões concretas para desconfiar da “sorte” do Benfica na edição deste ano da Taça UEFA, a começar pela alta categoria do clássico clube romeno, o realismo do jogo de quinta-feira caiu em cima dos adeptos do clube com maior inclemência do que a inesperada tromba de água em que a equipa de Jupp Heynckes veio a “afogar-se”.

Por volta da meia hora de jogo começou a chuviscar, quando o Benfica mantinha uma superioridade relativa e inconsequente sobre um adversário brilhante no desempenho de um esquema táctico a arremedar o futebol total, a funcionar como um harmónio defensivo sempre com oito ou nove homens atrás da bola. Pequenos pingos do tipo “molha parvos” não chegaram para alarmar o jovem guarda-redes Robert Enke, o que resultou fatal para a equipa portuguesa.

Pouco depois, um livre inofensivo a mais de 30 metros, marcado com manha pelo veterano Lupescu a solicitar um remate enrolado de Nastase, ditou a quarta derrota europeia nacional de mais uma noite de “desenkanto”. A insegurança dos guarda-redes do Benfica, depois do chumbo de Bossio nos jogos particulares de início de época, ameaça perpetuar a maldição da retirada “prematura” de Michel Preud’homme. Por outro lado, fica para a posteridade como registo gráfico de uma característica geral do conjunto português, incapaz de segurar a bola perante um adversário muito mais maduro e evoluído.

O Benfica perdeu e bem perante uma equipa que jogou apenas o suficiente para garantir a vantagem tangencial, mas deixou a sensação de poder, em qualquer fase do jogo, aumentar a velocidade e criar superioridade. À imagem do extraordinário jogador que foi o actual técnico Cornel Dinu, o Dínamo possui elementos de grande versatilidade, capazes de desempenhar tarefas diversas em campo, consoante a equipa tem ou não a bola em seu poder.

Assim, acabou por dar uma grande lição de táctica e dinâmica de jogo a um Benfica demasiado dependente de um rígido 4x4x2 que não funciona quando não controla a posse de bola. Em jogos deste tipo, o colectivo não resolve e os jogadores desequilibrantes (como Kandaurov) tornam-se imprescindíveis.

CADETE SEM LUGAR?

A ocupação dos espaços a meio-campo, mantendo vigilância discreta mas eficaz de Haldan a João Pinto de forma a manter Nuno Gomes o mais isolado possível entre os centrais, desuniu o Benfica. Como solução ofensiva, a equipa de Heynckes ficou restrita aos (dois ou três) lançamentos compridos de Chano e às iniciativas individuais de Poborsky pela direita. Mas o espanhol raramente conseguiu ter a bola dominada e companheiros desmarcados, enquanto o checo desperdiçou boa parte do seu esforço em cruzamentos mal medidos.

Outro problema, em parte provocado pela grande amplitude do raio de acção dos médios-ala do Dínamo, foi a ausência de apoio dos laterais do Benfica, uma noite completamente estéril de Bruno Basto no seu primeiro jogo do ano e, ainda, alguns foras-de-jogo mal assinalados em jogadas de perigo potencial. As oportunidades do Benfica esgotaram-se nos dois únicos lances da primeira parte, aos seis e 26 minutos, em que João Pinto - um com Nuno Gomes e o outro com Poborsky - conseguiu “meter” velocidade.

Sob chuva torrencial e com muitos adeptos a virarem costas à equipa e ao jogo, embora decorrendo quase sempre no meio-campo romeno, a segunda parte foi penosa. O Dínamo ameaçava contra-atacar com perigo a qualquer momento -- e esteve perto de voltar a marcar aos 56 minutos, não tivesse Sérgio Nunes conseguido antecipar-se a Mihacea. É verdade que os romenos ficaram humildemente por essa única ameaça em termos de futebol ofensivo, mas não pareciam “programados” para mais do que o estritamente necessário.

Por seu turno, o Benfica não conseguia penetrar na zona de remate, com Nuno Gomes sempre bloqueado, e só uma vez ameaçou: o problema, dessa vez, foi quem se apresentou para a conclusão, o jovem Tote, sozinho na pequena área, a mergulhar para um cabeceamento tonto. Se Jorge Cadete não tem lugar entre os melhores catorze jogadores deste Benfica, em muito má forma há-de estar!

Aliás, a tomada de consciência sobre a real valia do plantel do Benfica pode constituir a maior lição do jogo de quinta-feira. Em vez de autênticos reforços, Vale e Azevedo deu ao substituto de Graeme Souness jogadores de categoria média-baixa, como Chano, Rojas ou Tote. A equipa não aumentou o potencial ofensivo, que já era deficiente na época passada. E, além disso, os azares e incidentes sucessivos que vêm afectando os guarda-redes ainda agravam a ideia de que a reforma compulsiva de Michel Preud’homme foi uma precipitação.

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