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Benfica-CSKA, 1-1: Benfica abdicou de quê pergunta-se na Luz

CRÓNICA

Benfica-CSKA, 1-1: Benfica abdicou de quê pergunta-se na Luz
Benfica-CSKA, 1-1: Benfica abdicou de quê pergunta-se na Luz • Foto: Paulo Calado
O público deu por perdida a eliminatória e, simplesmente, não compareceu na Luz. A equipa do Benfica fez o mesmo. Com dois golos de desvantagem trazidos da Rússia, jogou apenas para cumprir calendário e defraudou quem ousou pensar que seria esta a primeira vez que viraria uma ronda europeia com tal diferença no marcador.

Ontem não era dia de fazer história, a ocasião proporcionava-se a um treino ofensivo para quem pagou bilhete. O Benfica de Krasnodar ainda jogou o suficiente na primeira parte para mostrar que era capaz de marcar e até ganhar ao CSKA Moscovo – o de ontem exibiu-se a um nível fraco, devagar, devagarinho. E para ilustrar o futebol benfiquista até o capitão Simão conseguiu fazer um remate que saiu pela linha lateral.

Foi o cúmulo, quase não dava para acreditar que fosse possível a uma equipa que está em condições de disputar o título nacional descer tão baixo.

Lentidão

Trapattoni voltou a apostar naquele que julga ser o melhor onze do momento, com João Pereira em vez de Miguel, Fyssas em vez de Dos Santos, e Nuno Gomes em vez de Mantorras ou mesmo Karadas. Em 4x2x3x1, sem imaginação, lento, encaixotado no meio-campo, com passes laterais multiplicados até à exaustão, o Benfica foi um doce para o CSKA de Gazzaev, um técnico que sabia o que valia o adversário. Sob pressão, o Benfica não conseguiu dar profundidade ao seu futebol, largava a bola nos laterais, que cruzavam para as três “torres” da defesa russa resolverem.

Só os remates de fora da área deram animação ao jogo ofensivo das águias. Geovanni, Manuel Fernandes e Petit foram os atiradores mais activos, mas a falta de um avançado capaz de aproveitar as “deixas” de Akinfeev tornou esse expediente ofensivo ineficaz.

Perdidos

E veio o golo do CSKA Moscovo para acentuar o rumo que a eliminatória já tomara em Krasnodar. O Benfica tinha a iniciativa consentida, os russos golpeavam cirurgicamente. Não mais dúvidas existiam sobre quem jogava como equipa que chegou a ser da Liga dos Campeões e quem a ela não acedeu.

A perder, Trapattoni fez as substituições quase a papel químico das da primeira mão. Variou apenas o substituto de Geovanni, que desta vez não foi Bruno Aguiar, mas Miguel. A frente ofensiva ficou entregue precisamente a Miguel (à direita), Mantorras (no centro) e Karadas (à esquerda), apoiados por Simão (que fazia de Nuno Assis).

O Benfica ganhou a animação inconsequente de Mantorras e o poder de choque ingénuo de Karadas, mas ainda conseguiu empatar o jogo, evitando a vergonha maior de uma derrota caseira.

E agora?

Para o CSKA segue-se o início do campeonato russo e a eliminatória da UEFA, com fresquidão. O Benfica, que começa a ter os principais jogadores demasiado cansados – nomeadamente Simão, Manuel Fernandes e Petit –, enfrenta a dura prova de jogar a liderança da SuperLiga frente ao FC Porto. E em vez de ter dado um sinal de confiança, afundou-se na mais terrível das indiferenças pelo seu futuro desportivo.

Pelos vistos, Trapattoni pensa que o Benfica fez um jogo bom, com posse de bola, domínio e controlo. Mas sem mostrar vontade de ganhar, capacidade para marcar e qualidade futebolística que justificasse a sua presença em todas as frentes de competição. Ontem, o Benfica foi terrível, ai isso foi.
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