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Benfica mostrou empenho, mas faltou arte

JUPP HEYNCKES DEU UMA OPORTUNIDADE A MUITOS JOGADORES, MAS SÓ PORFÍRIO E CHANO MOSTRARAM QUE QUERIAM O LUGAR

Benfica mostrou empenho, mas faltou arte
Benfica mostrou empenho, mas faltou arte

BENFICA e Celta de Vigo empataram quinta-feira (1-1) na Luz e os galegos seguiram para a próxima eliminatória da Taça UEFA com um resultado de 8-1.

Era impensável, há duas semanas, imaginar-se que o Estádio do Benfica iria receber, numa competição europeia, duas equipas "B". E isso aconteceu por razões, curiosamente, idênticas, ainda que "nascidas" de "partos" diferentes. Se Heynckes apenas fez alinhar cinco atletas que estiveram na "negra noite" de Vigo, e nem colocou João Vieira Pinto no banco, foi porque (em nosso entender) julgou ter uma boa oportunidade para ver se possuía no plantel outras opções válidas, ao mesmo tempo que permitia o descanso dos habituais titulares. Já Victor Fernandez apenas utilizou quatro jogadores da primeira-mão para fazer descansar as unidades mais valiosas dos galegas (excepção a Karpin), embora tivesse tomado o cuidado de manter três dos cinco defesas, não fosse o "diabo tecê-las".

Na parte que nos diz respeito, o Benfica, há que sublinhar, desde logo, esta ideia: as segundas escolhas a quem o alemão deu uma oportunidade para se mostrarem falharam e não conseguiram fazer Heynckes acreditar neles. A esmagadora maioria revelou muita falta de classe. Apesar do empenho não tiveram arte suficiente para mostrar outro futebol. Foi, portanto, uma noite nula, que teve apenas como bálsamo o autogolo de Cáceres, o qual permitiu que nova derrota não acontecesse.

Se a diferença entre os "AA" era evidente, aquela que se regista entre os "BB" não deixa de notar-se à distância. Basta olhar para o "onze" do Celta e ver jogadores como Mazinho, Celades, Revivo ou McCarthy que, sem terem lugar entre os melhores do conjunto espanhol, possuem uma valia que lhes permitiria a titularidade quase absoluta neste Benfica, por exemplo.

Tendo em conta a diferença de valores, o empate acabou por ser um resultado positivo para a equipa portuguesa, a qual só mostrou algum empenho no decorrer na última meia hora.

Heynckes e Fernandez escolheram formas idênticas para abordar o jogo: 4x2x3x1, mas a diferença sentia-se mais em termos de ataque, onde McCarthy contava com apoio efectivo de Karpin (direita), Revivo (nas costas) e Tomás (esquerda), enquanto Cadete vivia apenas das ajudas da direita (Poborsky) e das costas (Chano), já que Luís Carlos estava "ausente do jogo".

Quando, aos 18 minutos, McCarthy fez o golo do Celta, o Benfica desnorteou-se por completo. Teve uma reacção semelhante à de Vigo. Encolheu-se, passou a acumular passes errados a uma velocidade espantosa (Calado, principalmente) e o Celta partiu, então, para cima da baliza de Enke, com 15 minutos de futebol muito bom. Aliás, o guarda-redes alemão evitou a dilatação do resultado defendendo de forma exemplar um remate de Juanfran (25) e anulando, depois, dois lances perigosos, saindo de forma corajosa dos postes.

Após o intervalo, Heynckes deixou Calado no balneário, fez entrar Porfírio e deslocou Luís Carlos para o meio. Junte-se a isto o facto de o Celta ter tirado o pé (Karpin) do acelerador e percebe-se as razões que originaram o equilíbrio do jogo.

Se Chano já havia demonstrado, na primeira parte, estar à altura do "onze" do Benfica (e confirmou-o no segundo tempo), neste período foi a vez de Porfírio "dizer" a Heynckes que não está contente com a sua situação.

Irreverência, velocidade e criatividade. Foi isto que o esquerdino deu à equipa, no flanco onde Luís Carlos nem se viu. Curiosamente, Luís Carlos teria um segundo tempo bem melhor, jogando no centro, e foi dele, de resto, a primeira grande chance de golo da equipa (52).

Cadete (68), na última jogada que fez, mostrou toda a sua ânsia. Depois de passar bem pela defesa, não arriscou o remate na cara do guarda-redes e a bola perdeu-se num cruzamento sem jeito. Um bom lance. Mas pouco para quem quer jogar mais. Do mesmo mal se pode queixar o espanhol Tote. Queria sempre a bola nos pés, até mostrou alguma coisa, mas nota-se que está sobre brasas.

Já com Maniche em campo (entrou antes de Tote), o Benfica "soltou-se" um pouco, ganhou alguma confiança e passou a trocar mais e melhor a bola. Os jogadores conseguiram 10/15 minutos de futebol agradável, chegaram ao golo (iniciativa de Porfírio) e terminaram o jogo de cabeça erguida. Faltou arte, mas pelo menos viu-se que houve algum empenho.

JOSÉ RIBEIRO

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